PF vai investigar influenciadores procurados para defender Banco Master

pf-vai-investigar-influenciadores-procurados-para-defender-banco-master-agencias-queriam-perfis-para-ajudar-nessa-disputa-politica-contra-o-sistema-foto-rovena-rosa-agencia-brasil-tvt-news
Agências queriam perfis para “ajudar nessa disputa política contra o sistema”. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) decidiu abrir um inquérito policial para investigar denúncias de que influenciadores digitais foram procurados por empresas de marketing para produzir conteúdos em defesa do Banco Master e em crítica ao Banco Central (BC), na esteira da liquidação extrajudicial da instituição financeira decretada no fim de 2025. A decisão representa novo capítulo na crescente controvérsia envolvendo o episódio que abalou a confiança de parte do mercado e acelerou a discussão política sobre regulação financeira e influência nas redes sociais. Leia em TVT News.

A apuração foi confirmada publicamente pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que explicou que o caso está em fase inicial, com a corporação elaborando uma Informação de Polícia Judiciária (IPJ) — procedimento técnico que precede a formal instauração do inquérito. A investigação busca identificar se houve pagamento aos influenciadores, se esses pagamentos foram coordenados e quem foram os financiadores ou intermediários na operação.

Os relatos que desencadearam a medida surgiram no fim de dezembro de 2025, quando influenciadores de direita, como Rony Gabriel, vereador em Erechim (RS), e Juliana Moreira Leite, conhecida nas redes sociais, afirmaram que receberam propostas de agências para divulgar narrativas que colocassem em xeque a ação do BC na liquidação do Master, apontando suposta precipitação na decisão da autoridade monetária. Na denúncia, os representantes das agências teriam dito que buscavam perfis para “ajudar nessa disputa política contra o sistema”.

Segundo reportagens, as abordagens incluíam referências a contratos de confidencialidade com cláusulas de multa elevadas para manter sigilo sobre o escopo completo das propostas, além de designações de projeto que, supostamente, vinculavam os nomes ao controlador do banco, Daniel Vorcaro. Embora os influenciadores tenham declarado que recusaram as ofertas, esses relatos motivaram a PF a iniciar a investigação.

Além desses dois casos, reportagens identificaram outras publicações com teor semelhante feitas por influenciadores e que alcançaram dezenas de milhões de seguidores nas redes — um volume que atraiu atenção das autoridades justamente pela amplitude potencial de disseminação.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também entrou no debate ao noticiar que, no fim de dezembro, foi identificado um volume “atípico” de postagens nas redes sociais relacionadas à liquidação do Banco Master, com menções frequentes à entidade e a seus representantes. A entidade afirmou que está estudando se esse padrão se encaixa em um ataque coordenado, embora tenha registrado redução no volume de postagens nos dias seguintes.

Procurados pela imprensa, representantes do Banco Master disseram não ter informações sobre qualquer contratação de influenciadores para a produção de conteúdo contra o Banco Central. Até o momento, o Banco Central também não emitiu declarações públicas específicas sobre a investigação em curso relativa às postagens nas redes sociais.

Assuntos Relacionados