Trump quer anexar Groenlândia, por compra ou por via militar

De olho nas terras raras, presidente dos EUA quer anexar o território no Ártico, mesmo que isso seja um ataque à OTAN
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O navio da Marinha Dinamarquesa P572 Lauge Koch patrulha as águas próximas à capital Nuuk, na Groenlândia, em 8 de março de 2025. O presidente dos EUA, Donald Trump, está discutindo opções, incluindo ação militar, para assumir o controle da Groenlândia, disse a Casa Branca em 6 de janeiro de 2025, aumentando as tensões que, segundo a Dinamarca, podem destruir a aliança da OTAN. Trump intensificou suas ambições em relação ao território dinamarquês autônomo e rico em minerais no Ártico desde que os militares dos EUA prenderam o líder venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026. (Foto de Odd ANDERSEN / AFP)

Depois de sequestrar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, quer anexar a Groenlândia, território semiautônomo ligado à Dinamarca. Leia em TVT News.

Trump estuda “várias opções” para Groenlândia, incluindo a militar

Washington, Estados Unidos, 6 de janeiro de 2026, com informações da AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considera várias vias para anexar a Groenlândia, e recorrer ao Exército é “sempre uma opção”, informou a Casa Branca nesta terça-feira (6).

A dura advertência de Washington veio apesar de tanto a Groenlândia quanto a Dinamarca terem pedido uma reunião rápida com os Estados Unidos para esclarecer “mal-entendidos”.

A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela reacendeu os planos de Trump em relação ao território semiautônomo dinamarquês no Ártico, que conta com jazidas de terras raras ainda inexploradas e pode desempenhar um papel crucial à medida que o degelo polar abre novas rotas marítimas.

Trump “deixou claro que adquirir a Groenlândia é uma prioridade para a segurança nacional dos Estados Unidos e que é vital para dissuadir nossos adversários na região ártica”, declarou a secretária de imprensa Karoline Leavitt.

“O presidente e sua equipe estão debatendo várias opções para alcançar esse importante objetivo da política externa e, claro, recorrer ao Exército dos Estados Unidos é sempre uma opção à disposição do comandante em chefe”, acrescentou a porta-voz.

Rubio afirma que se reunirá com o governo dinamarquês na próxima semana para discutir a Groenlândia

Washington, Estados Unidos, 7 de janeiro de 2026, com AFP

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira que planeja se reunir na próxima semana com o governo dinamarquês, que solicitou as negociações após as ameaças de Donald Trump de anexar a Groenlândia.

“Me reunirei com eles na próxima semana”, disse Rubio a jornalistas.

Groenlândia recebe apoio europeu

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, agradeceu nesta terça-feira aos dirigentes europeus que expressaram seu apoio ao território diante das reiteradas reivindicações de Trump.

Nielsen voltou a insistir que a Groenlândia, cuja política externa e de defesa está nas mãos da Dinamarca, não está à venda e que apenas os habitantes do vasto território podem decidir seu futuro.

Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Polônia e Espanha já haviam se unido à Dinamarca para afirmar que defenderiam os “princípios universais” de “soberania, integridade territorial e inviolabilidade das fronteiras”.

“Esse apoio é importante em um momento em que princípios internacionais fundamentais estão sendo questionados”, escreveu Nielsen nas redes sociais.

“Por esse apoio, desejo expressar meu mais profundo agradecimento. Em um momento em que o presidente dos Estados Unidos voltou a afirmar que seu país leva a Groenlândia muito a sério, esse apoio de nossos aliados da Otan é importante e inequívoco”, acrescentou.

Washington já conta com uma base militar na Groenlândia, território onde vivem cerca de 57 mil pessoas.

“Trump deixou claro que adquirir a Groenlândia é uma prioridade para a segurança nacional dos Estados Unidos e que é vital para dissuadir nossos adversários na região ártica”

Karoline Leavitt, Secretária de imprensa da Casa Branca

Trump já havia indicado no domingo que a decisão sobre a Groenlândia poderia ser tomada “em cerca de dois meses”, uma vez que a situação na Venezuela, onde forças americanas capturaram Nicolás Maduro, hoje presidente deposto, seja menos urgente.

Os dirigentes europeus sublinharam em uma declaração conjunta que “cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre as questões que lhes dizem respeito”.

“O Reino da Dinamarca — incluindo a Groenlândia — faz parte da Otan. Portanto, a segurança no Ártico deve ser garantida de forma coletiva, em cooperação com os aliados da Otan, incluindo os Estados Unidos”, acrescentaram os líderes.

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Esta vista aérea mostra edifícios cobertos de neve em Nuuk, Groenlândia, em 7 de março de 2025. O presidente dos EUA, Donald Trump, está aumentando as tensões, o que, segundo a Dinamarca, pode destruir a aliança da OTAN. Trump intensificou suas ambições em relação ao território dinamarquês autônomo e rico em minerais no Ártico desde que os militares dos EUA prenderam o líder venezuelano Nicolás Maduro no último fim de semana. (Foto de Odd Andersen / AFP)

Segundo o presidente francês, Emmanuel Macron, e os chefes de governo da Alemanha (Friedrich Merz), Itália (Giorgia Meloni), Polônia (Donald Tusk), Espanha (Pedro Sánchez), Reino Unido (Keir Starmer) e Dinamarca (Mette Frederiksen), essa cooperação deve respeitar “os princípios da Carta das Nações Unidas, em particular a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras”.

Nielsen, por sua vez, insistiu em manter um “diálogo respeitoso por meio dos canais diplomáticos e políticos adequados, e mediante o uso dos fóruns existentes baseados nos acordos que já existem com os Estados Unidos”.

Por que Trump quer a Groenlândia?


O território autônomo dinamarquês da Groenlândia, maior que o México e coberto por gelo em 80% de sua extensão, é cobiçado por seus potenciais recursos minerais e sua importância geoestratégica a ponto de despertar o desejo de anexação por parte de Donald Trump.

“Precisamos tê-la”, reiterou Trump horas antes da visita do vice-presidente JD Vance à base militar dos EUA em Pituffik, na costa noroeste da Groenlândia, em março

Interesses militares no Ártico

A Groenlândia é um território autônomo, mas as questões de justiça, política monetária, política externa, defesa e segurança dependem de Copenhague.

A capital da ilha está mais perto de Nova York do que de Copenhague, e o território faz parte da zona de interesse dos Estados Unidos, afirmou à AFP Astrid Andersen, historiadora do Instituto Dinamarquês de Estudos Internacionais.

“Durante a guerra, quando a Dinamarca foi ocupada pela Alemanha, os Estados Unidos se apoderaram da Groenlândia. De certa forma, eles nunca saíram”, explicou.

Os Estados Unidos possuem uma base ativa no noroeste da ilha, em Pituffik, antes chamada de Thule.

A base foi usada para alertar sobre possíveis ataques da União Soviética durante a Guerra Fria e continua sendo um elo essencial no sistema de defesa antimísseis dos EUA.

Washington se queixa “legitimamente da falta de vigilância do espaço aéreo e das zonas submarinas a leste da Groenlândia”, afirmou o cientista político Ulrik Pram Gad, do mesmo instituto de Andersen.

Em um momento em que o derretimento de geleiras permite novas rotas marítimas, “o problema é legítimo, mas Trump está usando termos exagerados”, opinou.

O republicano já havia declarado que queria comprar o território durante seu primeiro mandato, em 2019. As declarações foram rejeitadas pela Dinamarca e pelas autoridades groenlandesas.

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O porto e a montanha ao fundo refletem-se numa janela em Nuuk, na Groenlândia, em 7 de março de 2025. O presidente dos EUA, Donald Trump, estuda opções, incluindo uma ação militar, para assumir o controlo da Groenlândia, afirmou a Casa Branca em 6 de janeiro de 2025, aumentando as tensões que, segundo a Dinamarca, poderão destruir a aliança da NATO. Trump intensificou as suas ambições em relação ao território dinamarquês autogovernado e rico em minerais, no Ártico, desde que os militares dos EUA prenderam o líder venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026. (Foto de Odd ANDERSEN / AFP)

Recursos minerais da Groenlândia

Desde 2009, são os próprios groenlandeses que decidem qual uso dar para suas matérias-primas. Mas o acesso aos recursos minerais da ilha é considerado vital para os Estados Unidos, que assinaram um memorando de cooperação nesse setor em 2019.

Os europeus seguiram o exemplo quatro anos depois com seu próprio acordo de colaboração. A União Europeia identificou 25 dos 34 minerais de sua lista oficial de matérias-primas fundamentais na região, incluindo as terras raras.

“Com o aumento da demanda por minerais, precisamos procurar recursos inexplorados”, disse Ditte Brasso Sørensen, especialista em geopolítica e vice-diretora do think tank Europa.

“Os atores [internacionais] estão cada vez mais conscientes da necessidade de diversificar suas fontes de suprimento, sobretudo no que se refere à dependência da China de terras raras”, destacou.

O setor de mineração, no entanto, é inexistente. Há apenas duas minas ativas na Groenlândia, uma de rubis, que busca novos investimentos, e outra de anortosito, um metal que contém titânio.

Dependência financeira

A Groenlândia busca a independência da Dinamarca, mas depende economicamente da pesca e de um subsídio de Copenhague, que contribui com um quinto do seu Produto Interno Bruto (PIB).

A inauguração planejada de um aeroporto internacional em Nuuk, a capital, em novembro, deve permitir o desenvolvimento do turismo, mas somente se a infraestrutura da ilha for melhorada.

De acordo com Lill Rastad Bjørst, da Universidade de Copenhague, “é difícil dizer como [as indústrias extrativas] podem evoluir porque há falta de investidores”.

Ditte Brasso Sørensen destaca desafios locais, como “condições climáticas muito adversas, ambiente protegido e altos custos, com a necessidade de desenvolver infraestrutura física e digital”.

Trump diz duvidar que Otan esteja ao lado dos EUA em caso de necessidade

Washington, Estados Unidos, 7 de janeiro de 2026 – 13:26, com informações da AFP

O presidente americano, Donald Trump, expressou dúvidas de que seus parceiros no tratado de defesa do Atlântico Norte (Otan) apoiem os Estados Unidos caso Washington necessite, segundo uma publicação em sua rede Truth Social nesta quarta-feira (7).

“Sempre estaremos lá para a Otan, mesmo que eles não estejam lá para nós”, escreveu, um dia após a Casa Branca assegurar que a via militar está entre as possíveis formas de conseguir a anexação da Groenlândia, território da Dinamarca, uma aliada da Otan.

O presidente americano repetiu em sua mensagem que os gastos militares de muitos membros do tratado eram insuficientes até que ele interveio.

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Trump questionou se os Estados Unidos deveriam continuar financiando a Otan, aliança transatlântica criada durante a Guerra Fria. Foto: RS/Fotos Públicas

“Os Estados Unidos pagavam, estupidamente, por eles! Com todo o respeito, eu os fiz chegar a 5% do PIB” destinado ao orçamento de defesa, afirmou.

Trump manteve seu costume de enviar mensagens ambíguas: “São todos meus amigos”, disse em referência aos membros da Otan.

Mas faz uma denúncia em tom pessoal: “Lembrem também que eu sozinho pus fim a 8 guerras e a Noruega, membro da Otan, decidiu estupidamente não me conceder o Prêmio Nobel da Paz”.

“O único país que China e Rússia temem e respeitam são os Estados Unidos reconstruídos por DJT”, concluiu, utilizando suas iniciais.

© Agence France-Presse

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