Quaest: rejeição a Flávio Bolsonaro sobe para 57% após vídeo de Michelle e viagem aos EUA

Levantamento Genial/Quaest aponta Flávio Bolsonaro como o pré-candidato mais rejeitado do país, enquanto Lula registra queda no índice de rejeição e amplia a diferença entre ambos
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Foto: Lula Marques Agência Brasil

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) aponta mudanças na percepção do eleitorado sobre os principais nomes cotados para a disputa presidencial de 2026. O levantamento mostra que o senador Flávio Bolsonaro (PL) passou a ser o pré-candidato mais rejeitado entre os testados pelo instituto, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou queda no índice de rejeição. Leia em TVT News.

Segundo a pesquisa Quaest, 57% dos entrevistados afirmam conhecer Flávio Bolsonaro, mas dizem que não votariam nele. O percentual representa uma oscilação de um ponto percentual para cima em relação ao levantamento realizado em junho e amplia a distância em relação a Lula, cuja rejeição caiu de 53% para 50% no mesmo período.

A diferença entre os dois chega agora a sete pontos percentuais. Em abril, o cenário era diferente: Lula aparecia como o mais rejeitado, com 55%, enquanto Flávio registrava 52%.

O levantamento Quaest foi realizado em meio à repercussão de episódios envolvendo o senador, entre eles a divulgação de vídeos publicados pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), nos quais ela relata desentendimentos familiares e acusa o enteado de desrespeitá-la e tratar com desprezo suas posições políticas. A pesquisa também ocorreu após a viagem de Flávio aos Estados Unidos, tema que repercutiu no debate político nas últimas semanas.

Quaest: rejeição cresce após episódios recentes

De acordo com a Quaest, o crescimento da rejeição ao senador ocorre após uma sequência de desgastes públicos. Antes mesmo da divulgação dos vídeos de Michelle Bolsonaro, Flávio já enfrentava repercussões relacionadas às revelações sobre sua ligação com o banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Na sequência, os vídeos divulgados por Michelle ampliaram a exposição pública das divergências dentro da família Bolsonaro. Nas gravações, a ex-primeira-dama acusa o senador de tê-la maltratado e de desrespeitar sua atuação política.

Outro fator observado durante o período de coleta foi a viagem de Flávio aos Estados Unidos. No país, o senador participou de agendas políticas e discursou em Washington contra o tarifaço aplicado a produtos brasileiros, além de defender o sistema Pix diante das críticas feitas por setores ligados ao governo norte-americano.

Após a repercussão dos vídeos, Flávio pediu desculpas publicamente à madrasta e intensificou agendas voltadas ao eleitorado feminino e religioso, segmentos nos quais Michelle Bolsonaro possui elevada influência política dentro do campo conservador.

Eleitores aprovam divulgação do vídeo de Michelle

A pesquisa também mediu a avaliação dos brasileiros sobre a decisão de Michelle Bolsonaro de tornar públicos os vídeos com críticas ao enteado.

Para 45% dos entrevistados, a ex-primeira-dama agiu corretamente ao divulgar o conteúdo. Outros 38% consideram que ela errou ao expor um pré-candidato à Presidência da República. Já 17% disseram não saber ou preferiram não responder.

O resultado indica um eleitorado dividido sobre a estratégia adotada por Michelle, embora a parcela favorável à divulgação seja numericamente superior à dos que desaprovam a iniciativa.

Lula reduz rejeição

Enquanto Flávio Bolsonaro registra crescimento na taxa de rejeição, Lula apresentou movimento inverso.

O presidente passou de 53% para 50% de eleitores que afirmam conhecê-lo, mas não votariam nele. A redução ocorre em um momento em que pesquisas nacionais também apontam recuperação da avaliação do governo em diferentes segmentos do eleitorado.

Apesar da queda, metade dos entrevistados ainda declara rejeitar uma eventual candidatura do atual presidente, mantendo o cenário de elevada polarização entre os dois principais nomes testados.

Caiado e Zema aparecem atrás

A pesquisa também mediu a rejeição dos demais pré-candidatos apresentados aos entrevistados.

Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 34% de rejeição, mantendo estabilidade dentro da margem de erro em comparação aos levantamentos anteriores.

Romeu Zema (Novo) registra 31% de rejeição. O índice representa crescimento em relação aos meses anteriores e retorna ao patamar observado em abril.

Os dois governadores são frequentemente apontados como possíveis representantes de uma alternativa à polarização entre PT e PL, mas os dados mostram que ambos ainda enfrentam dificuldades para ampliar competitividade nacional.

Grau de conhecimento dos pré-candidatos

Além da rejeição, a Quaest perguntou aos entrevistados se conheciam os possíveis candidatos à Presidência.

Lula é conhecido praticamente por todo o eleitorado. Apenas 3% disseram não conhecer o presidente.

Flávio Bolsonaro também apresenta elevado grau de conhecimento, com apenas 5% afirmando não saber quem é o senador.

Já os demais nomes possuem índices muito maiores de desconhecimento:

  • Ronaldo Caiado: 44% não conhecem;
  • Romeu Zema: 50%;
  • Cabo Daciolo: 66%;
  • Joaquim Barbosa: 73%;
  • Augusto Cury: 76%;
  • Renan Santos: 77%;
  • Samara Martins: 86%.

Os números indicam que parte significativa dos possíveis concorrentes ainda precisará ampliar visibilidade caso confirme candidatura em 2026.

Polarização permanece no cenário eleitoral

Os resultados reforçam a manutenção da polarização que marca a política brasileira desde 2018.

Mesmo com oscilações nos índices de rejeição, Lula e Flávio Bolsonaro permanecem como os nomes mais conhecidos entre os eleitores e concentram os maiores percentuais tanto de apoio quanto de rejeição.

Ao mesmo tempo, pré-candidatos apresentados como alternativas ainda enfrentam baixo conhecimento nacional, fator que limita o potencial de crescimento nas pesquisas.

Especialistas costumam apontar que a rejeição exerce papel importante em disputas majoritárias, especialmente em cenários de segundo turno, quando o eleitor precisa optar entre dois candidatos.

Metodologia

A pesquisa Genial/Quaest entrevistou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de julho, em todas as regiões do país.

O levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07181/2026.

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