Itamaraty publicou nota oficial reagindo ao tarifaço global anunciado por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (EUA). No texto, o governo brasileiro lamenta a medida e afirma considerar que os EUA já lucram com o comércio de exportação para o Brasil. Saiba mais na TVT News.
Itamaraty disse que medida de Trump é sem sentido
O Ministério das Relações Exteriores (MRE), conhecido como Itamaraty, publicou uma nota oficial que além de repudiar apresenta dados sobre qual o cenário da parceria comercial entra o Brasil e os EUA nos últimos anos.
A instituição alega que taxar o Brasil em 10% de todos os seus produtos exportados para os EUA é uma medida que não reflete a “reciprocidade comercial”, uma vez que o país norte-americano lucrou US$ 410 bilhões nos últimos 15 anos.
A nota também esclarece a posição do governo brasileiro diante das taxações: o Brasil está aberto a diálogo para chegar em uma via de bem comum [“reverter as medidas anunciadas”], porém, enquanto a taxa de 10% vigorar, o Itamaraty junto a outras instâncias do governo irão buscar formas de assegurar os interesses do comércio nacional.
Veja a nota completa do Itamaraty
“O governo brasileiro lamenta a decisão tomada pelo governo norte-americano no dia de hoje, 2 de abril, de impor tarifas adicionais no valor de 10% a todas as exportações brasileiras para aquele país. A nova medida, como as demais tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis, viola os compromissos dos EUA perante a Organização Mundial do Comércio e impactará todas as exportações brasileiras de bens para os EUA.
Segundo dados do governo norte-americano, o superávit comercial dos EUA com o Brasil em 2024 foi da ordem de US$ 7 bilhões, somente em bens. Somados bens e serviços, o superávit chegou a US$ 28,6 bilhões no ano passado. Trata-se do terceiro maior superávit comercial daquele país em todo o mundo.
Uma vez que os EUA registram recorrentes e expressivos superávits comerciais em bens e serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos, totalizando US$ 410 bilhões, a imposição unilateral de tarifa linear adicional de 10% ao Brasil com a alegação da necessidade de se restabelecer o equilíbrio e a “reciprocidade comercial” não reflete a realidade.
Em defesa dos trabalhadores e das empresas brasileiros, à luz do impacto efetivo das medidas sobre as exportações brasileiras e em linha com seu tradicional apoio ao sistema multilateral de comércio, o governo do Brasil buscará, em consulta com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo em que se mantém aberto ao aprofundamento do diálogo estabelecido ao longo das últimas semanas com o governo norte-americano para reverter as medidas anunciadas e contrarrestar seus efeitos nocivos o quanto antes, o governo brasileiro avalia todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral, inclusive recurso à Organização Mundial do Comércio, em defesa dos legítimos interesses nacionais.
Nesse sentido, o governo brasileiro destaca a aprovação pelo Senado Federal do Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, já em apreciação pela Câmara dos Deputados.”
Entenda a taxação de Trump
O anuncio de Trump aconteceu na noite de quarta-feira (2). De acordo com os documentos publicados pela Casa Branca, o Brasil será taxado em 10% sobre todas as importações provenientes do Brasil. A medida faz parte de um pacote de guerra tarifária aplicado a diversas nações que cobram taxas sobre produtos norte-americanos.
Durante coletiva de imprensa, Trump explicou que as novas tarifas serão calculadas com base na alíquota imposta por cada país sobre produtos dos EUA. Segundo contas apresentadas por ele, os Estados Unidos aplicarão aproximadamente metade das tarifas que esses países cobram.
“A partir de amanhã, os Estados Unidos implementarão tarifas recíprocas em outras nações. Vamos calcular a taxa combinada de todas as suas tarifas, barreiras não monetárias e outras formas de trapaça, e vamos cobrar deles aproximadamente metade do que eles têm nos cobrado”, afirmou o presidente Trump.
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Com texto de Gabriel Valery