Trump recua e propõe cessar-fogo; Irã aceita acordo com condições
O anúncio oficial foi feito na manhã desta quarta-feira (8) pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, confirmando que a trégua passou a valer
Mundo respira aliviado depois que Trump disse que cessaria os ataques ao Irã por duas semanas. Fotos: Casa Branca (esq) e ATTA KENARE / AFP (dir)
Em uma reviravolta que sinaliza o esgotamento da estratégia de pressão máxima de Washington, Trump recuou com promessa de destruir uma civilização e propôs um cessar-fogo com o Irã. O país de Masoud Pezeshkian aceitou o acordo, mas sob condições próprias. A proposta foi selada nesta terça-feira (7). Na mesma noite, o preço do petróleo despencou. Leia em TVT News.
Preço do Petróleo despenca após cessar-fogo
O pretróleo Brent, que é referência global, chegou a recuar 16%, saindo de US$ 110 para cerca de US$ 94.
Já o WTI (West Texas Intermediate), que é referência nos EUA, teve queda similar, ficando abaixo de US$ 97. Trata-se do maior recuo em quase seis anos.
O cessar-fogo
O cessar-fogo foi acordado para durar duas semanas. Mediado pelo Paquistão, ele força a reabertura do Estreito de Ormuz, onde passa 20% do petróleo global. A passagem havia sido bloqueada por Teerã em resposta às ofensivas aéreas norte-americanas de fevereiro.
O anúncio oficial foi feito na manhã desta quarta-feira (8) pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, confirmando que a trégua passou a valer imediatamente.
Irã reivindica vitória
Embora apresentada por Washington como uma iniciativa própria, a aceitação do cessar-fogo por parte do Irã veio acompanhada de um pacote de termos que consolida ganhos significativos para o país persa, sugerindo uma posição de vantagem nas negociações.
Em suas redes sociais, o presidente Masoud Pezeshkian evidenciou o sentimento de vitória:
“O cessar-fogo, com a aceitação dos princípios gerais defendidos pelo Irã, é fruto do sangue do nosso líder mártir, o grande Khamenei, e uma conquista da presença de todo o povo em cena. A partir de hoje, continuaremos unidos: seja no campo da diplomacia, no campo da defesa, nas ruas ou na prestação de serviços. #NossaUniãoÉAVitória”
آتشبس با پذیرش اصول کلی مورد نظر ایران، ثمره خون رهبر شهیدمان خامنهای بزرگ و دستاورد حضور همه مردم در صحنه بود. از امروز نیز همچنان کنار هم خواهیم ماند. چه در میدان دیپلماسی، چه در میدان دفاع، چه در صحنه خیابان و چه در عرصه خدمترسانی.#باهم_بودنمان_پیروزی_است
Após ameaças de Trump de dizimar a civilização pers, o presidente iraniano havia convocou a população para ir às ruas defender a infraestrutura nacional.
Pezeshkian disse que resistiria e morreria junto ao seu povo caso fosse necessário. Mas não foi.
Condições impostas por Teerã
O governo iraniano condicionou o cessar-fogo a exigências que vão além da suspensão das hostilidades, incluindo pontos que garantem fôlego econômico e geopolítico ao país:
Fim das sanções e ativos liberados: O acordo prevê o “compromisso total” com a retirada das sanções econômicas e a liberação imediata de fundos e ativos iranianos congelados nos Estados Unidos.
Reparações de guerra: Teerã garantiu a inclusão do “pagamento integral de compensação” pelos custos de reconstrução do país, transferindo o ônus financeiro dos danos sofridos para o lado norte-americano.
Cessação regional: A proposta abrange o fim da guerra não apenas em território iraniano, mas também em frentes estratégicas no Iraque, Líbano e Iêmen.
Manutenção do programa nuclear
Um dos pontos mais sensíveis e que demonstra o avanço diplomático de Teerã é a continuidade do enriquecimento de urânio.
Segundo fontes oficiais iranianas, os dez pontos pactuados garantem que o país mantenha sua capacidade nuclear ativa, uma concessão que, até então, era um dos principais pontos de atrito e justificativa para as ofensivas lideradas por Washington.
O fracasso da retórica de aniquilação
O recuo da Casa Branca ocorreu pouco depois Donald Trump disparar uma de suas ameaças mais extremas, afirmando que “uma civilização inteira morrerá esta noite” caso o estreito não fosse reaberto.
Desde o início da ofensiva coordenada com Israel em 28 de fevereiro, Trump tentou construir uma narrativa de “vitória total”, mas já aceitou abrir mão de uma das motivações que geraram o conflito: o fato do país iraniano estar enriquecendo urânio para produção de armas nucleares.
A resistência de Teerã
Retaliações contínuas: O Irã manteve ataques de resposta durante todo o mês de conflito.
Mobilização Popular: Pouco antes do recuo de Trump, o presidente Masoud Pezeshkian declarou que milhões de iranianos estavam “prontos para o sacrifício”, expondo a ineficácia das ameaças americanas em dobrar o espírito nacional do país.
Trump perdeu a guerra? Analistas apontam derrota diplomática disfarçada de trégua
Embora Washington tente vender o cessar-fogo como um sucesso por permitir o tráfego marítimo, analistas apontam que o aceite das condições iranianas, após um ultimato de aniquilação, expõe a fragilidade da posição dos EUA.
O Irã, ao manter o controle do Estreito até garantir seus termos, demonstrou que a força bruta americana encontrou um limite claro na resiliência da defesa e da diplomacia de Teerã.
Para Demétrio Magnoli, comentarista da Globo News, e que está longe de ser um apoiador do país persa, acredita que não há como retomar a guerra:
“Esqueçam essa história de duas semanas. Trump não tem como retomar a guerra contra o Irã. Ele perdeu”.