Trump amplia ataques contra a América Latina e ameaça Colômbia e México após sequestro de Maduro

Trump apontou para ações ilegais na Colômbia e no México após intervenção ilegal na Venezuela. Governo colombiano responde com força
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Esta combinação de imagens, criada em 4 de janeiro de 2026, mostra o presidente dos EUA, Donald Trump, observando o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, discursando durante a Cúpula do G7 no Pomeroy Kananaskis Mountain Lodge, em Kananaskis, Alberta, Canadá, em 16 de junho de 2025, e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, gesticulando durante uma cerimônia de condecoração dos membros da equipe de quase 200 socorristas que participaram da bem-sucedida busca por quatro crianças indígenas desaparecidas na Amazônia colombiana, no Palácio Presidencial Nariño, em Bogotá, em 26 de junho de 2023. Em 4 de janeiro de 2026, o presidente colombiano Gustavo Petro rejeitou as ameaças e acusações feitas contra ele por seu homólogo americano, Donald Trump, que afirma, sem provas, que Petro é um narcotraficante. (Foto de Brendan Smialowski e Juan Barreto / AFP)

Dias após autorizar uma operação militar ilegal na Venezuela que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a ameaçar abertamente Colômbia e México. Entenda na TVT News.

As declarações, feitas a bordo do Air Force One e em entrevistas a veículos norte-americanos, reforçam uma escalada unilateral que ignora o direito local, acordos internacionais, o sistema multilateral e o papel do Conselho de Segurança da ONU.

Trump classificou a Colômbia como um país “muito doente” e atacou pessoalmente o presidente Gustavo Petro, a quem chamou de “um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos”. Questionado se isso poderia significar uma nova operação militar norte-americana, respondeu: “Soa bem para mim”.

Trump e o desprezo ao multilateralismo

A ofensiva contra a Venezuela ocorreu na madrugada do último sábado (3), em Caracas, sem qualquer autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas ou comprovação pública de ameaça iminente aos Estados Unidos. A ação resultou na prisão ilegal de Maduro, acusado por Washington de envolvimento com o narcotráfico, apesar da ausência de provas ou decisões internacionais que respaldem a operação.

No domingo, Trump afirmou que os Estados Unidos estão “no comando” da Venezuela após a captura do presidente. “Estamos lidando com as pessoas que acabaram de tomar posse. Não me perguntem quem está no comando, porque eu daria uma resposta e isso seria muito controverso”, disse. Pressionado, foi direto: “Isso significa que nós estamos no comando”.

Após a retirada de Maduro, o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela nomeou a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina por 90 dias, decisão que foi reconhecida pelas Forças Armadas do país. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, endossou publicamente a medida, afirmando que o objetivo é garantir a “continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”.

“Quarentena do petróleo”

Enquanto Trump adota um discurso de força, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que os EUA não pretendem administrar diretamente o país, limitando-se a manter uma “quarentena do petróleo” como instrumento de pressão. Segundo Rubio, a medida busca forçar mudanças na gestão da indústria petrolífera e interromper o tráfico de drogas. O fato é que está explícito que o interesse norte-americano é exclusivamente o de se apropriar ilegalmente, como piratas internacionais, das riquezas minerais venezuelanas e latino-americanas.

Trump já reconheceu publicamente que o interesse estratégico dos Estados Unidos na Venezuela está ligado ao petróleo, um dos maiores ativos do país sul-americano.

Ameaças à Colômbia e reação de Petro

As declarações contra a Colômbia provocaram reação imediata de Gustavo Petro, que classificou a fala de Trump como uma “ameaça ilegítima”. Em publicação nas redes sociais, o presidente colombiano respondeu: “Pare de me caluniar, senhor Trump. Não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que emergiu da luta armada e, posteriormente, da luta do povo colombiano pela paz”.

Petro negou qualquer vínculo com o narcotráfico e destacou sua trajetória política e sua atuação no combate às drogas. “Não lê a história da Colômbia; por isso, erra quando nos critica”, afirmou. Em nota extensa, o presidente detalhou ações de seu governo, incluindo a maior apreensão de cocaína da história, programas de substituição voluntária de cultivos e operações contra grupos armados ligados ao narcotráfico, sempre, segundo ele, em observância ao direito internacional humanitário.

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O presidente colombiano Gustavo Petro, em 1º de novembro de 2022, e o presidente dos EUA Donald Trump gesticulam durante uma reunião bilateral com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, à margem da 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em Kuala Lumpur, em 26 de outubro de 2025. (Foto de Federico Parra e Andrew Caballero-Reynolds / AFP)

O presidente colombiano também criticou diretamente Marco Rubio, acusando-o de desconhecer a Constituição da Colômbia e de se basear em informações falsas fornecidas por setores interessados em romper as relações bilaterais. “O presidente da Colômbia é o comandante supremo das Forças Armadas e da Polícia Nacional por determinação constitucional”, ressaltou.

México na mira

Trump também voltou suas críticas ao México e à presidente Claudia Sheinbaum. Em entrevista à Fox News, afirmou que “os cartéis mandam no México” e que a chefe de Estado “não manda no país”. Embora tenha dito que a operação na Venezuela não teve a intenção direta de enviar um recado ao México, concluiu: “Algo terá de ser feito”.

Segundo Trump, Sheinbaum teria rejeitado propostas de atuação direta dos Estados Unidos contra os cartéis. “Perguntei inúmeras vezes se ela gostaria que retirássemos os cartéis, e ela me disse que não”, afirmou, antes de reforçar a possibilidade de medidas futuras.

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A presidente do México, Claudia Sheinbaum, discursa durante sua coletiva de imprensa matinal diária após os ataques dos EUA à Venezuela, no Palácio Nacional, na Cidade do México, em 5 de janeiro de 2026. (Foto de Alfredo ESTRELLA / AFP)

Doutrina Monroe

Em pronunciamentos feitos em Nova York e Washington, Trump enquadrou a ofensiva regional como parte de uma retomada da Doutrina Monroe, princípio histórico de afirmação da influência norte-americana no hemisfério ocidental. O presidente chegou a afirmar que a doutrina estaria sendo rebatizada em sua homenagem como “Doutrina Donroe”.

No mesmo contexto, fez comentários sobre Cuba, afirmando que o país “está prestes a ser nocauteado” e que uma intervenção militar talvez nem seja necessária. Marco Rubio reforçou o discurso, classificando Cuba como “um desastre” e sugerindo que a ação na Venezuela serve de aviso a outros governos da região.

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Esta imagem, publicada na conta Truth Social do presidente dos EUA, Donald Trump, em 3 de janeiro de 2026, mostra o que o presidente Trump afirma ser o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a bordo do USS Iwo Jima, após sua captura pelas forças armadas americanas em 3 de janeiro de 2026. O presidente Donald Trump disse no sábado que as forças americanas capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro após lançarem um “ataque em grande escala” contra o país sul-americano. “Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país, juntamente com sua esposa”, disse Trump na Truth Social. (Foto: APROVADA / Conta TRUTH Social do presidente dos EUA, Donald Trump / AFP)

Escalada sem provas

As ameaças a Colômbia e México ocorrem sem a apresentação de provas que sustentem acusações de envolvimento direto de seus governos com o narcotráfico. Ambos os países possuem presidentes eleitos democraticamente e instituições reconhecidas internacionalmente.

A sucessão de declarações e ações de Trump indica uma guinada aberta ao unilateralismo, com desprezo por convenções internacionais de direitos humanos e pelo direito internacional público.

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