O temporal que atingiu a Zona da Mata de Minas Gerais entre ontem, segunda (23) e esta terça-feira (24) deixou pelo menos 22 mortos e dezenas de desaparecidos na região. As cidades de Juiz de Fora e Ubá foram as mais afetadas pelo volume das chuvas, que causou enchentes e deslizamentos. Saiba os detalhes na TVT News.
Chuva em Juiz de Fora ultrapassou dobro do esperado para fevereiro
Em Juiz de Fora, o mês de fevereiro já é o mais chuvoso da história da cidade, com um acumulado de 589 mm, mais de 270% da média esperada para o período. Somente em pontos isolados, como o bairro Nossa Senhora de Lourdes, foram registrados 186,1 mm em poucas horas.
A cidade confirmou 16 mortes e, até a última atualização, ao menos 45 pessoas permanecem desaparecidas, incluindo crianças. As ocorrências se concentram em bairros como JK e Santa Rita, com quatro óbitos cada, além de Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa.
No bairro Parque Burnier, um deslizamento de encosta soterrou 12 casas, deixando quatro mortos e 17 desaparecidos. Já no Paineiras, a queda de um barranco atingiu um prédio residencial e outras casas, com moradores presos sob os escombros. Ao todo, a Defesa Civil contabiliza mais de 250 ocorrências e pelo menos 20 soterramentos.
O transbordamento do Rio Paraibuna agravou o cenário, inundando áreas centrais e bloqueando o túnel Mergulhão e diversas pontes. A prefeitura decretou estado de calamidade pública por 180 dias, suspendeu as aulas na rede municipal e mobilizou escolas para abrigar cerca de 440 desabrigados.
Em publicação nas redes sociais, a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, classificou a situação como extrema e destacou que o decreto permite acelerar o recebimento de recursos e a atuação de voluntários.
Ubá enfrenta maior inundação dos últimos anos
Em Ubá, a chuva de 170 mm em apenas três horas e meia resultou na maior inundação recente da cidade. O Ribeirão Ubá atingiu 7,82 metros e invadiu ruas, residências e prédios públicos. Seis mortes foram confirmadas e duas pessoas seguem desaparecidas. Uma das vítimas morreu eletrocutada após ser atingida por um fio energizado em meio à água da enchente.
Pelo menos quatro imóveis desabaram e três pontes importantes — Major Siqueira, Rua dos Viajantes e Rua Nossa Senhora Aparecida — foram destruídas ou severamente danificadas. Unidades como a Farmácia Municipal, a Policlínica Regional e o Centro de Especialidades Odontológicas tiveram atendimento suspenso após serem inundadas.
O prefeito José Damato afirmou que a cidade está “arrasada” e vive uma das maiores enchentes de sua história. Uma campanha de arrecadação de alimentos, água e produtos de higiene foi iniciada na Secretaria de Desenvolvimento Social de Ubá para atender as famílias atingidas.
Resposta estadual e federal
Além de Juiz de Fora e Ubá, o município de Matias Barbosa também decretou estado de calamidade pública devido às enchentes que isolaram regiões da cidade.
O governo de Minas Gerais decretou luto oficial de três dias e anunciou o envio de reforço operacional, com mais de 150 militares, além de equipes especializadas com cães farejadores e equipamentos para atuação em desastres. O Governo Federal também informou que mobilizou a Defesa Civil Nacional para prestar apoio humanitário.
As operações de resgate utilizam retroescavadeiras, botes e motos aquáticas, com pedidos de apoio inclusive à população que possua embarcações.
Risco continua elevado
Apesar da trégua momentânea em alguns pontos, o solo permanece completamente saturado, mantendo risco alto de novos deslizamentos, mesmo sem chuva intensa imediata. Alertas meteorológicos foram renovados até sexta-feira (27), com previsão de ventos entre 60 e 100 km/h e possibilidade de até 100 mm de chuva por dia.
A Defesa Civil orienta que moradores deixem imediatamente imóveis que apresentem rachaduras, inclinação de postes ou árvores e qualquer sinal de instabilidade. As autoridades também recomendam evitar deslocamentos desnecessários enquanto as buscas por desaparecidos continuam.

