Trump estende cessar-fogo com o Irã, mas mantém bloqueio naval

Decisão anunciada às vésperas do fim da trégua atende a apelo do Paquistão
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O presidente dos EUA, Donald Trump, gesticula enquanto discursa durante a reunião anual do Fórum Econômico Mundial (FEM) em Davos, em 21 de janeiro de 2026. O Fórum Econômico Mundial acontece em Davos de 19 a 23 de janeiro de 2026. (Foto de Fabrice COFFRINI / AFP)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (21) a extensão por tempo indeterminado do cessar-fogo com o Irã, poucas horas antes do término previsto da trégua. A decisão, segundo a Casa Branca, foi tomada após pedidos de mediadores paquistaneses, incluindo o primeiro-ministro Shehbaz Sharif, com o objetivo de evitar uma retomada imediata das hostilidades. Saiba os detalhes na TVT News.

Apesar do gesto, Washington deixou claro que o bloqueio naval aos portos iranianos será mantido, ponto que é central no conflito e que continua travando o avanço das negociações. Trump justificou a prorrogação afirmando que o governo iraniano estaria “fragmentado” e sem condições de apresentar uma proposta unificada de paz. A estratégia, segundo ele, é conceder tempo para que Teerã organize uma posição comum.

Impasse trava negociações em Islamabad

A extensão do cessar-fogo não foi suficiente para destravar o diálogo diplomático. A rodada de negociações prevista em Islamabad sofreu um revés após o cancelamento da viagem do vice-presidente JD Vance, que lideraria as conversas.

Do lado iraniano, autoridades mantêm uma posição rígida: não haverá negociação enquanto o bloqueio naval permanecer em vigor, medida classificada por Teerã como “ato de guerra”. Conselheiros próximos ao governo chegaram a descrever a extensão da trégua como um possível “estratagema” dos EUA para ganhar tempo e preparar um ataque surpresa.

Embora Trump alegue divisões internas no Irã, analistas apontam que o país segue relativamente coeso sob a liderança do aiatolá Mojtaba Khamenei e do Conselho Supremo de Segurança Nacional, que condiciona qualquer negociação à suspensão do bloqueio.

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Pressão econômica e risco energético global

Enquanto a diplomacia avança lentamente, os efeitos econômicos do conflito se intensificam. O bloqueio naval imposto pelos EUA já impacta diretamente a capacidade de exportação iraniana, especialmente na Ilha de Kharg, principal terminal petrolífero do país, que opera próximo do limite de armazenamento.

No mercado internacional, a tensão elevou os preços do petróleo, com contratos futuros nos Estados Unidos girando em torno de US$ 90 por barril. A situação é agravada pela interrupção prolongada no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do mundo.

Escalada militar e mobilização internacional

Mesmo com a trégua formalmente em vigor, o clima no campo militar permanece tenso. Autoridades iranianas afirmam que suas forças estão prontas para reagir imediatamente a qualquer ofensiva americana.

Paralelamente, países europeus buscam alternativas para conter a crise. Reino Unido e França articulam uma reunião com representantes de mais de 30 nações, em Londres, para discutir a criação de uma missão multinacional que garanta a reabertura do Estreito de Ormuz e a segurança da navegação.

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