Petro retira embaixadora do Equador após país elevar para 100% tarifa sobre seus produtos

O governo equatoriano elevou para 100% tarifa sobre produtos da Colômbia; Petro classificou medida como "monstruosidade"
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Petro retira embaixadora do Equador após país elevar para 100% tarifas sobre produtos colombianos. Foto: Presidencia de Colombia/Flickr

O governo do Equador anunciou nesta quinta (9) que as tarifas sobre importações vindas da Colômbia subirão de 50% para 100% a partir de maio. Petro classificou a decisão como uma monstruosidade e ordenou a retirada emediata de sua embaixadora no país equatoriano. Leia em TVT News.

Entenda a escalada do conflito entre Petro e Noboa

A crise diplomática entre os países vizinhos, que já se arrastava há meses, se agravou nesta quinta-feira (9).

O governo de Daniel Noboa justifica o tarifaço alegando que a Colômbia falhou em implementar medidas eficazes de segurança na fronteira comum. Segundo o Equador, a falta de policiamento do lado colombiano obrigou o país a elevar gastos em defesa, custos que agora serão repassados aos produtos importados.

Em suas redes sociais, Petro destacou seu compromisso na luta contra o narcotráfico, rebatendo Noboa:

“Os compromissos contra o narcotráfico os assumi desde que iniciei minha vida de luta pela justiça social na Colômbia. Eu não nasci em casa de grandes bananeiros ou banqueiros. Nasci no seio do povo trabalhador, que não é narcotraficante nem lavador de dólares. Vive do seu trabalho e do seu sacrifício”, escreveu o presidente.

Petro também afirmou não possuir empresas ou contas no exterior, garantindo que seu único patrimônio é sua residência familiar. Em seguida, exigiu que a classe política do Equador explicasse a fragilidade na vigilância de seus portos, que são grandes polos de exportação de drogas, e a recorrência de apreensões de cocaína em navios mercantes ligados a setores econômicos.

“Que expliquem no Equador por que caem carregamentos de cocaína nesses navios de negócios malcheirosos, que expliquem os políticos do Equador por que se debilitou tanto a vigilância nos portos marítimos que passaram a ser os maiores exportadores de cocaína do mundo”, cobrou Petro.

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Colômbia ameaça abandonar o Pacto Andino

O presidente colombiano afirmou que a postura do Equador inviabiliza a continuidade da Colômbia na Comunidade Andina de Nações (CAN). Para Petro, a decisão de Noboa representa “o fim do Pacto Andino” para seu país, sinalizando uma mudança de rota diplomática para se unir definitivamente ao Mercosul.

No momento, as negociações mediadas pela CAN estão oficialmente suspensas. A chanceler equatoriana, Gabriela Sommerfeld, declarou que o diálogo só será retomado quando houver um “ambiente propício”, evidenciando o congelamento total das relações entre as duas nações.

Em março, bombardeio deixou 27 mortos na fronteira da Colômbia: Petro acusou Equador

Mês passado, o presidente da Colômbia acusou o Equador de ser o responsável por um bombardeio em solo colombiano, que resultou na morte de 27 pessoas.

As autoridades locais encontraram os corpos das vítimas carbonizados no local do ataque. A bomba foi localizada nas proximidades de onde os corpos foram achados.

Petro considerou uma violação de território e um agravamento da violência na região fronteiriça, mas o presidente equatoriano negou envolvimento.

Divisor de águas: Jorge Glas

A tensão disparou após Gustavo Petro classificar o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, preso por corrupção, como um “preso político”. O Equador reagiu chamando seu embaixador em Bogotá para consultas.

Desde fevereiro, as taxas escalaram de 30% para 100%, paralisando o comércio e afetando setores sensíveis como o transporte de petróleo e a cooperação energética.

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