Quem é essa mulher? Natália Souza – motogirl, mãe e militante

Na série especial da TVT pelo Dia Internacional da Mulher, entregadora por aplicativo fala sobre os riscos da profissão, a luta por direitos e o sonho de garantir um futuro melhor para as filhas
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“A maior importância hoje, nesse 8 de março, é referente ao feminicídio que vem acontecendo”, denuncia. Foto: Reprodução

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a TVT apresenta a série especial “Quem é essa mulher?”, reunindo relatos de brasileiras com diferentes trajetórias, profissões e vivências. A proposta é dar visibilidade à diversidade do universo feminino e feminista, mostrando histórias reais de quem enfrenta desafios cotidianos e constrói caminhos de resistência. Leia em TVT News.

Entre essas histórias está a de Natália Souza, de 37 anos. Mãe de duas filhas — e de uma “filha cachorra”, como ela mesma brinca — Natália hoje trabalha como entregadora por aplicativo, ou motogirl. Mas sua trajetória profissional começou em outra área. “Na verdade eu sou cozinheira”, conta. O trabalho nas ruas surgiu inicialmente como uma forma de complementar renda.

“Eu comecei igual a grande maioria dos motocas começa. Você faz um biquinho de moto para compor renda e, quando vai ver, já está na rua por inteiro”, relata. A história de Natália reflete a realidade de milhares de trabalhadores que passaram a depender das plataformas digitais para garantir sustento, em um modelo de trabalho que cresce rapidamente nas grandes cidades.

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Apesar da autonomia aparente, a rotina nas ruas é marcada por riscos constantes. Para Natália, cada jornada de trabalho envolve enfrentar perigos que muitas vezes passam despercebidos por quem recebe o pedido em casa. “A rua é muito perigosa. O trânsito é muito perigoso. Trabalhar na chuva também é muito perigoso”, explica.

Além das condições climáticas e do trânsito intenso, a violência urbana também faz parte da rotina. “Rola muito assalto também, até com entregador mesmo”, afirma. Por isso, ela descreve a atividade como uma profissão de alto risco. “Desde o momento que você sai de dentro de casa até a hora de voltar, você está correndo risco em tempo integral.”

Mesmo diante das dificuldades, Natália transformou a experiência nas ruas em espaço de mobilização coletiva. Ela participa de debates e iniciativas que defendem melhores condições de trabalho para entregadores por aplicativo, categoria que ainda enfrenta lacunas de regulamentação e proteção social.

Uma das pautas que mobilizam Natália está ligada ao debate legislativo sobre direitos dos trabalhadores de aplicativos, como o projeto conhecido como PL 152. Segundo ela, uma das discussões envolve restrições que impedem pessoas que já cumpriram pena de se cadastrarem nas plataformas.

“Essa é uma das lutas: inserir pessoas que já cumpriram suas penas e precisam trabalhar”, afirma. Para Natália, a reinserção no mercado de trabalho é parte fundamental da construção de uma sociedade mais justa. “Todo mundo precisa de oportunidade para recomeçar.”

No contexto do mês das mulheres, ela também chama atenção para outro tema urgente: o combate à violência de gênero. Para Natália, o significado do Dia Internacional da Mulher está diretamente ligado à conscientização sobre um problema que segue alarmante no país.

“A maior importância hoje, nesse 8 de março, é referente ao feminicídio que vem acontecendo”, diz. Segundo ela, ampliar o debate público sobre o tema é essencial para enfrentar a violência contra mulheres. “Essa conscientização é muito importante, porque é algo que a gente tem vivido muito.”

A história de Natália também é marcada por sonhos simples, mas profundamente significativos. Mãe solo, ela trabalha diariamente pensando no futuro das filhas e na possibilidade de construir mais estabilidade para a família.

“A Natália é uma mãe separada que sonha em ter meu espaço com as minhas filhas”, afirma. Entre os objetivos estão garantir segurança, estabilidade e melhores oportunidades para as crianças. “Um futuro de vida melhor para minhas filhas, para mim também e para minha mãe.”

Ao dar voz a mulheres como Natália Souza, a série “Quem é essa mulher?” revela que por trás de cada profissão e de cada luta existe uma trajetória singular, marcada por coragem, trabalho e esperança. Histórias que mostram a força de mulheres que, todos os dias, enfrentam desafios nas ruas, nas casas, nos locais de trabalho e nos movimentos sociais.

Acompanhe, curta e compartilhe todos os episódios da série especial da TVT. Afinal, conhecer essas trajetórias é também reconhecer a pluralidade e a potência das mulheres que ajudam a transformar a sociedade.

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