Sem limites nucleares: ONU alerta para “momento sério” após fim do acordo entre EUA e Rússia

Com o fim do New START após mais de meio século, Washington e Moscou ficam livres de restrições sobre ogivas e mísseis
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(Esta combinação de imagens, criada em 5 de fevereiro de 2026, mostra (da esquerda para a direita): (ARQUIVO) Esta imagem de arquivo da Força Aérea dos EUA mostra um técnico da Força Aérea inspecionando um míssil LGM-30G Minuteman III dentro de um silo a cerca de 96 quilômetros da Base Aérea de Grand Forks, em Dakota do Norte. (ARQUIVO) Um sistema de mísseis balísticos intercontinentais RS-24 Yars atravessa a Praça Vermelha durante o desfile militar do Dia da Vitória, no centro de Moscou, em 9 de maio de 2025. O último tratado nuclear entre a Rússia e os Estados Unidos expirou em 5 de fevereiro de 2026, encerrando abruptamente décadas de restrições sobre a quantidade de ogivas nucleares que as duas maiores potências podem implantar e desencadeando temores de uma corrida armamentista global. (Foto de Kirill KUDRYAVTSEV e arquivo / várias fontes / AFP)

Sem um acordo sucessor ao Tratado sobre Medidas para a Redução e Limitação Adicional de Armas Estratégicas Ofensivas (New START), os Estados Unidos e a Rússia passam a operar, pela primeira vez em mais de 50 anos, sem limites jurídicos para seus arsenais atômicos, uma situação encarada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um “momento sério” para o planeta. Saiba mais na TVT News.

Segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, o colapso do regime de controle ocorre justamente em um período de instabilidade geopolítica crescente, elevando o risco de uso de armas nucleares ao patamar mais alto em décadas. Em comunicado, Guterres destacou que os acordos entre Washington e Moscou foram fundamentais, desde a Guerra Fria, para garantir a proteção da população civil contra “erros de cálculo” com potencial catastrófico.

O que acaba com o New START?

Assinado em 2010 e em vigor desde 2011, o New START impunha tetos rígidos aos arsenais estratégicos das duas potências, que juntas concentram cerca de 90% das ogivas nucleares do mundo. O tratado limitava a 1.550 o número de ogivas nucleares implantadas por país e restringia mísseis intercontinentais, submarinos lançadores e bombardeiros pesados.

Além dos números, previa inspeções presenciais, troca de dados e notificações constantes, mecanismos considerados essenciais para a confiança mútua.

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Esta combinação de imagens, criada em 5 de fevereiro de 2026, mostra (de cima para baixo):
(ARQUIVO) Esta fotografia de arquivo, distribuída pela agência estatal russa Sputnik, mostra uma cerimônia de hasteamento da bandeira naval a bordo do mais recente submarino nuclear estratégico do Projeto 955A (Borey-A), Knyaz Pozharsky, em Severodvinsk, em 24 de julho de 2025.
(ARQUIVO) Nesta imagem divulgada pela Marinha dos EUA, o submarino de mísseis guiados da classe Ohio, USS Michigan, é recebido em 25 de abril de 2017, ao chegar em Busan, Coreia do Sul. O último tratado nuclear entre a Rússia e os Estados Unidos expirou em 5 de fevereiro de 2026, encerrando abruptamente décadas de restrições sobre a quantidade de ogivas nucleares que as duas maiores potências podem implantar e desencadeando temores de uma corrida armamentista global. (Foto de Alexander Kazakov e Jermaine Ralliford / diversas fontes / AFP) / USO EDITORIAL RESTRITO FOTO AFP / MARINHA DOS EUA /

Impasse político entre Washington e Moscou

O fim do tratado é resultado de um impasse diplomático prolongado entre as administrações de Donald Trump e Vladimir Putin.

O Kremlin afirma que propôs estender os limites atuais por mais 12 meses para permitir novas negociações, mas alega não ter recebido resposta formal dos Estados Unidos. Moscou declarou que não se considera mais obrigada a cumprir as restrições e advertiu que poderá adotar “contramedidas técnico-militares” se sua segurança for ameaçada.

Do lado estadunidense, Trump minimizou a situação e disse buscar um “acordo melhor”. A Casa Branca defende que qualquer novo pacto inclua a China, cujo arsenal cresce rapidamente. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o controle de armas no século XXI “é inviável” sem a participação de Pequim.

A China, por sua vez, rejeita negociações trilaterais, argumentando que possui cerca de 600 ogivas, um número muito abaixo dos estoques russo e americano.

Risco de nova corrida armamentista

Segundo reportagem da Reuters, analistas apontam que, sem limites, tanto EUA quanto Rússia podem “carregar” centenas de ogivas adicionais em sistemas já existentes nos próximos anos. A Rússia já teria capacidade industrial para expandir seu arsenal mais rapidamente.

A ausência de inspeções também elimina a transparência que ajudava a evitar suspeitas e mal-entendidos, aumentando a chance de decisões precipitadas em momentos de crise.

Outro temor é o impacto sobre o Tratado de Não Proliferação (TNP). Países sem armas nucleares podem questionar o compromisso das potências com o desarmamento, enfraquecendo o regime internacional de não proliferação.

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(ARQUIVO) Um míssil balístico intercontinental russo Topol-M atravessa a Praça Vermelha durante o Desfile do Dia da Vitória em Moscou, em 9 de maio de 2008. A Rússia prometeu, em 4 de fevereiro de 2026, agir “responsavelmente” caso seu último tratado nuclear com os Estados Unidos expire em 5 de fevereiro, em meio a crescentes temores de que o colapso do acordo possa desencadear uma nova corrida armamentista entre as principais potências nucleares. O Novo Tratado START, assinado em 2010, limita o número de ogivas nucleares que cada lado pode implantar. (Foto de Yuri KADOBNOV / AFP)

Apelo por novas negociações

Diante do cenário, Guterres pediu que Estados Unidos e Rússia retornem “sem demora” à mesa de negociações para construir um novo marco que reflita as mudanças tecnológicas e estratégicas do século XXI.

Para o chefe da ONU, a crise também pode ser uma oportunidade de “reiniciar” o diálogo e restaurar limites verificáveis. “O mundo agora espera que a Rússia e os Estados Unidos transformem palavras em ações”, indicou.

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Esta combinação de imagens, criada em 5 de fevereiro de 2026, mostra (de cima para baixo):
(ARQUIVO) Esta foto da Força Aérea dos EUA mostra um míssil balístico intercontinental Minuteman III desarmado sendo lançado durante um teste de desenvolvimento às 00h33, horário do Pacífico, em 5 de fevereiro de 2020, na Base Aérea de Vandenberg, Califórnia.

(ARQUIVO) Esta captura de tela, feita a partir de um vídeo divulgado pelo Ministério da Defesa da Rússia em 20 de abril de 2022, mostra o lançamento do míssil balístico intercontinental Sarmat no campo de testes de Plesetsk, Rússia. O último tratado nuclear entre a Rússia e os Estados Unidos expirou em 5 de fevereiro de 2026, encerrando abruptamente décadas de restrições sobre a quantidade de ogivas nucleares que as duas maiores potências podem implantar e desencadeando temores de uma corrida armamentista global. (Foto de Clayton WEAR e Divulgação / várias fontes / AFP)

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