Delcy Rodríguez é reconhecida como presidente da Venezuela

Trump afirmou que vai negociar com Delcy Rodriguez, vice de Maduro e reconhecida pela Justiça e Forças Armadas da Venezuela
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A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, discursa diante de retratos do falecido presidente venezuelano Hugo Chávez e do libertador Simón Bolívar durante a apresentação do orçamento para o ano fiscal de 2026 no Congresso Nacional em Caracas, em 4 de dezembro de 2025. (Foto de Pedro Mattey / AFP)

Pessoa de confiança de Nicolás Maduro, elo com o empresariado e, agora, presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez surge como o rosto da transição no país diante de uns Estados Unidos dispostos a trabalhar com o chavismo. Leia em TVT News, com informações da AFP e Agência Brasil

Delcy Rodríguez é a presidenta interina da Venezuela

A primeira mulher a presidir a Venezuela assumiu o poder no sábado de forma interina por ordem do Supremo Tribunal, após a captura de Maduro por forças americanas.

Delcy Eloína Rodríguez Gómez, de 56 anos, tornou-se em 2018 vice-presidente e a primeira na linha de sucessão. Ela também tem o controle da economia, que administra afastada do dogma chavista de rígidos controles, e do petróleo vital em um país com as maiores reservas de petróleo bruto do mundo.

“Ela foi provavelmente uma das pessoas de maior confiança de Maduro ao longo desses anos”, explicou à AFP o analista político e professor universitário Pedro Benítez.

Com a captura de Maduro, ela enfrenta uma transição na qual Washington está disposto a trabalhar com o poder. De cabelo escuro, curto e liso, óculos grossos e um sorriso que seus detratores classificam como cínico, Rodríguez terá de calibrar, segundo especialistas, seu discurso singular e incendiário contra o “imperialismo norte-americano”.

Interinato de 90 dias

O Parlamento — presidido pelo irmão de Rodríguez, Jorge — ainda não a convocou para assumir formalmente o cargo.

“Formalmente, ela teria de tomar posse”, disse o cientista político Benigno Alarcón, embora a “realidade” seja que “é ela quem fica” no comando.

Seu interinato tem duração de 90 dias, prorrogável por outros três meses pela Assembleia Nacional. Caso seja declarada a falta absoluta de Maduro, a lei obriga a convocação de eleições nos 30 dias seguintes.

Rodríguez foi ministra da Economia entre 2020 e 2024, período em que se aproximou dos empresários, demonizados durante anos por Maduro e por seu antecessor, Hugo Chávez.

Uma feroz hiperinflação e políticas econômicas fracassadas provocaram um desarranjo financeiro desde 2016, que Caracas posteriormente atribuiu às sanções americanas do primeiro mandato de Trump, as quais apenas acentuaram a crise.

Uma dolarização de fato, junto com a flexibilização dos controles, deu fôlego às relações do chavismo com o setor privado e acabou com a escassez, embora a perda do poder de compra nunca tenha cessado.

Entre os empresários, ela é considerada uma gestora inteligente em matéria econômica, aberta ao pragmatismo e até ao diálogo. Construiu pontes com a entidade patronal Fedecámaras e conseguiu reuniões com o governo que, poucos anos antes, pareciam impossíveis.

O New York Times chegou a apontá-la como o rosto moderado de uma eventual transição na Venezuela, embora analistas a situem dentro do chavismo de linha dura.

Ela e seu irmão Jorge são filhos de um dirigente comunista assassinado em 1976 em uma cela policial. Não é por acaso que as quatro décadas de bipartidarismo democrático na Venezuela anteriores ao chavismo geram ressentimento entre os irmãos.

“Seu combustível emocional para chegar onde chegaram tem a ver com vingança”, disse um cientista político que pediu anonimato.

– De cargo em cargo –

Benítez avaliou que a consolidação de Rodríguez dentro do chavismo ocorreu com o “momento crítico” representado pela chegada de Maduro ao poder em 2013.

A morte do carismático e muito popular Chávez (1999–2013) gerou um cataclismo nas fileiras do chavismo radical.

Apesar de sua militância ferrenha, “ela não tinha uma base política própria” na era Chávez, para quem atuou como ministra do Gabinete da Presidência em 2006, observou Benítez.

Sua ascensão vertiginosa até a vice-presidência contou com o apoio do irmão, um dirigente poderoso, indicou o analista: Jorge Rodríguez é o principal negociador do oficialismo e considerado o arquiteto da acumulação de poder da dupla.

Advogada com pós-graduação em Paris, Rodríguez foi ministra da Comunicação (2013–2014) e, como chanceler (2014–2017), executou a retirada da Venezuela da Organização dos Estados Americanos (OEA). Entre 2017 e 2018, presidiu a Assembleia Constituinte, que atuou como um “superpoder” quando a oposição controlava o Parlamento.

Ela assumiu a gestão do petróleo depois que o poderoso ex-ministro Tareck El Aissami terminou preso por um desfalque na indústria. Analistas atribuem sua queda em desgraça a um choque de poder com os Rodríguez.

Brasil reconhece ex-vice de Maduro como atual presidenta da Venezuela

O Brasil reconhece Delcy Rodríguez, vice-presidenta da Venezuela, como a atual presidente do país, após os Estados Unidos capturarem Nicolás Maduro. A informação foi confirmada pela ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha.

Delcy Rodríguez, vice-presidente da Venezuela, diz que país não será colônia dos EUA

Em coletiva no final da tarde deste sábado, 3, a ministra interina das Relaçõex Exteriores, Maria Laura da Rocha, disse que o Brasil reconhece Delcy Rodríguez como chefe de Estado na Venezuela. “Na ausência do atual presidente, Maduro, é vice-presidente. Ela está como presidente interina”, afirmou.

A ministra interina do MRE disse ainda que o Brasil participa da reunião ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), marcada para este domingo (4), e do Conselho de Segurança da ONU, marcado para próxima segunda-feira (5). Em ambos os encontros, serão discutidos a agressão dos EUA contra a Venezuela.

“O Brasil continua sendo a favor do direito internacional, que é a posição tradicional brasileira contra qualquer tipo de invasão territorial, é pela soberania dos países”, afirmou Maria Laura.

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, fez um pronunciamento, neste sábado (3), pedindo a liberdade imediata do presidente Nicolás Maduro, capturado por militares dos Estados Unidos após bombardeios contra o país.

Rodríguez disse que a Venezuela não voltará a ser colônia e vai resistir contra a investida do governo norte-americano.

Segundo Delcy Rodríguez, o único presidente legítimo é Nicolás Maduro.

“Exigimos a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro, o único presidente da Venezuela, e de sua esposa, Cilia Flores. Se há algo que o povo venezuelano e este país têm absolutamente certeza, é que jamais seremos escravos, jamais seremos colônia de qualquer império”, disse Delcy em cadeia nacional de rádio e TV.

A fala de Delcy ocorreu minutos após o fim da coletiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual ele afirmou que Washington governaria o país sul-americano até uma “transição segura”, admitindo que as empresas norte-americanas explorariam o petróleo da Venezuela. 

A vice-presidente do país participou do Conselho de Defesa da Nação, com a presença do ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e a presidente do Tribunal Superior de Justiça (TSJ), Caryslia Rodríguez, entre outras autoridades.

Delcy afirmou que Maduro foi “sequestrado” por volta de 1h58 da madrugada deste sábado e reforçou a posição do governo de que a ação é uma tentativa dos EUA de terem controle sobre os recursos naturais do país caribenho “sob falsos pretextos”.

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A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez em 4 de dezembro de 2025. (Foto de Pedro Mattey / AFP)

A vice-presidente acrescentou que ativou, por decreto assinado por Maduro, todos os órgãos do Estado venezuelano para proteção do território contra a invasão dos Estados Unidos.

“Todo o poder nacional da Venezuela foi acionado. Temos o dever sagrado de salvaguardar nossa independência nacional, nossa soberania e nossa integridade territorial, que foram brutalmente atacadas nas primeiras horas desta manhã”, disse a mandatária.

Delcy convocou todos os poderes e organizações venezuelanas a manter a calma para “afrontar, juntos, em perfeita união nacional. Que essa fusão policial-militar-popular se converta em um só corpo e saiamos nessa etapa maravilhosa de defesa da nossa soberania, da nossa independência nacional”.

A vice-presidente agradeceu as manifestações de solidariedade de países ao redor do mundo e destacou que hoje foi a Venezuela, mas amanhã pode ser qualquer outra nação.

“O que fizeram com a Venezuela hoje podem fazer com qualquer um. Esse uso brutal da força para quebrar a vontade do povo pode ser feito com qualquer país”, comentou.

Trump indica diálogo com Delcy Rodríguez e descarta líder da oposição venezuelana

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicou um possível diálogo com a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, do grupo político do agora presidente deposto e raptado Nicolás Maduro, sobre um eventual governo interino do país.

“Entendemos que ela acabou de tomar posse, mas foi, como você sabe, escolhida por Maduro. Então, Marco [Rubio, secretário de Estado] está trabalhando nisso diretamente. Acabou de ter uma conversa com ela, e ela está essencialmente disposta a fazer o que achamos necessário para tornar a Venezuela grande novamente. Muito simples”, disse Trump em entrevista a jornalistas, em Palm Beach, na Flórida, na tarde deste sábado (3).

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O presidente dos EUA, Donald Trump, ao lado (da esquerda para a direita) do vice-chefe de gabinete Stephen Miller, do secretário de Estado Marco Rubio e do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, fala à imprensa após as ações militares dos EUA na Venezuela, em sua residência Mar-a-Lago, em Palm Beach, Flórida, em 3 de janeiro de 2026. O presidente Trump disse no sábado que as forças americanas capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro após lançarem um “ataque em grande escala” contra o país sul-americano. (Foto de Jim Watson/AFP)

“Ela foi, acho, bastante cordial, mas na verdade não tem escolha. Vamos fazer isso da maneira certa. Não vamos simplesmente arrombar a porta e depois ir embora, como todo mundo faz, dizendo: ‘deixa virar um inferno'”.

Citando os secretários de Estado, Marco Rubio, e de Defesa, Peter Hegseth, Donald Trump voltou a dizer que o próprio governo dos EUA vai administrar a Venezuela pelo próximo período, sem estabelecer um prazo.

Questionado por jornalistas sobre o papel de Maria Corina Machado, líder da oposição venezuelana que chegou a ser laureada com o Prêmio Nobel da Paz, Donald Trump descartou envolvimento dela na liderança desse processo, porque não teria apoio interno suficiente.

“Em grande parte, por um período de tempo, as pessoas que estão logo atrás de mim vão administrar isso. Vamos recuperar o país”, afirmou. Para Trump, seria arriscado entregar o poder diretamente a venezuelanos sem o que chamou de transição correta.  

“A Venezuela tem muitas pessoas ruins lá dentro, muitas pessoas ruins que não deveriam liderar. Não vamos correr o risco de uma dessas pessoas assumir o lugar de Maduro. Temos pessoas fantásticas, inclusive no Exército. Portanto, vamos ter um grupo de pessoas administrando o país até que ele possa ser colocado de volta nos trilhos, gerar muito dinheiro para o povo, dar às pessoas uma excelente qualidade de vida e também reembolsar as pessoas do nosso país que foram forçadas a sair da Venezuela”.

Questionado por jornalistas sobre o papel de Maria Corina Machado, líder da oposição venezuelana que chegou a ser laureada com o Prêmio Nobel da Paz, no ano passado, Donald Trump descartou envolvimento dela na liderança desse processo, porque não teria apoio interno suficiente.

“Bem, acho que seria muito difícil para ela ser a líder. Ela não tem apoio interno nem respeito dentro do país. É uma mulher muito simpática, mas não tem o respeito necessário para ser líder”, declarou.

Sobre a operação que resultou na captura de Maduro e da esposa, Cília Flores, Trump admitiu a jornalistas que poderia ter resultado na morte de ambos e contou que houve tentativa de fuga do presidente venezuelano. Segundo o presidente, houve tiroteio e resistência por parte de seguranças no momento da captura.

“Isso [assassinato de Maduro] poderia ter acontecido. Poderia ter acontecido. Ele estava tentando chegar a um local seguro. Você sabe, esse local seguro é todo de aço, mas ele não conseguiu chegar à porta porque nossos homens foram muito rápidos. Eles atravessaram a oposição muito rapidamente. E havia muita oposição. As pessoas se perguntavam se o pegamos de surpresa. De certa forma, sim, mas eles estavam esperando alguma coisa. Havia muita oposição. Houve muito tiroteio”, afirmou.

Pouco antes de iniciar a declaração à imprensa, Trump publicou uma suposta foto de Nicolás Maduro em que o venezuelano aparece com os olhos cobertos por óculos escuros. A foto foi postada por Trump em sua rede Truth Social, com a descrição de que Maduro estaria a bordo do USS Iwo Jima, em referência ao navio militar norte-americano para o qual teria sido transferido.

Delcy Rodríguez afirma soberania da Venezuela

Apesar do aceno de Trump à vice-presidente da Venezuela, ela própria fez um pronunciamento, neste sábado, pedindo a liberdade imediata do presidente Nicolás Maduro. Delcy Rodríguez disse que a Venezuela não voltará a ser colônia e vai resistir contra a investida do governo norte-americano.

A fala de Delcy ocorreu minutos após o fim da coletiva do presidente Donald Trump, na qual ele afirmou que Washington governaria o país sul-americano até uma “transição segura”, admitindo que as empresas norte-americanas explorariam o petróleo da Venezuela.

A vice-presidente do país participou do Conselho de Defesa da Nação, com a presença do ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e a presidente do Tribunal Superior de Justiça (TSJ), Caryslia Rodríguez, entre outras autoridades.

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Esta imagem, publicada na conta Truth Social do presidente dos EUA, Donald Trump, em 3 de janeiro de 2026, mostra o que o presidente Trump afirma ser o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a bordo do USS Iwo Jima, após sua captura pelas forças armadas americanas em 3 de janeiro de 2026. O presidente Donald Trump disse no sábado que as forças americanas capturaram o líder venezuelano Nicolás Maduro após lançarem um “ataque em grande escala” contra o país sul-americano. “Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país, juntamente com sua esposa”, disse Trump na Truth Social. (Foto: APROVADA / Conta TRUTH Social do presidente dos EUA, Donald Trump / AFP)

O que acontece na Venezuela

O ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela marca um novo episódio de intervenções diretas de Washington na América Latina. A última vez que os Estados Unidos invadiram um país latino-americano foi em 1989, no Panamá, quando os militares norte-americanos sequestraram o então presidente Manuel Noriega, acusando-o de narcotráfico.

Assim como fizeram com Noriega, os Estados Unidos acusam Maduro de liderar um suposto cartel venezuelano De Los Soles, sem apresentar provas. Especialistas em tráfico internacional de drogas questionam a existência desse cartel.

O governo de Donald Trump estava oferecendo uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem a prisão de Maduro.

Para críticos, a ação é uma medida geopolítica para afastar a Venezuela de adversários globais dos Estados Unidos, como China e Rússia, além de exercer maior controle sobre o petróleo do país, que é dono das maiores reservas de óleo comprovadas do planeta.

Com informações da Agência Brasil e AFP

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