Em um movimento para fortalecer a articulação política e recompor pontes com o Legislativo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, na noite de terça-feira (4), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes partidários da Casa para um jantar na Granja do Torto, residência oficial da Presidência da República. O encontro reuniu representantes da base governista e de partidos do Centrão e marcou um gesto simbólico de aproximação entre o Palácio do Planalto e a Câmara no início de um ano considerado estratégico para o governo. Saiba mais em TVT News.
O jantar teve início por volta das 19h e se estendeu por cerca de três horas. Além de Lula e Hugo Motta, participaram ministros de áreas centrais do governo, como Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Sidônio Palmeira (Comunicação Social) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral). A presença do primeiro escalão reforçou o caráter político do encontro, que foi descrito por participantes como cordial e voltado ao diálogo.
De acordo com relatos de parlamentares, Lula utilizou o momento para agradecer o apoio da Câmara à aprovação de pautas consideradas prioritárias pelo Executivo ao longo do último período, reconhecendo o papel de Hugo Motta na condução das votações e na mediação com as diferentes bancadas. O presidente também defendeu a necessidade de manter uma relação institucional estável e permanente entre os Poderes, destacando que o diálogo é essencial para garantir governabilidade e avanços na agenda social.
Embora o tom tenha sido predominantemente de confraternização, o encontro teve forte conteúdo político. Em meio a um cenário de disputas e desgastes acumulados em 2025, o Planalto busca reduzir tensões e criar um ambiente mais favorável à tramitação de projetos centrais para o governo em 2026. Entre eles estão propostas ligadas à economia, ao mundo do trabalho e à proteção social, além de iniciativas que devem ganhar relevância à medida que o calendário eleitoral avança.
Parlamentares ouvidos após o jantar relataram que não houve cobranças diretas ou negociações explícitas durante o encontro, mas ficou evidente a intenção do governo de sinalizar abertura ao diálogo e valorização da Câmara como espaço central das decisões políticas. Hugo Motta, por sua vez, ressaltou a importância de uma relação respeitosa entre o Legislativo e o Executivo e destacou que o calendário do Congresso neste ano será impactado por eventos como o Carnaval e pela proximidade do período eleitoral.
De parlamentares da base aliada, participaram os deputados:
- Benedita da Silva (PT-RJ)
- Arlindo Chinaglia (PT-SP)
- Aliel Machado (PV-PR)
- Pedro Lucas (União-MA)
- Mário Heringer (PDT-MG)
- Damião Feliciano (União-PB)
- Jack Rocha (PT-ES)
- Isnaldo Bulhões (MDB-AL)
- Paulo Pimenta (PT-RS)
- Luiz Carlos Hauly (Podemos-PR)
- Pedro Campos (PSB-PE)
- Antonio Brito (PSD-BA)
- Lindbergh Farias (PT-RJ)
Chamou atenção a ausência de líderes da oposição, que não foram convidados para o jantar. Parlamentares oposicionistas afirmaram que, mesmo que tivessem recebido convite, não participariam do encontro. Aliados do governo avaliam que a opção por restringir a presença a líderes da base e do Centrão teve como objetivo concentrar esforços na consolidação de apoios efetivos às pautas do Executivo.
O cardápio do jantar incluiu pratos da culinária brasileira, como pirarucu, arroz, farofa e sobremesa de chocolate, em um ambiente descrito como informal, com música brasileira ao fundo. Apesar do clima descontraído, o contexto político foi constantemente lembrado nas conversas, sobretudo diante da necessidade de o governo construir maior previsibilidade nas votações do Congresso.
O encontro também ocorre em um momento em que Lula intensifica os movimentos políticos de olho nas eleições de 2026. Embora o presidente evite tratar diretamente do tema, a aproximação com lideranças do Centrão é vista como estratégica para reduzir resistências e ampliar o campo de alianças, inclusive em disputas estaduais.
No Planalto, a avaliação é de que o jantar inaugura uma nova etapa da articulação política neste ano. A expectativa é de que iniciativas semelhantes sejam realizadas com lideranças do Senado Federal nas próximas semanas, reforçando o esforço do governo para alinhar sua agenda legislativa e enfrentar um ano marcado por disputas políticas, desafios econômicos e pelo peso crescente do calendário eleitoral.

