A Petrobras identificou uma nova ocorrência de petróleo durante a perfuração do poço Morpho, na costa do Amapá. O poço está localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas, uma das áreas que integram a chamada Margem Equatorial brasileira. A estatal comunicou a descoberta nesta sexta-feira (2). Leia em TVT News.
O novo registro foi feito durante o avanço da perfuração do Morpho, onde a Petrobras já havia anunciado a presença de petróleo em agosto. A empresa decidiu prosseguir com os trabalhos para obter mais informações sobre as formações geológicas existentes na região.
A operação ocorre em águas ultraprofundas. O ponto de perfuração está a cerca de 175 quilômetros do litoral do Amapá, em uma área onde a profundidade do mar chega a 2.886 metros.
Segundo a Petrobras, a presença de petróleo foi identificada a partir dos dados coletados durante a perfuração, incluindo registros elétricos, informações sobre as rochas e amostras de fluidos retiradas do poço.
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Lula fala sobre potencial da Margem Equatorial
Em entrevista ao podcast Flow, na quinta-feira (1º), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou o potencial de exploração de petróleo na Margem Equatorial, dizendo que, caso as expectativas da Petrobras se confirmem, a região poderá concentrar grandes volumes do combustível fóssil.
“Se der certo o que nós estamos pensando, vai ter muito petróleo. O Trump vai morrer de inveja nossa”, afirmou Lula.
O presidente também destacou a localização das áreas em estudo e afirmou que elas não estão em território indígena. Segundo Lula, um dos pontos fica a 575 quilômetros da costa do Amazonas e a 175 quilômetros da costa do Amapá.
Ao falar sobre a profundidade da operação, Lula recorreu ao humor para descrever o trabalho de exploração: “Nós fomos pegar petróleo a 7.000 m de profundidade. Se afundar mais um pouquinho, traz o japonês na sonda”, disse.

Volume ainda será calculado
A identificação de petróleo não significa, neste momento, que a área esteja confirmada como uma nova reserva com viabilidade para produção. A Petrobras ainda precisa analisar o material coletado para determinar as características do óleo e estimar a quantidade de recursos existentes.
Os resultados dos exames serão combinados com os demais dados obtidos durante a perfuração. Essas informações serão utilizadas para avaliar melhor as características do reservatório e o potencial petrolífero da região.
A companhia informou que continuará os trabalhos no poço Morpho antes de concluir essa etapa de avaliação. A primeira ocorrência identificada no local, anunciada em agosto, já foi analisada e apresentou petróleo de boa qualidade.
A exploração na Margem Equatorial
O resultado faz parte dos esforços da Petrobras para investigar novas áreas de exploração de petróleo e gás no país. A Margem Equatorial se estende pelo litoral norte e parte do Nordeste e reúne as bacias da Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.
No bloco FZA-M-59, localizado na costa do Amapá, a Petrobras é responsável integralmente pelas operações. A área foi adquirida pela companhia na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizada em 2013.
A estatal considera a Margem Equatorial uma região estratégica para a busca de novas reservas. No plano de negócios para o período de 2026 a 2030, a empresa prevê investimentos de US$ 2,5 bilhões na região e a perfuração de 15 poços.
Licenciamento ambiental
A expansão da exploração na Margem Equatorial ocorre em meio a processos de licenciamento ambiental e discussões sobre os possíveis impactos das atividades na região amazônica.
A Petrobras afirma que as operações são realizadas seguindo as exigências estabelecidas pelos órgãos ambientais e que os trabalhos no Amapá ainda estão na fase de pesquisa e exploração. Uma eventual produção dependeria de novas etapas de avaliação e autorização.
Por enquanto, a nova ocorrência amplia o conhecimento sobre o potencial petrolífero da Bacia da Foz do Amazonas. A quantidade de petróleo existente e a possibilidade de exploração comercial ainda dependem dos estudos realizados a partir das amostras e dos dados obtidos no poço.