Entre terça-feira (25) e quarta-feira (26), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá se aceita ou rejeita a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no caso que investiga a trama golpista ocorrida no final de 2022. Confira em TVT News.
Bolsonaro réu? Confira como será o julgamento na primeira turma
O processo aponta Jair Bolsonaro (PL) e mais 32 pessoas como responsáveis por uma suposta organização criminosa que planejou e incentivou os atos antidemocráticos que culminaram na invasão dos prédios dos Três Poderes em Brasília.
O julgamento será realizado em duas sessões: a primeira deve ocupar toda a manhã e tarde de terça-feira, e a segunda está prevista para o início da quarta-feira, caso seja necessário mais tempo para deliberações. A expectativa é de que os ministros consigam concluir a votação ainda nesta semana.
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A sessão será conduzida pelo presidente da Turma, ministro Cristiano Zanin, que abrirá os trabalhos com uma leitura do relatório feita pelo ministro Alexandre de Moraes. Em seguida, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, terá 30 minutos para fazer sua sustentação oral e defender a denúncia enviada ao Supremo. Caberá a ele apresentar os argumentos que embasam a acusação e explicar por que os acusados devem responder judicialmente pelos crimes imputados.

A 1ª turma do STF é composta por: Ministro Cristiano Zanin (presidente); Cármen Lúcia; Luiz Fux; Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Nesta etapa inicial, o mérito será analisado apenas em relação a oito dos acusados, considerados membros do “núcleo crucial” da organização criminosa. São eles:
- Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;
- Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
- Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha do Brasil;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal;
- General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
- Mauro Cid, ex-ajudante de Ordens da Presidência;
- Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;
- Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil.

Denúncia da PGR aponta Bolsonaro como líder de uma organização criminosa “baseada em projeto autoritário de poder” e “com forte influência de setores militares”. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Os crimes atribuídos aos oito acusados incluem:
- Golpe de Estado;
- Abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Organização criminosa armada;
- Dano qualificado;
- Deterioração de patrimônio tombado.
Esses crimes estão diretamente ligados à tentativa de subverter a ordem constitucional e instaurar um regime de exceção após a derrota de Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022. Segundo a PGR, os acusados teriam participado de um plano para desestabilizar as instituições democráticas e promover um levante popular contra o resultado das urnas.
Após a manifestação da PGR, as defesas dos acusados terão espaço para se pronunciar. A ordem dos pronunciamentos será definida pelo ministro Cristiano Zanin. Os advogados terão 15 minutos cada, e deverão apresentar suas argumentações finais antes de os ministros iniciarem a votação.
Os ministros ainda poderão deliberar sobre questões preliminares – pontos específicos presentes no processo que podem influenciar diretamente o voto de cada magistrado. Entre essas questões, pode haver discussões sobre a competência do STF para julgar o caso ou sobre a legalidade de determinadas provas colhidas durante as investigações. Após isso, o relator avaliará o mérito da denúncia e decidirá se a aceita ou não. Os demais integrantes da Turma, então, darão seus votos.

Se a 1ª turma acatar a denúncia, os denunciados se tornarão réus e responderão a processo judicial em mais sessões no Supremo. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Caso a maioria ou a unanimidade dos ministros opte por acolher a denúncia, os acusados se tornarão réus e passarão a responder ao processo judicial em novas sessões da Primeira Turma do STF. Se a denúncia for rejeitada, a acusação será arquivada.
Caso os ministros decidam acolher a denúncia, o caso avançará para uma nova fase processual, com a produção de provas e depoimentos de testemunhas.
Independentemente do resultado, o julgamento marca um momento histórico para o Supremo Tribunal Federal e para o Brasil. Ele simboliza o papel central do Judiciário na defesa da Constituição e na manutenção da estabilidade institucional. Enquanto o país aguarda o veredicto, a decisão desta semana ficará gravada como um capítulo importante na história recente do Brasil, refletindo tanto os desafios quanto as respostas oferecidas pelas instituições democráticas.
