Os Emirados Árabes Unidos anunciaram nesta terça-feira (28) a saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a Opep, e da aliança OPEP+. A medida passa a valer em 1º de maio de 2026 e encerra a participação iniciada em 1967. Entenda na TVT News.
O anúncio ocorre em um cenário de certa instabilidade internacional, marcado pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e o Irã, que tem afetado diretamente o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, responsável por cerca de um quinto do transporte global da commodity.
Busca por autonomia e flexibilidade
Segundo o ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Al Mazrouie, a saída reflete uma estratégia de longo prazo focada em autonomia econômica e maior flexibilidade de produção. Fora da Opep, os Emirados deixam de seguir as cotas impostas pela organização, podendo ampliar sua produção de acordo com as demandas do mercado.
Atualmente, o país produz cerca de 2,9 milhões de barris por dia, mas possui capacidade para expandir esse volume. A estratégia inclui também o fortalecimento da posição dos Emirados como fornecedor de petróleo de baixo custo e menor intensidade de carbono.

Tensões políticas influenciam decisão
Além de fatores econômicos, o movimento é impulsionado por insatisfações geopolíticas. O governo dos Emirados Árabes criticou a resposta considerada fraca de aliados regionais, como o Conselho de Cooperação do Golfo e a Liga Árabe, diante dos ataques atribuídos ao Irã.
As ameaças à navegação no Estreito de Ormuz e os impactos diretos nas exportações também pesaram na decisão de se afastar da Opep, que inclui o próprio Irã entre seus membros.
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Impacto no mercado global
A saída dos Emirados representa uma perda de cerca de 15% da capacidade produtiva da Opep, além da saída de um dos membros mais alinhados às metas do grupo. O movimento pode enfraquecer a liderança da Arábia Saudita dentro da organização e dificultar a coordenação entre os países produtores.
No curto prazo, os preços do petróleo seguem elevados, acima de US$ 110 por barril, devido à escassez causada pelo conflito. No entanto, a longo prazo, a atuação independente dos Emirados pode aumentar a oferta global e pressionar os preços para baixo.
A decisão também é vista como uma vitória política para o presidente Donald Trump, crítico histórico da Opep, que acusa a organização de manipular os preços do petróleo. Ainda assim, uma eventual queda acentuada nos preços pode impactar negativamente produtores, inclusive nos próprios Estados Unidos, que ainda dependem do Oriente Médio para parte do seu petróleo bruto.

