O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), durante sua participação no podcast “Flow”, nesta quinta-feira (1º), chamou o senador Flávio Bolsonaro (PL) de “pessoa desqualificada”, “vira-lata” e “sem futuro e presente”. Leia em TVT News.
Durante a entrevista, que durou quase duas horas, o presidente questionou a trajetória política de Flávio, criticou sua relação com figuras mencionadas em investigações, como Vorcaro, e também atacou o alinhamento de integrantes da família Bolsonaro ao governo dos Estados Unidos.
Ao comentar a disputa eleitoral, Lula afirmou que considera debates importantes para o processo político quando reúnem candidatos que, segundo sua avaliação, possuem trajetória e experiência na política. O presidente citou adversários de eleições anteriores, como Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Paulo Maluf, para fazer uma comparação com o atual cenário.
“Eu acho a disputa extremamente saudável, acho os debates saudáveis, se o debate é feito com gente qualificada para fazer o debate”, afirmou.
Na sequência, Lula direcionou as críticas a Flávio Bolsonaro. O presidente questionou a trajetória profissional e política do senador e afirmou que ele não teria condições, em sua avaliação, de participar de uma disputa presidencial nos mesmos termos de outros adversários que enfrentou anteriormente.
“Outra coisa é você imaginar, você disputar a presidência da República com uma pessoa desqualificada, como o Flávio Bolsonaro, ele não tem passado, não tem presente e não tem futuro”, disse Lula.
O presidente também afirmou que Flávio “nunca trabalhou na vida” e mencionou a carreira política iniciada pelo senador ainda jovem, quando ocupou o cargo de vereador. Segundo Lula, a trajetória de Flávio teria sido construída a partir de cargos públicos, enquanto ele buscaria se apresentar como alguém distante da política.
Lula critica ligação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro e milicianos

Durante a entrevista, Lula também recuperou episódios relacionados à atuação política de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro. O presidente mencionou a contratação, quando Flávio era deputado estadual, de familiares de Adriano da Nóbrega, apontado no texto-base como chefe do chamado Escritório do Crime e morto em 2020.
Lula citou ainda a relação de proximidade atribuída ao senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ao abordar o assunto, o presidente utilizou termos duros para caracterizar seu adversário e afirmou que Flávio teria ligação com milicianos.
“Um cidadão que é ligado aos milicianos. Que tem essa relação amorosa com Vorcaro”, afirmou Lula.
As declarações foram feitas durante a discussão sobre a disputa presidencial e integram o conjunto de críticas direcionadas pelo presidente ao senador durante a entrevista.
Lula também mencionou Eduardo Bolsonaro, deputado federal licenciado, ao tratar da relação de integrantes da família Bolsonaro com autoridades norte-americanas. O presidente criticou a atuação de Eduardo nos Estados Unidos e afirmou que ele teria trabalhado para que autoridades brasileiras fossem alvo de sanções norte-americanas.
O presidente relacionou ainda o financiamento do filme “Dark Horse” a Daniel Vorcaro e mencionou investigações sobre recursos destinados ao fundo Havengate. Segundo Lula, esses recursos estariam relacionados ao financiamento do período em que Eduardo Bolsonaro permanece nos Estados Unidos.
Ao comentar o episódio, Lula chamou Flávio de “vira-lata” e afirmou que Eduardo estaria nos Estados Unidos falando contra o Brasil.
Críticas de Lula ocorrem no dia de debate cancelado
A entrevista de Lula ao “Flow” ocorreu no mesmo dia em que estava previsto um debate entre candidatos à Presidência da República na TV Globo. O encontro, contudo, acabou cancelado após decisões da Justiça Eleitoral relacionadas à composição do debate.
Segundo as informações apresentadas no texto-base, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), havia proibido a exibição de um púlpito vazio com o nome de Lula. Posteriormente, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a participação de Renan Santos (Missão) no encontro.
A TV Globo afirmou, em nota, que houve “interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa têm de organizar os debates eleitorais” e nas regras previamente estabelecidas. Flávio Bolsonaro havia anunciado que não participaria do debate e atribuiu a decisão a uma suposta “censura” do TSE.
Leia também:
>> Lula incentiva jovens a participar da política e chama população 70+ para votar