Parlamentares dos EUA pedem explicações para Meta sobre tratamento nas eleições brasileiras

Carta assinada por Bernie Sanders e outros 12 congressistas dos EUA questiona denúncias de restrições a conteúdos ligados a Lula e possível favorecimento à campanha de Flávio Bolsonaro; empresa nega interferência política
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Carta assinada por Bernie Sanders e outros 12 congressistas dos EUA questiona denúncias de restrições a conteúdos ligados a Lula e possível favorecimento à campanha de Flávio Bolsonaro; empresa nega interferência política. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Treze parlamentares dos Estados Unidos cobraram explicações de Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, sobre a atuação das plataformas da empresa nas eleições presidenciais brasileiras de 2026. Em carta enviada nesta quinta-feira (22), o grupo dos EUA questiona denúncias de tratamento desigual entre as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), às vésperas do segundo turno, marcado para domingo (25). Leia em TVT News.

O documento foi assinado por 12 deputados democratas e pelo senador independente Bernie Sanders. Os congressistas demonstram preocupação com relatos de que conteúdos associados à campanha de Lula teriam sido restringidos ou perdido alcance, enquanto publicações ligadas à candidatura de Flávio Bolsonaro teriam recebido maior visibilidade nas plataformas.

A carta solicita esclarecimentos sobre os critérios utilizados pela Meta para moderar e recomendar conteúdos políticos, além das providências adotadas para garantir condições iguais às candidaturas. Os parlamentares também pedem uma reunião técnica com representantes da companhia e estabeleceram 4 de novembro como prazo para o envio de respostas por escrito.

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Restrições a anúncios e denúncias envolvendo inteligência artificial

Entre os episódios citados pelos congressistas dos EUA está a desativação da conta de anúncios da campanha de Lula no Facebook, em 23 de setembro. Outro caso envolve limitações ao impulsionamento de publicações no Instagram entre os dias 9 e 10 de outubro.

Segundo estimativa da campanha petista mencionada na carta, cerca de 1,3 milhão de pessoas deixaram de visualizar anúncios durante o período de restrição no Instagram.

Os parlamentares também questionam relatos sobre o funcionamento da inteligência artificial da Meta. Segundo as denúncias, a ferramenta teria recusado pedidos para produzir imagens favoráveis a Lula, enquanto atendia a solicitações semelhantes envolvendo Flávio Bolsonaro.

Outro ponto levantado diz respeito a recomendações algorítmicas que teriam ampliado a visibilidade do perfil do senador e de um canal de WhatsApp associado à sua campanha. Os congressistas pedem que a empresa esclareça quando identificou possíveis diferenças de tratamento e quais medidas adotou para corrigir os problemas.

As denúncias integram uma série de questionamentos sobre a atuação das plataformas digitais durante a disputa eleitoral brasileira. A campanha de Lula também acionou a Justiça Eleitoral para investigar possíveis prejuízos à circulação de seus conteúdos.

Parlamentares questionam cumprimento de decisões do TSE

A iniciativa ocorre após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cobrar da Meta medidas para assegurar tratamento igualitário aos candidatos. A Corte determinou providências relacionadas à distribuição de conteúdos e à revisão de restrições aplicadas às campanhas.

Em resposta à Justiça Eleitoral, a empresa informou ter implementado 17 medidas para atender às determinações. Entre elas está um mecanismo de revisão humana de bloqueios automatizados em contas de anúncios eleitorais.

Os congressistas dos EUA querem saber quais medidas foram adotadas, como a empresa verifica o cumprimento das regras e se permitirá que auditores independentes tenham acesso a dados internos sobre moderação e distribuição de conteúdo político. A proposta é verificar se os mecanismos da plataforma foram aplicados de maneira uniforme às candidaturas.

A carta também questiona eventuais contatos entre a Meta e integrantes do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as eleições brasileiras, o Judiciário do país e propostas de regulamentação das plataformas digitais. Os parlamentares solicitam informações e registros caso essas comunicações tenham ocorrido, mas a pergunta não comprova a existência de contatos ou de interferência do governo norte-americano.

Meta nega favorecimento político

A empresa nega ter interferido nas eleições brasileiras ou favorecido uma candidatura. A Meta atribui os problemas relatados a falhas técnicas e afirma que suas regras são aplicadas igualmente aos candidatos.

A cobrança dos parlamentares norte-americanos amplia a pressão sobre a companhia em meio às denúncias envolvendo o Facebook, o Instagram e o WhatsApp. A iniciativa também se soma a questionamentos de especialistas independentes ligados à Organização das Nações Unidas (ONU), que pediram esclarecimentos sobre possíveis impactos dos sistemas de moderação, recomendação e inteligência artificial na circulação de conteúdos eleitorais.

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