103 anos de história dos bancários: luta, resistência e conquistas

Novos desafios se impõem para a categoria bancária, como a digitalização dos serviços financeiros
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A Quadra dos Bancários é de luta da categoria e dos movimentos sociais, é lugar de comemorar as conquistas, da democracia, é espaço de cidadania Foto: Arquivo SPBancários

Artigo da Presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Neiva Ribeiro, sobre o 103 anos do Sindicato dos Bancários, para a TVT News.

Por Neiva Ribeiro

Presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

O dia 16 de abril marca os 103 anos do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, uma trajetória construída com luta, união e compromisso permanente com a democracia e os direitos da classe trabalhadora.

Ao longo de mais de um século, a entidade se consolidou como uma das mais importantes organizações sindicais, protagonizando conquistas históricas que garantem, ainda hoje, mais dignidade, proteção e qualidade de vida para a categoria bancária.

Desde seus primeiros anos, o Sindicato já demonstrava sua força. Em 1933, com apenas uma década de atuação, conquistou a jornada de seis horas — um marco histórico que transformou profundamente as condições de trabalho no setor bancário e abriu caminho para uma série de avanços que se consolidariam nas décadas seguintes.

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Em 1985, paralisação dos bancários reuniu cerca de 30 mil pessoas na Praça da Sé, em SP. Foto: Seeb-SP/Reprodução

A história da entidade também é marcada pela resistência. O Sindicato enfrentou intervenções em 1935 e 1983, motivadas não apenas por sua atuação firme na defesa dos direitos da categoria, mas também por seu posicionamento em defesa da democracia e da classe trabalhadora.

Durante a ditadura militar iniciada em 1964, foi alvo de repressão, perseguições e cassações, mas nunca se calou e deixou de lutar pelos direitos da categoria e pela liberdade.

Com a retomada da organização sindical no final dos anos 1970, os bancários voltaram às ruas, reconstruíram sua representação e tiveram papel decisivo em momentos históricos do país. Destacam-se a participação na fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983, e o engajamento na campanha pelas Diretas Já, símbolo da redemocratização brasileira.

Nas décadas seguintes, mesmo diante de cenários adversos, como as políticas neoliberais dos anos 1990 e os retrocessos recentes nos direitos trabalhistas, o Sindicato seguiu avançando na organização da categoria e na ampliação de conquistas.

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Quadra foi inaugurada nos 60 anos do Sindicato num debate com Lula, Prestes e Teotônio Vilela sobre a luta contra a ditadura que assolou o Brasil por mais de duas década. Foto: Arquivo SPBancários

103 anos de bancários e as lutas de 2026

Hoje, a Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários é referência nacional, reunindo mais de 100 cláusulas que asseguram direitos fundamentais como a Participação nos Lucros e Resultados, o vale-refeição e alimentação, a 13ª cesta-alimentação, o auxílio-creche, a licença-maternidade de 180 dias, a licença-paternidade ampliada, a igualdade de direitos para casais homoafetivos, políticas de combate ao assédio moral e sexual, a regulamentação do teletrabalho e programas de prevenção à violência contra as mulheres e de promoção da inclusão.

Mais do que um conjunto de direitos, essas conquistas refletem a força da organização coletiva e o compromisso histórico da entidade com a valorização do trabalho e a justiça social.

Ao mesmo tempo, novos desafios se impõem para a categoria bancária. O avanço acelerado da tecnologia e a digitalização dos serviços financeiros vêm provocando profundas transformações no setor, com impacto direto na redução dos postos de trabalho e na reconfiguração das funções exercidas pelos bancários.

Diante desse cenário, o Sindicato tem o desafio de atuar de forma estratégica para garantir que a inovação tecnológica esteja a serviço das pessoas, defendendo a manutenção dos empregos, a qualificação profissional, condições dignas de trabalho.

No enfrentamento desses novos cenários, destaca-se a importância da mesa de negociação permanente, que passou a incluir de forma estruturada o debate sobre “Novas Tecnologias, como a IA, e a Atividade Bancária”. Esse espaço é estratégico para que a categoria bancária acompanhe de perto as transformações no setor financeiro, buscando garantir transparência no uso das tecnologias, proteção aos empregos, qualificação contínua dos trabalhadores e limites éticos para a aplicação da inteligência artificial nas rotinas bancárias.

Ao completar 103 anos, o Sindicato reafirma seu papel como instrumento essencial de defesa dos direitos da categoria bancária e como protagonista na construção de um país mais justo, democrático e igualitário

Sobre a autora

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Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários

Neiva Ribeiro é a atual presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região. É formada em Letras pela Universidade Guarulhos, pós-graduada em Gestão Pública pela Fesp-SP, e em Gestão Universitária pela Unisal. É funcionária do Bradesco desde 1989. Ingressou na direção do Sindicato em 2000.

Foi diretora-geral da Faculdade 28 de Agosto de Ensino e Pesquisa, secretária de Formação e secretária-geral da entidade. 

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