Professores da rede estadual de ensino de São Paulo realizaram uma paralisação de 48 horas, iniciada no último dia 9 e encerrada na sexta-feira (10), culminando em uma assembleia geral no vão do Masp, na capital paulista. Maisn informações em TVT News.
De acordo com a Apeoesp, Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, o balanço da mobilização foi considerado positivo: cerca de 10 mil professores aprovaram a continuidade da greve, com adesão média de 40% em todo o estado.
Entre as principais reivindicações da categoria estão a aplicação correta do piso salarial nacional como base da carreira docente e a retirada do Projeto de Lei 1316/2025, que trata de uma reforma administrativa na educação estadual. Segundo os professores, a proposta altera significativamente a estrutura da carreira, com impactos diretos na remuneração e nos critérios de avaliação, ao priorizar mecanismos de “meritocracia” e desempenho.

O professorado paulista também reivindica melhores condições de trabalho e o fim de punições relacionadas a licenças médicas e afastamentos, frequentemente contabilizados como faltas injustificadas. Outro ponto central é o questionamento da chamada plataformização do ensino, que, segundo a categoria, limita a autonomia pedagógica e reduz a participação dos docentes na elaboração do material didático, tornando-os dependentes de sistemas digitais padronizados.
A gestão do governador Tarcísio de Freitas e do secretário estadual da Educação, Renato Feder, tem sido alvo de críticas por parte da comunidade escolar. Entre os pontos levantados está a implementação de plataformas digitais, apontada como potencial conflito de interesses, devido à ligação de Feder com a empresa Multilaser, fornecedora de equipamentos para a rede estadual.
Outro aspecto criticado é a decisão da Secretaria de Educação de priorizar materiais digitais próprios em detrimento de livros do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Segundo os docentes, a medida contraria diretrizes da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e do Currículo Paulista, alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), além de comprometer a autonomia da rede estadual na organização pedagógica.
Os professores também cobram a reabertura de turmas no período noturno, tanto no ensino médio quanto na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Desde o início da atual gestão, segundo a categoria, cerca de 11 mil salas foram fechadas nesse período. Além disso, novas exigências para matrícula, como a comprovação de vínculo empregatício, têm dificultado o acesso de estudantes.
A Apeoesp afirma que manterá o calendário de mobilizações, com assembleias, marchas e ações na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
Calendário de mobilização após a greve de 48 horas em SP
• Dia 14/4 – a partir das 14h30: mobilização na Alesp para acompanhar os debates e pressionar pela retirada do PL 1316/2025
• Dia 15/4 – participação na Semana da Educação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), com marcha nacional em Brasília
• Dia 16/4 – 10h: encontro de estudantes, pais, mães e professores atípicos
• Dia 16/4 – 14h: reunião na Secretaria da Educação com representantes da comunidade escolar
• Dia 17/04 – realização de dia estadual de avaliação do governo Tarcísio
• Dia 27/04 – 18h: ato de solidariedade ao povo cubano (local a definir)
• Dia 28/04 – 10h: ato em defesa do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (IAMSPE), no HSPE
• Dia 28/04 – 15h: assembleia estadual dos professores, com paralisação, na Alesp
Também está previsto o agendamento de um Encontro Estadual dos Comitês Populares. Segundo o sindicato, cerca de 60 comitês já foram constituídos ou estão em processo de organização. A Apeoesp avalia que esses espaços fortalecem a mobilização da categoria e ampliam a articulação com a comunidade escolar — pais, alunos e professores — em defesa de uma educação pública de qualidade.

