O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi convidado pelo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, para integrar o Conselho de Paz que irá discutir a reconstrução da Faixa de Gaza. O grupo será chefiado pelo mandatário americano junto com o secretário de Estado, Marco Rubio, e o ministro Tony Blair. Em declarações anteriores, Trump disse querer transformar o território palestino na “Riviera do Oriente Médio”. Entenda em TVT News.
Além de Trump, Rubio, e Blair, também fazem parte do Conselho Steve Witkoff, enviado especial de Trump, Jared Kushner, genro de Trump, Marc Rowan, magnata financista americano, Ajay Banga, presidente do Banco Mundial e Robert Gabriel, colaborador do presidente americano no Conselho de Segurança Nacional.
O Itamaraty confirmou o recebimento do convite para o Conselho de Paz, mas Lula deve consultar países que partilham a posição de defesa de Gaza para decidir se integrará ou não o grupo. A resposta do presidente deve vir na semana que vem, após analisar os objetivos do grupo, se haverá custos financeiros, quem são os participantes e o que pensam sobre o genocídio palestino.
Cerca de 60 líderes foram convidados para integrarem a discussão, dentre eles, Vladimir Putin. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nesta segunda-feira (19), que o presidente russo considera a oferta.
O presidente da Argentina, Javier Milei, confirmou no sábado (17) em suas redes sociais a participação no conselho. Ainda no sábado (17), Recep Tayyip Erdogan, chefe de Estado turco, anunciou o recebimento do convite, mas não declarou se irá ou não integrar o grupo. Também foram chamados o presidente egípcio, Abdel Fatah al Sissi, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.
GRACIAS PRESIDENTE TRUMP @realDonaldTrump@POTUS
— Javier Milei (@JMilei) January 17, 2026
Es un honor para mí haber recibido esta noche la invitación para que la Argentina integre, como Miembro Fundador, el Board of Peace, una organización creada por el Presidente Trump para promover una paz duradera en regiones… pic.twitter.com/ORalzkzhlv
A criação do Conselho de Paz foi anunciada por Trump na quarta-feira (14) e um governo de transição foi montado para comandar a região. O mandato dos líderes no Conselho de Paz é de três anos ou vitalício caso paguem US$ 1 bilhão em dinheiro vivo.
Trump quer “gentrificação sob os escombros de um genocídio” em Gaza
O Conselho de Paz faz parte do plano de 20 pontos de Trump para encerrar o genocídio palestino em Gaza anunciado em setembro de 2025. De acordo com a Casa Branca, no conselho, serão discutidos “fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital”.
Em entrevista ao Jornal TVT News Primeira Edição, na ocasião do anúncio do acordo de cessar-fogo, Marcos Feres, ecretário de comunicação da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), afirmou que o discurso de paz promovido pelos países ocidentais e pelo governo israelense é parte de uma estratégia política para legitimar o processo de ocupação.
Para Feres, o cessar-fogo foi costurado “em termos muito vagos” e não trata das questões centrais da causa palestina, como a criação de um Estado soberano e o direito à autodeterminação.
Sobre o plano de recostrução de Gaza, o dirigente da Fepal destacou que o Conselho de Paz, liderado por aliados do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, expõe o caráter econômico e colonial do acordo. “São grandes especuladores imobiliários norte-americanos, gente especializada em pegar áreas degradadas e transformar em empreendimentos de luxo. É gentrificação sob os escombros de um genocídio”.
Segundo Feres, o novo arranjo internacional que se propõe a administrar Gaza “é um escárnio com o povo palestino e com a humanidade”. Ele citou a presença de nomes como Tony Blair, ex-primeiro-ministro britânico, no comitê que supervisionaria a transição no território.
“A ideia de ressuscitar um dos maiores criminosos de guerra desse século como príncipe regente das ruínas de Gaza mostra o tamanho da indecência desse plano. Isso não é reconstrução — é continuidade da ocupação por outros meios.”, criticou o dirigente da Fepal.
