Quem é essa mulher? Andressa Oliveira defende fé aliada à justiça social

No segundo episódio da série especial da TVT pelo Dia Internacional da Mulher, Andressa Oliveira fala sobre espiritualidade, militância, superação do câncer e a força coletiva das mulheres
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"Sempre fui impulsionada por aquilo que aprendi com Jesus: lutar por justiça", diz ela. Foto: Reprodução

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a TVT apresenta a série especial “Quem é essa mulher?”, que reúne histórias de brasileiras com trajetórias diversas e marcadas por desafios, conquistas e compromisso social. O objetivo da série é dar voz a mulheres de diferentes realidades, mostrando como experiências pessoais, profissionais e políticas ajudam a construir a pluralidade do movimento feminino no país. Leia em TVT News.

No segundo episódio, a personagem é Andressa Oliveira, de 48 anos, servidora pública, ativista social e integrante da comunidade evangélica. Sua história revela como fé, experiência de vida e compromisso com o próximo podem caminhar juntos na defesa da justiça social.

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“Meu nome é Andressa Oliveira, eu tenho 48 anos, vou fazer 49 este ano. Sou servidora pública e também ativista em algumas causas por justiça social”, apresenta-se. Para ela, a militância não surgiu apenas da experiência política, mas também da própria vivência religiosa.

Andressa se define como uma mulher profundamente ligada à fé cristã. “Sou uma mulher evangélica que ama a sua fé, ama Jesus e se identifica muito com essa vivência religiosa e com a comunidade cristã”, afirma. Frequentar a igreja e participar dos cultos, segundo ela, sempre foram elementos centrais de sua trajetória.

Mais do que prática espiritual, a fé também inspirou seu compromisso com as causas sociais. “Eu sempre fui impulsionada por aquilo que aprendi com Jesus: lutar por justiça e não me conformar com aquilo que está acontecendo ao nosso redor como se nada pudesse ser mudado”, explica.

A ativista conta que sua própria história foi marcada por momentos em que precisou do apoio de outras pessoas — especialmente da comunidade religiosa. “Eu mesma fui alvo de cuidado de muita gente. Fui alcançada pelo olhar de muitas pessoas, principalmente da igreja, para ser alimentada, cuidada e abrigada”, lembra.

Essa experiência, segundo Andressa, moldou seu olhar sobre o mundo. “Hoje eu me sinto nesse papel de olhar para as pessoas e perceber quem está em uma situação que talvez precise da minha ajuda.”

Outro capítulo marcante de sua trajetória foi a luta contra o câncer de mama, doença que enfrentou duas vezes. A primeira ocorreu anos atrás; a mais recente, em 2023. A experiência, afirma, trouxe reflexões profundas sobre a vida e sobre a realidade enfrentada por muitas mulheres no Brasil.

“Tive câncer de mama duas vezes. Isso faz a gente pensar muito sobre quem somos enquanto ser humano e enquanto mulher”, relata. Durante o tratamento, Andressa teve o apoio da família, de amigos e da comunidade religiosa — algo que, segundo ela, nem todas conseguem ter.

Ela destaca que muitas mulheres enfrentam o diagnóstico da doença em condições ainda mais difíceis. “A maioria das mulheres no Brasil que descobrem um câncer de mama e estão em um relacionamento acabam sendo abandonadas pelos parceiros”, afirma.

No primeiro diagnóstico, Andressa não estava em um relacionamento, mas contou com forte rede de apoio. No segundo, já casada, teve o suporte do marido. Mesmo assim, a experiência reforçou sua percepção sobre as desigualdades e vulnerabilidades enfrentadas por mulheres em situações de doença.

Para Andressa, o mês de março deve ser um momento não apenas de celebração, mas também de reflexão e fortalecimento coletivo. “É um mês de luta, de reflexão e também de conexão entre mulheres”, afirma.

Ela defende que o diálogo entre diferentes realidades femininas é essencial para avançar na construção de uma sociedade mais justa. “Nós somos diversas. Não existe um modelo único de mulher. Precisamos conversar e caminhar juntas, apesar das diferenças.”

Ao refletir sobre o significado de ser mulher, Andressa destaca que sua identidade está profundamente ligada à história de sua família e de outras mulheres negras brasileiras. “Eu tenho a experiência de uma mulher negra no Brasil. Carrego a história das mulheres da minha família e a força delas.”

Para ela, a alegria de ser mulher está justamente nessa continuidade histórica. “Eu não cheguei aqui sozinha e não chegarei lá sozinha. Tive as que vieram antes, tenho as que estão comigo hoje e tenho as que virão depois.”

Ao apresentar histórias como a de Andressa Oliveira, a série “Quem é essa mulher?” mostra que as trajetórias femininas no Brasil são múltiplas, diversas e profundamente conectadas à luta por dignidade, justiça e transformação social. Histórias que revelam que a força das mulheres não nasce apenas da resistência individual, mas sobretudo da construção coletiva de caminhos para o futuro.

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