Vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional já é, por si só, um marco para o cinema de qualquer país. Repetir o feito no ano seguinte, no entanto, é uma façanha reservada a pouquíssimos países ao longo de mais de sete décadas de história da premiação. Desde a criação da categoria, apenas cinco nações conseguiram conquistar o prêmio em anos consecutivos: um grupo seleto dominado majoritariamente pelo cinema europeu. Será que o Brasil vem aí? Veja, na TVT News, quais foram os países que venceram duas vezes seguidas no Oscar.
Criada oficialmente em 1956, a categoria, que era chamada de Melhor Filme Estrangeiro até 2020, premia produções fora dos Estados Unidos com diálogos predominantemente em língua não inglesa. Antes disso, entre 1947 e 1955, a Academia concedia estatuetas honorárias de forma não competitiva. Mesmo considerando esse período inicial, a chamada “dobradinha” permanece um evento raro.
Europa no topo, Japão como exceção histórica
Itália: 1956/1957, 1963/1964 e 1970/1971
A Itália é o país que mais vezes conseguiu vitórias consecutivas: foram três ocasiões distintas. A primeira veio logo no início da era competitiva, com A Estrada da Vida (1956) e Noites de Cabíria (1957), ambos de Federico Fellini. O país repetiu o feito em 1963/64, com Oito e Meio e Ontem, Hoje e Amanhã; e novamente em 1970/71, com Investigação sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita e O Jardim dos Finzi-Contini, se tornando a nação mais premiada da história da categoria.
França: 1958/1959, 1972/1973 e 1977/1978
A França também alcançou o bicampeonato em três momentos diferentes: no fim dos anos 1950, no início da década de 1970 e no final dos anos 1970. Em 1958 e 1959, Meu Tio e Orfeu Negro (uma co-produção com o Brasil, inclusive) foram premiados. Depois, O Discreto Charme da Burguesia (1972) e A Noite Americana (1973). Madame Rosa: A Vida à Sua Frente e Preparem Seus Lenços foram premiados na categoria em 1977 e 1978.
Suécia (1960/1961) e Dinamarca (1987/1988)
Completam a lista a Suécia, vencedora em 1960 e 1961 com dois filmes de Ingmar Bergman (A Fonte da Donzela e Através de um Espelho) e a Dinamarca, última a alcançar a dobradinha, em 1987 e 1988, com A Festa de Babette e Pelle, o Conquistador.
Japão
Fora da Europa, o Japão foi pioneiro. O país conquistou vitórias consecutivas em 1954 e 1955, ainda no período honorário, com Portal do Inferno e Samurai: O Guerreiro Dominante. Até hoje, segue como o único país não europeu a repetir o feito.
Um feito cada vez mais difícil
O caráter excepcional dessas vitórias consecutivas reflete não apenas o rigor das regras da categoria, que limitam cada país a um único filme por ano, mas também a crescente diversidade do cinema mundial. Historicamente dominado pela Europa, o Oscar de Filme Internacional passou, nas últimas décadas, a reconhecer com mais frequência produções da Ásia, da África e das Américas.
Ainda assim, repetir o prêmio exige uma combinação rara de prestígio internacional, força artística e estratégia de campanha, fatores que ajudam a explicar porque a última dobradinha ocorreu há quase 40 anos.
Brasil na disputa por um lugar histórico
Após vencer o Oscar 2025 com Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, o Brasil tenta manter o troféu em casa com O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, selecionado para representar nesta edição de 2026.
Caso confirme uma nova vitória, o Brasil se tornará o segundo país não europeu da história a conquistar o Oscar de Melhor Filme Internacional em anos consecutivos, um feito que colocaria o cinema nacional em um patamar até hoje reservado a poucas potências cinematográficas.

