A crise financeira e política do Sport Club Corinthians Paulista voltou ao centro do debate público e mobilizou torcedores, ex-jogadores e personalidades em torno de uma proposta de transformação estrutural no clube. Lançado em evento no Teatro TUCA, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, o movimento propõe a retomada dos princípios da histórica Democracia Corintiana e a criação de uma espécie de “constituição” para ampliar a participação da torcida na gestão do Parque São Jorge. Leia em TVT News.
Democracia corintiana volta à cena
Crise no Corinthians impulsiona movimento por redemocratização e nova “constituição” do clube
A iniciativa, chamada de “redemocratização corintiana”, busca resgatar o legado político e simbólico do movimento surgido em 1982, quando jogadores e comissão técnica passaram a defender maior participação nas decisões internas do clube, em sintonia com a luta pela redemocratização do país. Mais de quatro décadas depois, o novo projeto pretende atualizar essa experiência, propondo mecanismos formais de controle, transparência e participação popular.
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O lançamento reuniu nomes conhecidos do universo corintiano, como o jornalista Juca Kfouri, a atriz Alessandra Negrini e o publicitário Washington Olivetto, além de ex-jogadores que marcaram época no clube, como Walter Casagrande, Sócrates (representado simbolicamente como referência histórica do movimento original), Wladimir e Basílio. A diversidade de participantes evidencia o caráter amplo da articulação, que pretende envolver diferentes setores da sociedade civil ligados ao clube.
Um dos pontos centrais da proposta é a formação de um grupo de 77 integrantes responsáveis por elaborar essa nova “constituição corintiana”. O número é simbólico: remete ao título do Campeonato Paulista de 1977, que encerrou um jejum de 23 anos sem conquistas e se tornou um marco na história do Corinthians. A escolha reforça a tentativa de conectar passado e presente na reconstrução institucional do clube.
De acordo com os idealizadores, o objetivo é criar instrumentos que permitam maior interferência da torcida nas decisões estratégicas, fortalecendo a governança e evitando crises recorrentes. A proposta inclui ampliar a transparência administrativa e estabelecer regras mais claras para a gestão, com participação efetiva dos torcedores.
Durante o evento, o ex-jogador Basílio destacou a importância de pensar o clube para além das gestões passageiras. Segundo ele, “os torcedores passam, vibram e fortalecem o time, mas o Corinthians precisa permanecer forte”, indicando que a construção de uma estrutura sólida é essencial para o futuro da instituição.
A expectativa dos organizadores é que o movimento ganhe adesão e consiga influenciar mudanças concretas na estrutura do clube. Em meio à crise atual, a redemocratização surge como uma tentativa de reaproximar o Corinthians de sua base social e de reafirmar sua identidade histórica, marcada pela participação popular e pelo engajamento político.

