30 anos do Massacre de Eldorado dos Carajás: violência no campo segue em alta no Brasil

Três décadas após o Massacre de Eldorado dos Carajás, dados apontam aumento dos conflitos e mortes no campo
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Impunidade e aumento dos conflitos no campo marcam os 30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará. Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo ABr

Trinta anos após o Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará — quando 19 trabalhadores rurais, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, foram mortos pela Polícia Militar em uma rodovia enquanto seguiam para Belém em protesto contra a demora do Estado brasileiro em avançar na reforma agrária — a violência no campo segue sem trégua. Mais informações em TVT News.

O crime, marcado pela impunidade, resultou na condenação de apenas dois dos 155 agentes envolvidos. O episódio se tornou um marco na luta pela terra no Brasil e contribuiu para dar visibilidade à pauta campesina encampada pelo MST. Ainda assim, os conflitos fundiários permanecem como uma realidade para a população do campo.

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O Massacre de Eldorado dos Carajás, uma das ações policiais mais violentas no meio rural, ainda deixa seqüelas e sentimentos contrastantes em quem a vivenciou. Até hoje, ninguém foi efetivamente responsabilizado pela ação que resultou na morte de 19 trabalhadores rurais e centenas de feridos no Pará Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo ABr

Levantamento da Comissão Pastoral da Terra aponta crescimento da violência co campo. Dados mais recentes, referentes a 2024, indicam que o Brasil registrou 2.185 conflitos no campo — a segunda maior marca desde o início da série histórica, em 1985.

Ao longo dos anos, além da persistência dos conflitos e assassinatos, a violência também passou a atingir de forma mais ampla outras comunidades tradicionais, como quilombolas e indígenas. Em 2017, por exemplo, 74 pessoas foram assassinadas em conflitos no campo; desse total, 10 eram integrantes do MST, mortos por policiais militares em Pau D’Arco, no Pará, caso em que ainda não houve responsabilização efetiva.

Mortes em conflitos agrários no Brasil desde o massacre de Eldorado dos Carajás

Fonte: Comissão Pastoral da Terra

No mesmo ano, em Colniza, no Mato Grosso, nove pessoas foram mortas a tiros e golpes de faca em um assentamento rural. Dos três réus apontados como responsáveis pelo crime, apenas um foi julgado e condenado, recebendo pena de 200 anos de prisão por homicídio qualificado.

Conflitos agrários no Brasil: últimos 9 anos

Fonte: Comissão Pastoral da Terra

Além da impunidade, o avanço do lobby contrário à reforma agrária no Congresso Nacional acompanha o aumento da violência no campo. O fortalecimento da chamada bancada ruralista e a tramitação de propostas que buscam criminalizar movimentos sociais agrários caminham lado a lado com iniciativas como o “Invasão Zero”, que ganha apoio entre setores do agronegócio como reação às reivindicações por terra.

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Todos os anos, o MST realiza ações em todo país para lembrar do massacre de Eldorado dos Carajás, que segue impune. – Foto: Antonio Cruz/ABr

Nesta terça-feira, o MST deve refazer a marcha histórica de 1996, percorrendo a BR-150, de Curionópolis até Eldorado do Carajás, em homenagem às vítimas e como forma de reafirmar que a luta pela terra e por justiça social no campo permanece atual.

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