Wagner Moura fala sobre política e Oscar em entrevista a Jimmy Kimmel

Estrela de O Agente Secreto, Moura comenta ditadura, critica autoritarismo e celebra indicação histórica ao Oscar 2026
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Wagner Moura durante o Jimmy Kimmel Live!. Foto: Reprodução/YouTube

O ator brasileiro Wagner Moura participou do talk show Jimmy Kimmel Live! na noite da quarta-feira (4) para promover o filme O Agente Secreto, produção que o levou a uma indicação inédita ao Oscar 2026. Durante a entrevista, o artista falou sobre a repercussão internacional do longa, comentou o cenário político brasileiro e apresentou elementos da cultura pernambucana ao público norte-americano. Saiba os detalhes na TVT News.

Indicação histórica ao Oscar

Na conversa com o apresentador Jimmy Kimmel, Moura destacou que se tornou o primeiro brasileiro indicado ao prêmio de Melhor Ator da Academia. O reconhecimento veio após sua atuação no thriller político dirigido por Kleber Mendonça Filho.

O longa já acumula importantes conquistas na temporada de premiações, incluindo prêmios no Festival de Cannes e no Globo de Ouro. No Oscar, a produção concorre em quatro categorias: Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Direção de Elenco.

Thriller político ambientado na ditadura

Ambientado em Recife em 1977, o filme acompanha Marcelo, um especialista em tecnologia que retorna à cidade natal em busca de tranquilidade, mas acaba envolvido em uma rede de vigilância e repressão durante a ditadura militar brasileira.

Segundo Moura, a obra discute o uso da tecnologia como instrumento de controle estatal e reflete sobre os limites das liberdades civis em contextos autoritários.

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Reflexões sobre política brasileira

O protagonista de O Agente Secreto elogiou o discurso que Kimmel fez ao receber seu prêmio pelo Melhor Talk Show no Critics’ Choice Awards 2026, em que o comediante agradeceu Donald Trump. Segundo Moura, a fala o fez pensar que deveria agradecer Bolsonaro em seu discurso, caso vença o Oscar de Melhor Ator.

“Foi uma ideia brilhante [agradecer Trump] então eu deveria basicamente agradecer Bolsonaro… Bolsonaro é o nosso Donald Trump brasileiro. Mas nosso Trump está na cadeia.”

Wagner explicou que agradeceria o ex-presidente brasileiro inelegível e condenado pois o projeto do filme nasceu da indignação dele e do diretor Kleber Mendonça Filho acerca do período sombrio que o Brasil passou tanto politicamente quanto artisticamente durante a gestão bolsonarista.

“Os ecos da ditadura ainda estão muito presentes no Brasil… O Bolsonaro é, ele próprio, uma manifestação desses ecos.”

O ator mencionou os desdobramentos políticos e os ataques golpistas que culminaram no 8 de janeiro de 2023, e afirmou que a memória da ditadura militar ainda influencia a forma como a sociedade brasileira reage a tentativas de ruptura democrática.

Cultura brasileira no talk show

A entrevista também teve momentos descontraidos quando Kimmel exibiu imagens da Apoteose dos Bonecos Gigantes do carnaval de Olinda, em Pernambuco.

Moura e Mendonça Filho foram homenageados na festa popular com bonecos inspirados nos trajes usados por eles no Globo de Ouro, ao lado de celebridades internacionais como Lady Gaga e Ozzy Osbourne. Em tom bem-humorado, o apresentador sugeriu levar o boneco do ator para a cerimônia do Oscar, ideia que Moura disse que “tentaria” colocar em prática.

Expectativa para o Oscar

Além da indicação de Moura, O Agente Secreto disputa outras três categorias na premiação. A cerimônia do Oscar 2026 está marcada para 15 de março e pode ser a segunda vez consecutiva que o cinema brasileiro leva para casa pelo menos uma das estatuetas.

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