Trump anuncia que EUA governarão Venezuela após derrubar Maduro

Donald Trump disse que incentivará as petroleiras americanas a retornarem à Venezuela
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O presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado (da esquerda para a direita) do vice-chefe de gabinete Stephen Miller, do secretário de Estado Marco Rubio e do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, fala à imprensa após as ações militares dos EUA na Venezuela, em sua residência Mar-a-Lago, em Palm Beach, Flórida, em 3 de janeiro de 2026. O presidente Trump disse no sábado que as forças americanas capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro após lançarem um "ataque em grande escala" contra o país sul-americano. (Foto de Jim Watson/AFP)

O presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos “governarão” a Venezuela até que haja uma “transição pacífica”, após a derrubada e a captura do mandatário Nicolás Maduro por forças americanas neste sábado (3), em meio a intensos bombardeios militares. Leia em TVT News, com informações da AFP.

Trump disse que quer governar a Venezuela com as empresas de petróleo dos EUA

Palm Beach, Estados Unidos, 3 de janeiro de 2026 – 18:25

Trump publicou uma foto de Maduro algemado e com os olhos cobertos por óculos escuros, no navio militar americano USS Iwo Jima.

Ele assegurou que Maduro está sendo transferido para Nova York junto com a esposa, Cilia Flores, onde ambos responderão à Justiça por acusações de narcotráfico e terrorismo.

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Esta imagem, publicada na conta Truth Social do presidente dos EUA, Donald Trump, em 3 de janeiro de 2026, mostra o que o presidente Trump afirma ser o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a bordo do USS Iwo Jima, após sua captura pelas forças armadas americanas em 3 de janeiro de 2026. O presidente Donald Trump disse no sábado que as forças americanas capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro após lançarem um “ataque em grande escala” contra o país sul-americano. “Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país, juntamente com sua esposa”, disse Trump na Truth Social. (Foto: APROVADA / Conta TRUTH Social do presidente dos EUA, Donald Trump / AFP)

O mandatário americano ordenou ataques aéreos na madrugada em Caracas e em outros pontos da Venezuela, que duraram mais de uma hora e que ele disse ter acompanhado como um “programa de televisão”. Mais tarde, neste sábado, revelou seus planos para o país com as maiores reservas de petróleo do mundo.

“Vamos governar o país até que possamos realizar uma transição pacífica, adequada e criteriosa”, disse Trump em coletiva de imprensa. Ele indicou que o processo será liderado pelos chefes da diplomacia e do Pentágono “em colaboração” com a oposição venezuelana.

Também anunciou que incentivará as petroleiras americanas a retornarem à Venezuela e a “investirem bilhões de dólares, repararem a infraestrutura gravemente deteriorada (…) e começarem a gerar dinheiro para o país”.

Além disso, advertiu que, se for necessário, as forças americanas estão prontas para executar um novo ataque, “muito maior”, e impedir que o círculo próximo de Maduro continue no poder.

Mas a vice-presidente Delcy Rodríguez afirmou que o governo está pronto “para defender a Venezuela” e sublinhou que Maduro é o “único presidente” do país, pelo que exigiu sua “libertação imediata” e a de sua esposa.

Horas antes, Trump assegurou que a vice-presidente disse ao chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, que está “disposta” a cooperar com Washington.

“Estamos dispostos a relações de respeito”, afirmou Rodríguez. O governo anunciou um “desdobramento massivo” de todas as capacidades militares do país, sob a égide de um “estado de comoção”.

“Programa de televisão”

Trump contou à emissora Fox que acompanhou a operação “como se estivesse vendo um programa de televisão”, horas depois de anunciar a violenta detenção de Maduro e Flores, que, segundo Washington, não ofereceram resistência.

Nenhum americano perdeu a vida, acrescentou Trump, ao revelar que Maduro estava em uma fortaleza.

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Esta imagem, publicada na conta Truth Social do presidente dos EUA, Donald Trump, em 3 de janeiro de 2026, mostra, da esquerda para a direita, o diretor da CIA, John Ratcliffe, e o presidente Donald Trump em Mar-a-Lago, em Palm Beach, Flórida, assistindo a uma transmissão remota da missão militar dos EUA para capturar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em 3 de janeiro de 2026. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no sábado que os Estados Unidos “governarão” a Venezuela e explorarão suas enormes reservas de petróleo após capturar o líder de esquerda Nicolás Maduro durante um bombardeio em Caracas. O anúncio de Trump ocorreu horas depois de um ataque relâmpago no qual forças especiais prenderam Maduro e sua esposa, enquanto ataques aéreos atingiram vários locais, chocando a capital. (Foto: DIVULGAÇÃO / Conta Truth Social do presidente dos EUA, Donald Trump / AFP)

O ataque exigiu “meses de planejamento e ensaios” e foram utilizadas cerca de 150 aeronaves, precisou o chefe do Estado-Maior, general Dan Caine.

Sem apresentar provas, o governo venezuelano denunciou que os bombardeios atingiram civis.

“Chegou a hora da liberdade”, proclamou, por sua vez, a líder da oposição e Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado. No entanto, Trump a afastou do processo iniciado neste sábado.

“Seria muito difícil para ela estar à frente do país. Ela não conta com apoio nem respeito dentro do seu país”, afirmou Trump, a quem Machado dedicou o Nobel.

Anteriormente, Machado considerou que Edmundo González, que assegura que Maduro lhe roubou a presidência nas eleições de 28 de julho de 2024, “deve assumir imediatamente” o poder.

“Estamos prontos” para a “reconstrução do país”, afirmou González, refugiado na Espanha.

Cheiro de pólvora

Explosões e sobrevoos sacudiram Caracas por volta das 02h00 locais (03h00 de Brasília), no ápice de quatro meses de pressão militar contra Maduro, de 63 anos.

Os ataques foram direcionados contra Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, e uma base aérea, entre outros locais, segundo jornalistas da AFP.

Trump considerava ilegítimo o mandatário, que chegou ao poder em 2013 após a morte do presidente Hugo Chávez e enfrentava acusações de fraude.

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O incêndio em Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, é visto à distância após uma série de explosões em Caracas, em 3 de janeiro de 2026. Os militares dos Estados Unidos foram responsáveis ​​por uma série de ataques contra a capital venezuelana, Caracas, no sábado, segundo relatos da mídia americana. Há relato de aeronaves sobrevoando a cidade. Os veículos de imprensa americanos CBS News e Fox News noticiaram declarações de autoridades anônimas do governo Trump confirmando o envolvimento das forças americanas. Mais tarde, Trump admitiu o ataque (Foto: AFP)

Em 2020, Maduro foi formalmente acusado de narcotráfico pelos Estados Unidos, que ofereciam por ele uma recompensa de 50 milhões de dólares (R$ 272 milhões).

Washington também atacou nos estados vizinhos de La Guaira, onde fica o aeroporto de Caracas, Miranda e Aragua.

Caracas amanheceu deserta e com cheiro de pólvora em vários setores. Para evitar saques, os comerciantes vendiam por meio das grades.

Agentes policiais encapuzados e fortemente armados percorriam a cidade e vigiavam prédios públicos, enquanto cerca de 500 pessoas manifestaram apoio a Maduro em frente ao palácio de Miraflores.

“Chegou o dia e chorei”

Alguns moradores se aproximaram de suas varandas e terraços para ver e gravar os bombardeios. Outros se esconderam em locais seguros.

As explosões “me levantaram da cama”, contou à AFP María Eugenia Escobar, moradora de 58 anos de La Guaira. “Na hora pensei: ‘Deus, chegou o dia’, e chorei”.

Países aliados, como Rússia, China, Irã e Cuba, rejeitaram os ataques, assim como os governos de esquerda do Brasil, Chile, Colômbia e México.

A Rússia exigiu dos Estados Unidos a libertação de Maduro, enquanto a China afirmou que sua captura ameaça “a paz e a segurança” regionais.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou que a operação contra Maduro estabelece um precedente perigoso ao descumprir o direito internacional.

© Agence France-Presse

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