Trump recebe Xi na Casa Branca em reunião marcada por comércio, IA e tensões geopolíticas

Presidentes dos Estados Unidos e da China, Trump e Xi destacam relação entre os países, mas mantêm divergências sobre tarifas, Taiwan, tecnologia e guerra no Irã
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Presidentes dos Estados Unidos e da China, Trump e Xi destacam relação entre os países, mas mantêm divergências sobre tarifas, Taiwan, tecnologia e guerra no Irã. Foto: Saul Loeb/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta quinta-feira (24) o líder chinês Xi Jinping na Casa Branca, em Washington. A visita de Estado é marcada por uma agenda que inclui comércio, inteligência artificial, segurança e questões geopolíticas, mas não há expectativa de grandes acordos entre as duas maiores economias do mundo. Leia em TVT News.

Durante a recepção, Trump afirmou que mantém uma “amizade verdadeiramente grandiosa” com Xi. O presidente chinês também ressaltou a importância da relação entre os dois países e defendeu que a competição entre Washington e Pequim seja mantida dentro de limites.

Segundo Xi, China e Estados Unidos têm responsabilidade na condução de questões internacionais e devem ampliar a cooperação. O líder chinês também afirmou que os dois países precisam trabalhar para garantir que a inteligência artificial seja desenvolvida sob controle humano.

A visita de Xi a Washington é a primeira em mais de uma década e ocorre em meio a disputas comerciais e tecnológicas entre os governos. Esta é a terceira reunião presencial entre Trump e Xi em menos de um ano. Os dois já haviam se encontrado em outubro de 2025, na Coreia do Sul, e em maio deste ano, durante visita de Trump à China.

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Trégua comercial é prorrogada

Um dos principais assuntos da reunião é a relação comercial entre os países. Na véspera do encontro, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou que Washington e Pequim haviam concordado em estender até 10 de janeiro uma trégua que interrompeu parte da guerra tarifária entre os dois países.

A disputa havia levado as tarifas recíprocas a superar 100%. A extensão do acordo mantém suspensas parte das medidas enquanto os governos negociam temas como exportações de terras raras e compras chinesas de produtos norte-americanos.

Entre os interesses dos Estados Unidos está o aumento das compras chinesas de produtos agrícolas e de energia. Washington também pretende discutir barreiras comerciais e o cumprimento de compromissos relacionados às exportações de terras raras, minerais considerados estratégicos para setores tecnológicos.

Inteligência artificial entra na pauta

A tecnologia também ocupa espaço central nas negociações. Trump afirmou que os dois países discutiriam a chamada “superinteligência”, em referência ao desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial.

A disputa tecnológica entre Estados Unidos e China, porém, envolve também o acesso a chips e outras tecnologias estratégicas. Apesar do diálogo, o governo norte-americano deve manter restrições à exportação de determinadas tecnologias para a China.

Xi defendeu que os dois países tenham capacidade de desenvolver e administrar a inteligência artificial de maneira responsável. Analistas citados pela Reuters avaliam que a forte competição entre as potências pode limitar os resultados concretos nessa área.

Taiwan é um dos principais pontos de tensão

A situação de Taiwan está entre os assuntos mais sensíveis da reunião. A ilha é administrada por um governo próprio, mas reivindicada pela China, que considera Taiwan parte de seu território.

Pequim deve pressionar Washington contra novas vendas de armas para Taiwan. O tema ganha importância diante da tentativa dos dois governos de reduzir tensões comerciais e ampliar a cooperação em outras áreas.

Outro assunto previsto nas conversas é a guerra no Irã. A China mantém relações próximas com Teerã, enquanto o conflito tem provocado impactos sobre o comércio e o mercado internacional de energia. Não há, até o momento, indicação de que Pequim esteja disposta a atender às principais exigências de Washington sobre o conflito.

Cerimônia reforça importância política da visita

Além das negociações, a passagem de Xi pelos Estados Unidos foi organizada com forte protocolo. Trump recebeu pessoalmente o presidente chinês na chegada à Base Conjunta Andrews, gesto considerado incomum para uma visita de chefe de Estado.

Na Casa Branca, Xi participa de uma cerimônia oficial, seguida de um jantar de Estado oferecido por Trump e pela primeira-dama Melania Trump. A programação inclui apresentações militares e sobrevoo de aeronaves das Forças Armadas norte-americanas.

Apesar da aproximação pública entre os dois líderes, permanecem diferenças em temas como comércio, Taiwan, tecnologia, terras raras e a guerra no Irã. A expectativa é de que a cúpula produza principalmente a manutenção do diálogo e acordos pontuais, sem solucionar as principais disputas entre Washington e Pequim.

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