Quem é essa mulher?  Leda de Jesus, feirante

No 3º episódio da série especial da TVT pelo Dia Internacional da Mulher, feirante fala sobre décadas de trabalho, perseguições do “rapa” e outros desafios
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“Tenho freguesas que são médicas, enfermeiras, e elas dizem que também passam por momentos difíceis no trabalho”, conta. Foto: Reprodução

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a TVT apresenta a série especial “Quem é essa mulher?”, dedicada a mostrar histórias reais de brasileiras que representam a diversidade de trajetórias, profissões e experiências do universo feminino. Entre trabalhadoras, militantes, servidoras e mães, cada episódio revela um retrato diferente da luta cotidiana das mulheres no país. Leia em TVT News.

No terceiro episódio, a protagonista é Leda Nascimento de Jesus, de 61 anos, conhecida pelos clientes da feira como “Leda Bonitona”. Empreendedora do comércio popular, ela trabalha como feirante há mais de três décadas e construiu sua trajetória a partir da convivência com a mãe nas feiras livres.

“Meu nome é Leda Nascimento de Jesus, tenho 61 anos. Sou uma mulher empreendedora e minha profissão é feirante”, conta. Ela faz questão de valorizar o nome da atividade. “Não gosto de chamar de ambulante, prefiro feirante”, diz.

Leda lembra que começou muito cedo nesse universo. Ainda criança acompanhava a mãe no trabalho. Anos depois, após passar por um período de desemprego, decidiu retornar às feiras — e nunca mais saiu. “Desde pequena eu vinha com minha mãe. Depois fiquei desempregada e voltei para cá. Já estou aqui há mais de 30 anos.”

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Hoje, sua banca é conhecida entre fregueses e frequentadores da feira. Entre os produtos que vende estão quiabo, pimenta, milho, laranja e itens típicos da culinária popular. “Tem quiabo, vendo pimenta, vendo carimã, cambuí, milho, laranja… O quiabo é o carro-chefe”, conta com orgulho.

A trajetória, no entanto, foi construída com muito esforço. Leda afirma que nada veio facilmente. “Para chegar aqui não foi de bandeja, não. Já passei momentos muito difíceis”, relata.

Um dos episódios mais marcantes da sua história envolve as ações de fiscalização que, durante anos, atingiram trabalhadores informais nas ruas das cidades brasileiras. Conhecidas popularmente como “rapa”, essas operações removiam ambulantes e feirantes de áreas consideradas irregulares.

“Antigamente tinha as perseguições do que hoje chamam de polícia administrativa, que antes era o rapa”, lembra. Segundo ela, muitos trabalhadores precisaram resistir para continuar exercendo sua atividade.

Com o tempo, Leda conseguiu estabelecer uma banca fixa na feira. Para ela, esse espaço representa uma conquista importante após anos de luta. “Hoje Deus preparou esse lugarzinho e eu estou aqui até a hora que Ele permitir”, afirma.

A feirante também reflete sobre o peso de ser mulher em um ambiente de trabalho marcado por desafios constantes. Para ela, o preconceito de gênero ainda faz parte da realidade de muitas profissionais. “O fato de você ser mulher já traz desafios todos os dias”, diz.

Segundo Leda, conversas com clientes de diferentes profissões mostram que as dificuldades não estão restritas ao comércio informal. “Tenho freguesas que são médicas, enfermeiras, e elas dizem que também passam por momentos difíceis no trabalho”, conta.

Por isso, ela acredita que a luta das mulheres atravessa todos os setores da sociedade. “Vai demorar muito para acabar. Em qualquer profissão a mulher enfrenta desafio.”

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, tem um significado especial para Leda. A data também marca momentos importantes na história de sua família. “É o aniversário da minha saudosa mãe e também da minha sobrinha-neta”, conta.

Para além das comemorações, ela acredita que é importante lembrar o significado histórico da data. “As pessoas falam ‘feliz Dia da Mulher’, mas muitas vezes não lembram de toda a história de luta que as mulheres passaram.”

Mesmo diante das dificuldades, Leda afirma que nunca pensou em desistir. Ao contrário, transformou os obstáculos em motivação para seguir em frente. “As mulheres não podem desistir dos sonhos delas. A gente luta, luta, luta… mas também tem vitória.”

Hoje, ao olhar para trás, ela vê a diferença entre o passado e o presente. “Antes eu trabalhava no sol, com uma bacia. Depois fui montando minha banquinha”, recorda.

Quando alguém pergunta se ficou rica com o trabalho na feira, ela responde com bom humor. “Rica eu não estou, mas já estou bem diferente de antes.”

E conclui com uma frase que resume sua filosofia de vida: “Sou igual fermento. Quanto mais bate, mais eu cresço.”

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