As expectativas do mercado financeiro para a economia brasileira voltaram a piorar, segundo o Relatório Focus divulgado nesta sexta-feira (17) pelo Banco Central. Mais informações em TVT News.
A projeção para a inflação em 2026 subiu pela sexta semana consecutiva, enquanto as estimativas para a taxa Selic também foram revisadas para cima, indicando um cenário de aperto monetário mais prolongado.
A média das projeções para o IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo passou de 4,71% para 4,80% em 2026, ficando próxima do teto da meta de inflação. Para 2027, a expectativa também avançou, chegando a 3,99%.
No curto prazo, o movimento de alta dos juros ganhou força. A projeção para o IPCA de abril subiu de 0,50% para 0,66%, sinalizando pressão inflacionária mais forte no início do segundo trimestre.

Diante desse cenário, o mercado passou a prever juros mais elevados por mais tempo. A estimativa para a taxa Selic ao fim de 2026 subiu de 12,50% para 13,00%. Para 2027, a projeção também foi revisada para cima, a 11,00%. No curto prazo, a taxa deve atingir 14,50% ao ano.
Apesar do cenário de inflação e juros altos, economia dá sinas de melhora
Apesar do aperto monetário esperado, a atividade econômica segue com baixo dinamismo. A projeção de crescimento do PIB, o Produto Interno Bruto para 2026 avançou, de 1,85% para 1,86%, mantendo o quadro de expansão limitada. Para os anos seguintes, o crescimento permanece próximo de 2%, sem sinal de aceleração.
No câmbio, houve melhora nas expectativas. A projeção para o dólar em 2026 caiu de R$ 5,37 para R$ 5,30, indicando valorização do real no curto prazo. Ainda assim, o movimento não foi suficiente para conter a revisão altista da inflação.
No campo fiscal, o cenário permanece estável, porém pressionado. A expectativa para o resultado primário em 2026 segue em déficit de 0,50% do PIB, enquanto a dívida líquida do setor público deve continuar em trajetória de alta, alcançando cerca de 79% do PIB em 2029.
Entre os indicadores, também chamou atenção a alta nas projeções do IGP-M, que passou de 3,86% para 4,66%, sugerindo aumento de pressões no atacado com possível impacto futuro sobre os preços ao consumidor.
Por outro lado, o setor externo apresenta leve melhora. A expectativa para o déficit em conta corrente foi reduzida, enquanto a projeção para o superávit da balança comercial aumentou.
O conjunto dos dados reforça a percepção de um cenário de inflação mais persistente, juros elevados e crescimento moderado, o que tende a limitar a recuperação da economia nos próximos anos.

