Petrobras reajusta preço do diesel em R$ 0,38 por litro

Novos valores para venda a distribuidoras passam a vigorar no sábado
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Juntas medidas anunciadas pelo governo representam alívio de R$ 0,64 por litro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Petrobras anunciou no fim da manhã desta sexta-feira (13) que vai reajustar o valor do óleo diesel vendido às distribuidoras em R$ 0,38 por litro. O novo preço passa a valer a partir de sábado (14). Leia em TVT News.

Em comunicado, a estatal explica que o preço médio do diesel A praticado pela companhia para as distribuidoras aumentará para R$ 3,65 por litro, e a participação da Petrobras no preço do diesel B será, em média, de R$ 3,10.

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O diesel A é o vendido nas refinarias, antes de ser misturado a biocombustíveis. Já o diesel B é o comercializado nos postos ao consumidor final, depois de as distribuidoras efetuarem a mistura obrigatória.

Impacto mitigado

A companhia explicou que o reajuste do diesel foi mitigado pelas medidas para conter a escalada do preço do combustível, anunciadas na quinta-feira (12) pelo governo federal. Mesmo assim, o aumento do petróleo no mercado internacional em meio à guerra no Oriente Médio exerce pressão sobre o preço.

O governo zerou as alíquotas dos dois tributos federais sobre a importação e comercialização do diesel, o PIS e a Cofins, o que representa corte de R$ 0,32 no preço do litro do óleo diesel, segundo cálculos do Ministério da Fazenda. 

Além disso, uma Medida Provisória publicada autoriza a subvenção econômica para importadores e produtores de diesel. Com isso, o governo pode pagar R$ 0,32 por litro, desde que esse desconto seja repassado à cadeia de preços, baixando o custo ao consumidor final. 

Juntas, as duas medidas representam alívio de R$ 0,64 por litro. As iniciativas são um enfrentamento à alta do preço do petróleo no mercado internacional, causada pela guerra iniciada por Estados Unidos e Israel contra o Irã

Histórico de preços 

A Petrobras lembra que o preço do diesel foi alterado pela última vez em maio de 2025, quando houve uma redução. Já o último aumento foi em fevereiro de 2025. 

Nas contas da Petrobras, desde dezembro de 2022, os preços de diesel vendidos às distribuidoras registram redução acumulada de R$ 0,84 por litro, o equivalente a uma queda de 29,6%, considerada a inflação do período.

Petróleo mais caro

A ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã completa duas semanas nesta sexta-feira. Uma das formas de retaliação do Irã é o bloqueio do Estreito de Ormuz, ligação marítima entre os golfos Pérsico e de Omã, ao sul do Irã. Por lá, passam 20% da produção mundial de petróleo e gás.

O gargalo na região pressiona a oferta de petróleo no mercado internacional, o que eleva a cotação dos preços. Nesta sexta-feira, o contrato futuro do barril de petróleo Brent, preço de referência, está negociado perto de US$ 100 (equivalente a cerca de R$ 520).

Há duas semanas, a cotação beirava US$ 70, ou seja, em 15 dias subiu cerca de 40%. O Irã chegou a alertar o mundo para se preparar para o petróleo a US$ 200.

Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil

Para FUP, quadro reforça a necessidade de fortalecer a Petrobrás

Confira a nota da Federação Única dos Petroleiros (FUP) sobre o aumento anunciado pela Petrobrás:

O reajuste anunciado pela Petrobrás de R$ 0,38 por litro de diesel ocorre em um cenário internacional de forte pressão sobre os preços do petróleo, impulsionada pela escalada da guerra no Oriente Médio e pela consequente alta das cotações internacionais.

Considerando o aumento, o preço do diesel da estatal passa de R$ 3,30 para R$ 3,68 por litro – ainda cerca de 20,86% abaixo da referência do PPI (paridade de preço de importação), 12,59% inferior ao praticado pela Acelen, na Bahia, e 27,84% menor que o preço do grupo Ream, no Amazonas – ambas refinarias privatizadas, que buscam maiores ganhos e margens de lucro.

Para a Federação Única dos Petroleiros (FUP), esse quadro evidencia graves limitações na estrutura do mercado de abastecimento no Brasil, particularmente após a venda de refinarias e a redução da presença da Petrobrás em segmentos estratégicos da cadeia de combustíveis – como a privatização da BR Distribuidora, em 2019.

Tal cenário reforça a necessidade de ampliar o parque nacional de refino e fortalecer o papel da Petrobrás ao longo de toda a cadeia do setor, incluindo distribuição e comercialização. Uma Petrobrás integrada amplia a segurança do abastecimento, reduz a vulnerabilidade do país às oscilações externas e contribui para maior estabilidade na formação dos preços dos combustíveis no mercado doméstico.

Diesel comercializado pela Petrobras seguirá abaixo dos preços das refinarias privatizadas, analisa Ineep

De acordo com o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), mesmo com o aumento anunciado, os preços do diesel continuarão mais baixos.

“Mesmo com esse reajuste, o diesel comercializado pela Petrobras seguirá abaixo da referência do PPI e dos preços praticados pelas refinarias privatizadas da Bahia (Refinaria Mataripe, do grupo Acelen) e de Manaus (Refinaria da Amazônia do grupo Atem)”, afirma a not do Ineep.

Segundo os últimos dados divulgados da ANP, referentes a semana de 02 de março o preço de referência do PPI para o diesel estava em R$4,65/L, enquanto os preços da Acelen e da Ream eram de, respectivamente, R$4,21 e R$5,10/L. Considerando ainda os dados dessa semana e incorporando o reajuste anunciado pela Petrobras, o preço do diesel em suas refinarias passaria de R$3,30/L para R$3,68/L. Assim, mesmo com o aumento, o preço da estatal permaneceria cerca de 20,86% inferior à referência do PPI, 12,59% menor que o praticado pelo grupo Acelen (BA) e 27,84% inferior ao praticado pelo grupo Ream (AM).

Dessa forma, mesmo com a elevação do preço do diesel pela estatal em resposta aos impactos do conflito no Irã, seus preços seguem inferiores aos praticados por importadores e do parque de refino privatizado.

Ineep

Para o Ineep, “o contexto de escalada dos conflitos no Oriente Médio e explosão das cotações internacionais do petróleo, quando somada a pressão exercida por agentes privados, especialmente distribuidores e refinarias privadas, pela elevação dos preços dos combustíveis, em particular do diesel comercializado pela Petrobras, “evidencia limitações no atual arranjo do mercado de abastecimento no Brasil.

“Essa situação realça a necessidade de ampliação do parque nacional de refino e volta da Petrobras aos segmentos de distribuição e comercialização, instrumentos estratégicos para o bem-estar social e carestia.  Fortalecer um projeto de Petrobras integrada é elevar a segurança do abastecimento interno e ampliar a capacidade de coordenação pública sobre a dinâmica de formação de preços dos combustíveis no mercado doméstico”, afirma, em nota, o Ineep.

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