Trump ameaça jornalistas: “vamos encontrar quem vazou”

Presidente dos EUA reage a vazamento sobre operação militar no Irã, ameaça prender jornalistas e exige revelação de fontes, enquanto intensifica discurso de guerra contra Teerã
"Pessoas vão presas por vazarem essa informação", ameaçou. Foto: Reprodução/Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra a imprensa nesta segunda-feira (6) ao ameaçar jornalistas durante uma coletiva na Casa Branca sobre a operação de resgate de militares americanos abatidos no Irã. Em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, o republicano também voltou a fazer declarações agressivas contra Teerã, afirmando que o país poderia ser “destruído” em uma única noite. Leia em TVT News.

A maior parte da coletiva foi dedicada ao detalhamento da missão de resgate dos dois tripulantes de um caça F-15E derrubado em território iraniano. Segundo Trump, a operação mobilizou 155 aeronaves, incluindo bombardeiros, caças, aviões-tanque e unidades especializadas de busca, além de estratégias para despistar forças iranianas sobre a localização de um dos militares.

O presidente classificou a ação como uma das mais complexas já realizadas pelas Forças Armadas dos EUA. “Estamos aqui hoje para celebrar o sucesso de uma das maiores, mais complexas e mais angustiantes buscas em combate, ou melhor, uma missão de busca e resgate, já tentada pelos militares”, afirmou.

Apesar de destacar o êxito da operação, Trump direcionou duras críticas à imprensa ao abordar o vazamento de informações sobre o resgate ainda em andamento. Segundo ele, a divulgação antecipada de que um dos tripulantes havia sido localizado comprometeu a segurança da missão e colocou vidas em risco.

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“Houve um vazamento e nós vamos encontrar quem vazou essa informação (…) Isso é uma questão de segurança nacional, as pessoas vão presas por vazarem essa informação. Vocês sabem de quem estou falando. Tem coisas que não é possível fazer. Porque ao fazer isso, todo o Irã, todos os iranianos souberam que havia um piloto ali na terra deles, que estava lutando por sua vida, e tornou mais difícil também para os pilotos e para as pessoas fazerem a busca”, afirmou.

A declaração foi interpretada como uma ameaça direta à liberdade de imprensa, ao sugerir a criminalização de jornalistas que publiquem informações consideradas sensíveis pelo governo, além da tentativa de obrigar a revelação de fontes — prática protegida por legislações e princípios democráticos nos Estados Unidos.

Escalada militar e novas ameaças ao Irã

Durante a coletiva, Trump também voltou a intensificar o discurso contra o Irã, em meio ao impasse sobre um possível acordo para encerrar o conflito. O presidente afirmou que o país poderia ser derrotado rapidamente pelas forças americanas.

“O país todo poderia cair, poderia ser tomado em uma noite. E essa noite pode ser amanhã à noite”, disse.

A fala ocorre após uma série de ultimatos feitos por Washington para que Teerã aceite شروط relacionadas ao Estreito de Ormuz e a restrições ao seu programa nuclear. No fim de semana, Trump chegou a estipular prazos para que o Irã “abra o estreito”, sob ameaça de novos ataques.

Apesar de reconhecer que uma proposta iraniana de paz representa “um passo significativo”, o presidente afirmou que ela “ainda não é o bastante” para encerrar as hostilidades. Segundo autoridades iranianas, a contraproposta apresentada rejeita um cessar-fogo temporário e exige o fim definitivo do conflito, além da retirada de sanções econômicas.

Mais cedo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou as exigências americanas como “inaceitáveis”, afirmando que negociações sob ameaça seriam incompatíveis com o direito internacional.

Operação arriscada e tensão crescente

Trump também reconheceu os riscos da missão de resgate, afirmando que a operação poderia ter resultado em um número elevado de vítimas. “Uma decisão arriscada, porque poderíamos ter acabado com 100 mortos, em vez de um ou dois”, disse.

De acordo com o relato oficial, os dois tripulantes se ejetaram antes da queda da aeronave. Um deles foi resgatado poucas horas depois, enquanto o segundo permaneceu escondido em uma região montanhosa, chegando a se abrigar em uma fenda até ser localizado pelas forças americanas.

O diretor da CIA, John Ratcliffe, que participou da coletiva, comparou a operação a “procurar um único grão de areia no meio do deserto”, destacando a urgência da missão e a necessidade de manter o inimigo desorientado.

As declarações de Trump reforçam o clima de tensão internacional e evidenciam uma postura cada vez mais agressiva tanto no campo militar quanto no relacionamento com a imprensa. Ao ameaçar jornalistas com prisão e pressionar veículos a revelarem fontes, o presidente amplia o confronto com os meios de comunicação em um momento de crise geopolítica sensível.

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