No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a TVT apresenta a série especial “Quem é essa mulher?”, dedicada a contar histórias de brasileiras com trajetórias diversas e marcadas por resistência, trabalho e cuidado. Cada episódio revela experiências que ajudam a compreender a pluralidade das vivências femininas no país — da militância social ao comércio popular, da fé à maternidade. Leia em TVT News.
No quarto episódio, a história é de Janete Emi Matsuschita, nutricionista aposentada de 68 anos que dedica grande parte da vida ao cuidado do filho Caio. Mãe solo e avó, ela representa milhares de mulheres brasileiras que vivem a realidade da chamada maternidade atípica — quando o cuidado com filhos com deficiência exige atenção constante e redes de apoio muitas vezes insuficientes.
“Meu nome é Janete Emi Matsuschita. Sou nutricionista, aposentada, tenho 68 anos e sou mãe solo”, apresenta-se. Durante muitos anos, ela conciliou o trabalho com a criação do filho, contando com a ajuda da própria mãe.
“O Caio sempre frequentou a escola e eu tinha muita ajuda da minha mãe para cuidar dele enquanto eu trabalhava”, lembra. Essa rede familiar foi essencial para que ela pudesse manter sua atividade profissional ao longo da vida.
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A dinâmica mudou profundamente há cerca de três anos, com a morte da mãe. Desde então, Janete passou a assumir praticamente sozinha os cuidados diários com o filho. Hoje, embora more com outra filha e uma neta, a rotina de atenção direta continua concentrada nela.
“Minha filha trabalha, então eu praticamente fico com ele”, conta.
Caio tem deficiência intelectual leve e foi diagnosticado com autismo grau três, o que exige acompanhamento constante e atenção a diversas necessidades cotidianas, incluindo mobilidade e organização da rotina.
Antes de encontrar alternativas de tratamento que trouxessem maior estabilidade, Janete enfrentou períodos de grande desgaste físico e emocional. “Teve um momento em que eu estava desesperada, porque era 24 horas por dia comigo e ele não dormia direito”, recorda.
A falta de descanso e a agitação constante tornavam os dias especialmente difíceis. “Ele falava sem parar, me chamava o tempo todo, muito agitado”, relata.
Foi então que ela começou a buscar novas possibilidades de tratamento. A partir da indicação de conhecidos e após pesquisar por conta própria, decidiu procurar atendimento médico especializado e iniciar um tratamento complementar com derivados de cannabis medicinal.
“Comecei o tratamento junto com outros medicamentos que ele já tomava há muitos anos e que já não estavam fazendo efeito”, explica.
A adaptação exigiu paciência. Como em muitos tratamentos médicos, foi necessário ajustar dosagens e acompanhar as reações ao longo do tempo. Mas as primeiras mudanças positivas começaram a aparecer rapidamente.
“Logo que comecei já notei que o sono dele melhorou, ficou mais tranquilo”, afirma.
Após algumas semanas de ajustes, os resultados passaram a se consolidar. “Agora parece que acertamos a dosagem. Ele está mais calmo”, conta.
Mesmo com os avanços no tratamento, a rotina segue intensa. Janete acorda antes das cinco da manhã para começar o dia. A atividade física é um dos poucos momentos reservados ao cuidado consigo mesma.
“Eu acordo quinze para as cinco para ir à academia às dez para as seis com uma amiga”, diz. Pouco depois, a rotina doméstica e de cuidados recomeça.
“Às sete horas já estou de volta. Cuido dos cachorros, dou uma volta com eles, depois ajudo o Caio, organizo a casa, ajudo minha netinha”, descreve.
A lista de tarefas diárias é extensa e inclui desde atividades domésticas até o acompanhamento do filho em suas necessidades básicas.
Apesar das dificuldades, Janete diz que encontra forças para seguir adiante. “Às vezes parece que vem uma força de não sei de onde”, afirma.
Para ela, a experiência de vida e a responsabilidade com a família funcionam como motivação permanente. “Pela idade e por tudo que já passei, eu poderia estar desanimada, cansada. Mas não posso”, diz.
Ao dar voz a histórias como a de Janete Matsuschita, a série “Quem é essa mulher?” evidencia a realidade de muitas mulheres que sustentam, muitas vezes sozinhas, redes de cuidado fundamentais para a sociedade.
Histórias que mostram que, por trás de rotinas aparentemente silenciosas, existe uma força cotidiana que move famílias inteiras — e que ajuda a redefinir, todos os dias, o significado de resistência, amor e responsabilidade.

