Samba do Cruz pode acabar após decisão de despejo em SP

Justiça autorizou o despejo e o Samba do Cruz, tradicional na zona norte, corre risco com projeto de parque da prefeitura
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Samba do Cruz, na comunidade Cruz da Esperança, Zona Norte de São Paulo. Foto: Divulgação/ Nego Júnior

O tradicional Samba do Cruz, realizado na zona norte de São Paulo, corre o risco de acabar. Isso porque o espaço, que abriga tanto a roda de samba quanto a sede do Grêmio Esportivo Recreativo Cruz da Esperança (GRE), time fundado em 1958 e um dos mais tradicionais da cidade, recebeu uma ordem de reintegração de posse para dar lugar ao futuro Parque Campo de Marte. Mais informações em TVT News.

A Justiça de São Paulo autorizou a ação nesta quinta-feira (26). O juiz Bruno Santos Montenegro, da 9ª Vara da Fazenda Pública, deu decisão favorável à Prefeitura de São Paulo, sob a gestão de Ricardo Nunes, sob o argumento de que o clube não tem direito ao terreno, que teria sido ocupado de forma irregular. Segundo o magistrado, “a ocupação é precária e não gera posse legítima”.

A área, próxima ao Campo de Marte, no bairro da Casa Verde, possui 385.883 m². De acordo com a prefeitura, o local abriga mata ciliar ao longo dos córregos Tenente Rocha e Baruel, o que justificaria a criação do parque para preservar a biodiversidade.

Segundo apuração do portal Alma Preta, a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente firmou acordo com a concessionária Campo de Marte SPE S/A para a gestão do parque, no valor de R$ 614,4 mil.

O terreno já pertenceu à União, mas, após disputa judicial, passou à posse da prefeitura, que desde então tenta retirar o GRE do local.

Samba do Cruz teve suas atividades limitadas pela prefeitura

A pressão se intensificou com exigências do poder público para limitar as atividades do clube. Aos finais de semana, o espaço recebe eventos de samba, campeonatos e partidas de futebol de várzea. No entanto, ao ajustar o planejamento da concessão, a prefeitura restringiu o uso dos campos de futebol a horários específicos e transferiu a administração do espaço à empresa responsável.

A limitação de horários impactou diretamente o Samba do Cruz, realizado aos fins de semana, no período noturno.

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Apoiadores iniciaram campanha nas redes para defender a permanência do Samba do Cruz. Foto: Reprodução/ Instagram

O evento, que existe desde 2011, tornou-se um símbolo da história cultural da região, já chamada de “Pequena África” — referência à expressão cunhada pelo compositor, cantor e pintor Heitor dos Prazeres para designar a antiga zona portuária do Rio de Janeiro, marcada pela presença da população negra ao longo de décadas. Com a roda de samba, cerca de 15 mil a 20 mil pessoas passam pelo local a cada fim de semana.

O cerceamento do uso do espaço pela gestão Ricardo Nunes integra um processo gradual de retirada de atividades esportivas e culturais do local. Segundo a prefeitura, o clube foi comunicado previamente sobre a desocupação, mas teria se recusado a receber as notificações e a negociar uma saída amigável.

A defesa do clube, por sua vez, afirma que a associação não foi ouvida e que já recorreu da decisão.

Diante da falta de diálogo, o clube lançou um abaixo-assinado em defesa do Samba do Cruz. A petição “Salve o Cruz da Esperança” já reúne mais de 20 mil assinaturas e conta com o apoio de entidades culturais, frequentadores, artistas e apoiadores, que têm divulgado a iniciativa nas redes sociais. O documento deve ser finalizado e entregue ao poder público nos próximos dias.

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A atriz Alessandra Negrini também se posicionou em defesa do Samba do Cruz. Foto: Reprodução/ Instagram

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