Para quem vai o iate bilionário de Vorcaro?

Avaliado em cerca de R$ 2 bilhões, megaiate foi vendido após a prisão do ex-banqueiro e hoje pertence ao fundador da fintech Revolut, em uma negociação que virou alvo de disputa judicial em Londres
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Megaiate de luxo é avaliado em R$ 2 bi. Foto: Reprodução/Lürssen

A trajetória do megaiate de luxo ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro ganhou um novo capítulo internacional. Avaliada em cerca de R$ 2 bilhões (€ 350 milhões), a embarcação conhecida como Nixie foi adquirida pelo bilionário russo-britânico Nik Storonsky, fundador da fintech Revolut, após passar pelas mãos de Vorcaro e retornar ao empresário canadense Patrick Dovigi, seu comprador original. Saiba mais na TVT News.

A operação veio à tona em documentos apresentados à Alta Corte de Londres e revelados pelo Financial Times. O caso não investiga diretamente Vorcaro, mas expõe a sequência de negociações envolvendo um dos maiores superiates já construídos pelo estaleiro alemão Lürssen, enquanto o ex-controlador do Banco Master enfrenta investigações no Brasil.

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De Vorcaro ao fundador da Revolut

O Nixie foi inicialmente encomendado por Patrick Dovigi, empresário canadense que construiu sua fortuna no setor de gestão de resíduos. Ainda durante a construção, em 2024, o iate foi vendido a Daniel Vorcaro.

Pouco depois, porém, a situação mudou. Com a prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, e o agravamento da crise que culminou na liquidação do Banco Master pelo Banco Central, a embarcação voltou para Dovigi antes mesmo de sua entrega definitiva.

Em janeiro de 2026, Dovigi vendeu o superiate para Nik Storonsky, fundador da Revolut, encerrando a breve passagem da embarcação pelo patrimônio de Vorcaro. Segundo reportagens internacionais, o banqueiro brasileiro nunca chegou a embarcar no iate, que só foi concluído após sua prisão.

Vorcaro iate
Banqueiro brasileiro nunca chegou a embarcar no iate. Foto: Reprodução/Esfera 

Luxo de R$ 2 bilhões

Com 102,4 metros de comprimento (334 pés), o Nixie figura entre os maiores iates privados do mundo e deverá estrear oficialmente no Monaco Yacht Show.

O projeto reúne uma série de equipamentos de alto padrão, entre eles:

  • piscina de borda infinita com fundo de vidro;
  • heliponto conversível em quadra esportiva;
  • beach club de aproximadamente 270 metros quadrados;
  • academia equipada com câmara de crioterapia;
  • spa privativo com sauna, banho de vapor, salão de beleza e salas de massagem;
  • dois cinemas, sendo um ao ar livre;
  • jacuzzi e áreas de lazer voltadas para o mar;
  • sistema de propulsão diesel-elétrico e armazenamento de energia.

O projeto foi desenvolvido pelo estaleiro alemão Lürssen em parceria com o estúdio britânico RWD, referência mundial em embarcações de luxo.

Disputa milionária na Justiça britânica

Embora a compra já tenha sido concluída, a negociação desencadeou uma disputa judicial envolvendo a corretora especializada Cecil Wright & Partners.

A empresa afirma ter apresentado o Nixie à equipe de Storonsky e sustenta que foi a responsável por aproximar comprador e vendedor. Segundo a ação, porém, o fundador da Revolut teria fechado o negócio diretamente com Patrick Dovigi, excluindo a corretora da operação.

Com isso, a empresa cobra uma comissão de € 17,5 milhões, equivalente a aproximadamente 5% do valor da venda.

Storonsky, por meio de representantes, afirma que o processo não tem fundamento e promete contestar a ação na Justiça inglesa.

Ativo chama atenção das investigações

A revelação da venda ocorre em meio às investigações sobre Daniel Vorcaro e os desdobramentos da liquidação do Banco Master.

Autoridades brasileiras buscam identificar e rastrear ativos vinculados ao ex-banqueiro, inclusive bens localizados no exterior. Apesar de o Nixie ter integrado seu patrimônio durante a construção, a embarcação já havia sido revendida antes de sua entrega e atualmente pertence a Nik Storonsky.

A sequência das transações — de Patrick Dovigi para Vorcaro, de volta ao empresário canadense e, posteriormente, para o fundador da Revolut — passou a integrar os documentos analisados na disputa judicial em Londres, tornando o superiate um dos símbolos mais visíveis da fortuna associada ao ex-controlador do Banco Master.

O caso também evidencia como ativos de altíssimo valor podem permanecer no centro de disputas internacionais mesmo após mudarem de proprietário, especialmente quando seus antigos donos são alvo de investigações financeiras de grande repercussão.

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