Violência contra enfermeiras é tema de audiência pública em Santo André

Levantamento do Coren-SP revela que 355 profissionais da região do ABC já sofreram agressões
violencia-contra-enfermeiras-e-tema-de-audiencia-publica-em-santo-andre-tvt-news
Entre os profissionais da enfermagem que sofreram violência, 85,1% são mulheres Imagem: Coren-SP

A violência contra profissionais de enfermagem será tema de audiência pública na Câmara Municipal de Santo André, no ABC Paulista, em 20 de janeiro. Leia em TVT News.

Audiência pública em Santo André debate violência contra enfermeiras

Na próxima terça-feira (20), audiência pública em Santo André debate violência contra a enfermagem e expõe números preocupantes no Grande ABC. Levantamento do Coren-SP revela que 355 profissionais da região já sofreram algum tipo de agressão; maioria dos casos envolve pacientes e ocorre na rede pública

A violência contra profissionais de enfermagem será tema de uma audiência pública na Câmara Municipal de Santo André, marcada para o dia 20 de janeiro, das 19h às 21h, no plenário da Casa, localizado na Praça IV Centenário, nº 2, no Centro. A iniciativa busca dar visibilidade às demandas da categoria, fortalecer a luta por respeito e discutir caminhos concretos para a construção de ambientes de trabalho mais seguros.

Para participar, é necessário realizar inscrição prévia pelo site do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP).

O debate ocorre em meio a um cenário preocupante no Grande ABC, revelado por uma pesquisa estadual realizada entre 29 de março e 31 de maio de 2025, que ouviu 7.745 profissionais de enfermagem, entre enfermeiros, técnicos e auxiliares. Na região, 355 trabalhadores relataram ter sofrido algum tipo de violência no exercício da profissão.

Violência contra profissionais de enfermagem no ABC

Baseado em pesquisa com 7.745 profissionais ouvidos

Quem são as vítimas?

85,1% são Mulheres
46,5% se identificam como Pretos ou Pardos
1,7% têm até 50 anos

Tipos de violência mais frequentes

Verbal
62,8%
Física
26,8%
Psicológica
4,8%

Onde ocorrem os casos (Grande ABC)

1
S. Bernardo do Campo
140
2
Santo André
90
3
S. Caetano do Sul
40
4
Mauá
38
5
Diadema
33
6
Ribeirão Pires
11
7
Rio Grande da Serra
3

Entre os municípios do Grande ABC, São Bernardo do Campo aparece com o maior número de registros, somando 140 casos, seguido por Santo André, com 90. Na sequência estão São Caetano do Sul (40), Mauá (38), Diadema (33), Ribeirão Pires (11) e Rio Grande da Serra (3).

O perfil das vítimas evidencia o impacto social da violência na saúde: 81,7% dos profissionais que sofreram agressões têm até 50 anos, 85,1% são mulheres e 46,5% se identificam como pretos ou pardos, reforçando a sobreposição de vulnerabilidades enfrentadas pela categoria.

Do total de casos registrados no Grande ABC, a violência verbal é a mais frequente, atingindo 62,8% dos profissionais. As agressões físicas aparecem em seguida, com 26,8%, enquanto a violência psicológica foi mencionada por 4,8%.

A maior parte dessas ocorrências aconteceu em unidades da rede pública, que concentram 66,8% dos casos. Já a rede privada respondeu por 30,7% das agressões.

Outro dado que chama atenção é a subnotificação. Segundo a pesquisa, 69,6% dos profissionais do Grande ABC que sofreram violência não registraram denúncia, enquanto apenas 30,4% formalizaram a ocorrência.

Em 72,7% dos casos, a agressão partiu dos próprios pacientes, seguida por episódios envolvendo acompanhantes, o que evidencia a exposição direta dos trabalhadores da enfermagem no atendimento à população.

Para o presidente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo, Sergio Cleto, a audiência pública representa um passo fundamental no enfrentamento do problema.

“A violência contra a enfermagem tem impacto direto também na população, que muitas vezes deixa de ser assistida quando o profissional precisa ser afastado para se recuperar. O Coren-SP seguirá em diálogo permanente com o poder público para mudar essa realidade. Podemos até chegar em casa cansados, mas não vamos mais aceitar chegar agredidos”, afirma.

A expectativa é que o encontro contribua para ampliar o debate regional, fortalecer políticas de proteção aos profissionais e estimular medidas efetivas de prevenção à violência nos serviços de saúde.

Assuntos Relacionados