Trump diz que Israel concorda com o cessar-fogo no Líbano

Presidente dos EUA anuncia trégua de 10 dias após conversas com líderes do dois países
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Atual ciclo de violência está diretamente relacionado ao conflito regional envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. Foto: Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (16) que Israel e o Líbano concordaram com um cessar-fogo temporário de 10 dias em meio à escalada do conflito na região. O anúncio foi feito por meio de uma publicação na rede social Truth Social, após, segundo ele, conversas diretas com o presidente libanês, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Saiba mais na TVT News.

De acordo com Trump, a trégua começaria ainda nesta quinta-feira, em horário que varia conforme a fonte — entre 17h no horário da Costa Leste dos EUA (18h em Brasília) e 16h no horário brasileiro, conforme diferentes relatos — e teria como objetivo abrir caminho para negociações mais amplas de paz. “Esses dois líderes concordaram que, para alcançar a paz entre seus países, iniciarão formalmente um cessar-fogo de 10 dias”, escreveu o presidente norte-americano.

Trump também afirmou ter mobilizado sua equipe de alto escalão para conduzir as negociações. Segundo ele, o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, foram instruídos a trabalhar diretamente com as partes envolvidas para alcançar uma “paz duradoura”. Em tom característico, o presidente ainda declarou que já teria contribuído para resolver “nove guerras ao redor do mundo” e que esta seria a décima.

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Apesar do anúncio, até o momento não houve confirmação oficial por parte dos governos de Israel ou do Líbano sobre a adesão formal ao cessar-fogo. Fontes do governo israelense indicaram que Netanyahu convocou seu gabinete de segurança para discutir a proposta, enquanto autoridades libanesas mantiveram cautela e, em alguns casos, relataram resistência a contatos diretos com o premiê israelense.

A ausência de posicionamento claro das partes levanta dúvidas sobre a efetividade imediata da trégua. Além disso, o Hezbollah — grupo xiita libanês apoiado pelo Irã e principal alvo das operações militares israelenses — já sinalizou que não se considera automaticamente vinculado a um eventual acordo firmado entre governos. Integrantes do braço político da organização afirmaram que qualquer compromisso dependeria da interrupção completa dos ataques israelenses ao território libanês.

O anúncio ocorre em meio a um cenário de forte escalada militar. A ofensiva israelense no Líbano, intensificada nas últimas semanas, já deixou mais de dois mil mortos, segundo autoridades locais, e provocou o deslocamento de cerca de um milhão de pessoas. Os bombardeios têm se concentrado especialmente em regiões ao sul de Beirute e no sul do país, áreas onde o Hezbollah mantém forte presença.

Ciclo de violência no Líbano

O atual ciclo de violência está diretamente relacionado ao conflito regional envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. A crise se agravou após ataques atribuídos a forças aliadas de Teerã e ações militares que culminaram na morte de lideranças iranianas, desencadeando uma resposta em cadeia. O Hezbollah passou a atacar território israelense em apoio ao Irã, levando Israel a expandir suas operações para dentro do Líbano.

Nos bastidores, a possibilidade de um cessar-fogo vinha sendo discutida há dias, com mediação indireta de atores internacionais. O Paquistão, por exemplo, tem se apresentado como interlocutor entre Washington e Teerã, defendendo que a estabilização do Líbano é condição essencial para um acordo mais amplo envolvendo o Irã. Autoridades iranianas, por sua vez, teriam pressionado os Estados Unidos a incluir o território libanês nas negociações, utilizando inclusive o fechamento do Estreito de Ormuz como instrumento de pressão econômica.

Na terça-feira (14), representantes de Israel e do Líbano se reuniram em Washington para discutir caminhos diplomáticos — o primeiro encontro desse tipo em mais de três décadas. Embora não tenha resultado imediato em um acordo, o diálogo abriu espaço para a continuidade das negociações. Trump indicou que pretende convidar os líderes dos dois países para uma reunião na Casa Branca, o que, se confirmado, marcaria um momento histórico nas relações entre as nações, tecnicamente ainda em estado de guerra.

Enquanto isso, o primeiro-ministro israelense reiterou que qualquer acordo deve contemplar o desmantelamento do Hezbollah. Netanyahu afirmou que esse é um dos objetivos centrais de Israel nas negociações, junto com a construção de uma “paz sustentável”, que, segundo ele, deve ser alcançada “por meio da força”.

Do lado humanitário, a situação segue crítica. Organismos internacionais alertam para o agravamento da crise de deslocamento interno no Líbano e para a destruição de infraestrutura civil. Representantes da ONU têm apelado por cessar-fogo imediato e proteção à população civil, destacando que o país enfrenta mais um ciclo de violência em meio a uma já prolongada instabilidade política e econômica.

Diante desse quadro, o anúncio de Trump, embora sinalize uma possível abertura diplomática, ainda é cercado de incertezas. A falta de confirmação oficial, as divergências entre os atores envolvidos e o papel autônomo do Hezbollah colocam em dúvida a implementação efetiva da trégua. Ainda assim, a movimentação evidencia a pressão internacional por uma solução negociada para um conflito que ameaça se expandir ainda mais na região.

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