Trump quer Lula no Conselho de Paz de Gaza

Petista consultará países com opiniões similares a respeito do genocídio palestino para decidir sobre participação
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Junto com Lula, cerca de 60 líderes foram convidados para integrar o conselho. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, para integrar o Conselho de Paz que irá discutir a reconstrução da Faixa de Gaza. O grupo será chefiado pelo mandatário americano junto com o secretário de Estado, Marco Rubio, e o ministro Tony Blair. Em declarações anteriores, Trump disse querer transformar o território palestino na “Riviera do Oriente Médio”. Entenda em TVT News.

Além de Trump, Rubio, e Blair, também fazem parte do Conselho Steve Witkoff, enviado especial de Trump, Jared Kushner, genro de Trump, Marc Rowan, magnata financista americano, Ajay Banga, presidente do Banco Mundial e Robert Gabriel, colaborador do presidente americano no Conselho de Segurança Nacional.

O Itamaraty confirmou o recebimento do convite para o Conselho de Paz, mas Lula deve consultar países que partilham a posição de defesa de Gaza para decidir se integrará ou não o grupo. A resposta do presidente deve vir na semana que vem, após analisar os objetivos do grupo, se haverá custos financeiros, quem são os participantes e o que pensam sobre o genocídio palestino.

Cerca de 60 líderes foram convidados para integrarem a discussão, dentre eles, Vladimir Putin. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nesta segunda-feira (19), que o presidente russo considera a oferta.

O presidente da Argentina, Javier Milei, confirmou no sábado (17) em suas redes sociais a participação no conselho. Ainda no sábado (17), Recep Tayyip Erdogan, chefe de Estado turco, anunciou o recebimento do convite, mas não declarou se irá ou não integrar o grupo. Também foram chamados o presidente egípcio, Abdel Fatah al Sissi, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.

A criação do Conselho de Paz foi anunciada por Trump na quarta-feira (14) e um governo de transição foi montado para comandar a região. O mandato dos líderes no Conselho de Paz é de três anos ou vitalício caso paguem US$ 1 bilhão em dinheiro vivo.

Trump quer “gentrificação sob os escombros de um genocídio” em Gaza

O Conselho de Paz faz parte do plano de 20 pontos de Trump para encerrar o genocídio palestino em Gaza anunciado em setembro de 2025. De acordo com a Casa Branca, no conselho, serão discutidos “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.

Em entrevista ao Jornal TVT News Primeira Edição, na ocasião do anúncio do acordo de cessar-fogo, Marcos Feres, ecretário de comunicação da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), afirmou que o discurso de paz promovido pelos países ocidentais e pelo governo israelense é parte de uma estratégia política para legitimar o processo de ocupação.

Para Feres, o cessar-fogo foi costurado “em termos muito vagos” e não trata das questões centrais da causa palestina, como a criação de um Estado soberano e o direito à autodeterminação.

Sobre o plano de recostrução de Gaza, o dirigente da Fepal destacou que o Conselho de Paz, liderado por aliados do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, expõe o caráter econômico e colonial do acordo. “São grandes especuladores imobiliários norte-americanos, gente especializada em pegar áreas degradadas e transformar em empreendimentos de luxo. É gentrificação sob os escombros de um genocídio”.

Segundo Feres, o novo arranjo internacional que se propõe a administrar Gaza “é um escárnio com o povo palestino e com a humanidade”. Ele citou a presença de nomes como Tony Blair, ex-primeiro-ministro britânico, no comitê que supervisionaria a transição no território.

“A ideia de ressuscitar um dos maiores criminosos de guerra desse século como príncipe regente das ruínas de Gaza mostra o tamanho da indecência desse plano. Isso não é reconstrução — é continuidade da ocupação por outros meios.”, criticou o dirigente da Fepal.

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