O 13º Encontro Nacional de Fé e Política, organizado pelo Movimento Nacional Fé e Política, será realizado entre os dias 24 e 26 de julho, em São Bernardo do Campo, reunindo militantes, lideranças religiosas e representantes de movimentos sociais de todo o país. A iniciativa busca articular espiritualidade e ação política em torno da construção de uma sociedade mais justa, democrática e solidária. Saiba mais na TVT News.
Com o tema “Fortalecer a Democracia, o Esperançar e o Bem Viver”, o encontro se apresenta como um espaço de reflexão e mobilização diante dos desafios contemporâneos, especialmente em um contexto de avanço de forças conservadoras e de ameaças às instituições democráticas. A proposta é ir além do debate teórico, promovendo a construção coletiva de estratégias e ações concretas voltadas à transformação social.
Segundo a organização, o evento reúne participantes de diferentes tradições religiosas, além de integrantes de organizações da sociedade civil, coletivos populares e movimentos de base. A diversidade de origens e experiências é apontada como um dos pilares do encontro, que aposta no diálogo inter-religioso e na convergência de lutas sociais como caminhos para o fortalecimento da democracia.
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Entre os principais objetivos desta edição estão o enfrentamento à extrema direita, o incentivo à organização popular e a valorização de pautas historicamente marginalizadas. O encontro destaca a centralidade das lutas de mulheres, da população negra, dos povos originários e das juventudes, reconhecendo esses grupos como protagonistas na construção de alternativas políticas e sociais no país.
A metodologia adotada segue a tradição do “ver, julgar e agir”, amplamente associada à Teologia da Libertação. Esse método propõe a análise crítica da realidade, a reflexão à luz de valores éticos e espirituais e, por fim, a ação prática para transformação das estruturas sociais. A abordagem reforça o caráter engajado do encontro, que se coloca como instrumento de intervenção concreta na realidade brasileira.
Ao longo de suas edições, o Encontro Nacional de Fé e Política consolidou-se como um espaço de articulação entre fé e compromisso social, dialogando diretamente com pautas como direitos humanos, justiça social e defesa da democracia. A iniciativa surge em um contexto histórico marcado pela influência de setores progressistas das igrejas, especialmente ligados à atuação comunitária e às lutas populares.
Nesta edição, o evento também enfatiza a importância do chamado “esperançar”, conceito inspirado na obra de Paulo Freire, que remete à ideia de esperança ativa, construída por meio da ação coletiva e da participação política. A noção de “bem viver”, por sua vez, dialoga com cosmovisões de povos originários e propõe uma relação mais equilibrada entre sociedade, natureza e economia.
A organização ressalta que o encontro não se limita a um seminário ou conferência tradicional, mas se estrutura como um espaço de mobilização contínua. A expectativa é que as discussões e propostas formuladas durante o evento tenham desdobramentos práticos nos territórios, fortalecendo iniciativas locais e redes de solidariedade.
O que é o Encontro Nacional de Fé e Política?
Criado no ano 2000, o Encontro Nacional de Fé e Política é uma iniciativa do Movimento Nacional Fé e Política que reúne, periodicamente, lideranças religiosas, militantes sociais e organizações populares de todo o Brasil.
O objetivo central é promover o diálogo entre fé e política, incentivando o engajamento social a partir de valores éticos e espirituais. Inspirado em correntes como a Teologia da Libertação, o encontro busca fortalecer a atuação de comunidades e movimentos na luta por direitos, democracia e justiça social.
Ao longo de mais de duas décadas, o evento se consolidou como um importante espaço de articulação política e formação, contribuindo para a construção de agendas comuns entre diferentes setores progressistas da sociedade brasileira.

Programação e participantes
A programação do encontro está distribuída em três dias de atividades intensas, combinando formação política, espiritualidade, cultura e articulação social. Na sexta-feira (24), o credenciamento tem início às 14h, seguido por atividades culturais e a abertura oficial às 17h. À noite, estão previstas a mística inicial e a primeira parte da mesa de abertura.
No sábado (25), a programação começa às 7h com acolhida e café, seguida de mística e da continuidade da mesa de abertura. Ao longo da manhã, ocorrem as conferências temáticas. À tarde, o destaque fica para as plenárias de mobilização e atividades culturais, como sarau, enquanto a noite será marcada por shows musicais.
No domingo (26), o encontro se concentra na grande plenária de convergência, na leitura da carta final e na mística de encerramento, culminando com o almoço de fechamento.
A lista de participantes reúne nomes de referência nas áreas de direitos humanos, educação, teologia, urbanismo, meio ambiente e movimentos sociais. Entre eles estão a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva; o frade dominicano Frei Betto; a urbanista Erminia Maricato; a filósofa Ivone Gebara; e o professor Daniel Cara.
Também participam lideranças populares e ativistas como Amelinha Teles, referência na luta por direitos das mulheres e memória da ditadura; Benedito Barbosa, ligado à luta por moradia; Ceres Hadich, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra; e Euclides Mance, teórico da economia solidária.
A diversidade de participantes inclui ainda representantes do movimento sindical, como Andrea Sousa e Aroaldo Oliveira da Silva; lideranças religiosas e teólogos como Cesar Kuzma e Marcelo Barros; além de pesquisadores, educadores, jovens lideranças e ativistas de diferentes regiões do país.
As conferências temáticas abordarão temas como democracia, trabalho decente, economia solidária, direito à cidade, reforma agrária, justiça climática, segurança alimentar, políticas sociais, comunicação popular e enfrentamento à extrema direita, reforçando o caráter plural e interdisciplinar do encontro.
Segundo a organização, a presença de diferentes perfis — de intelectuais a lideranças de base — é fundamental para promover o intercâmbio de experiências e fortalecer redes de atuação em defesa da democracia e dos direitos humanos.

