No evento do 1º de maio realizado no Paço de São Bernardo nesta sexta-feira (1º) no ABC Paulista, o ex-ministro Haddad concedeu entrevista coletiva e pautou o debate sobre a reestruturação das relações de trabalho no país. Leia em TVT News.
Durante sua fala, o ex-ministro enfatizou que o momento atual exige que o Congresso Nacional enfrente a discussão sobre a carga horária laboral, classificando a medida como um passo necessário para o amadurecimento da sociedade brasileira.
Segundo Haddad, a revisão dos períodos de trabalho é uma prática que acompanha o desenvolvimento humano desde a Revolução Industrial e o Brasil apresenta um atraso nessa discussão. O ministro destacou que as mulheres seriam as mais beneficiadas com uma possível redução, devido ao acúmulo de tarefas exaustivas que enfrentam no cotidiano.
Impacto na produtividade e bem-estar familiar

Para o ministro Haddad, a mudança na carga horária e do fim da escala 6×1 não beneficia apenas quem produz, mas também quem emprega. Ele argumenta que o bem-estar do trabalhador está diretamente ligado à eficiência econômica.
“Todo mundo sabe que isso favorece o trabalhador, mas favorece também o patrão. Vai ter um trabalhador mais produtivo, mais empenhado, mais envolvido; é bom para todo mundo. A gente trabalha bastante para isso, para depois sobrar um tempo livre para o marido, para a família, para a cultura, para os filhos”.
A defesa dessa pauta pelo ministro foca na garantia de tempo para o convívio familiar e o acesso a bens culturais, elementos que compõem a qualidade de vida da classe trabalhadora.
Críticas aos juros e ao cenário externo
Além das pautas trabalhistas, Haddad abordou a situação econômica nacional e internacional. O ministro manifestou discordância em relação aos patamares atuais das taxas de juros no Brasil, afirmando que “não há necessidade disso”. Ele também mencionou preocupação com o cenário externo, citando o que denominou como “guerra do Trump” como um episódio grave que afeta a estabilidade global.
Na visão de Haddad, a gestão econômica deve estar alinhada à proteção social, o que se torna viável em períodos de estabilidade política voltada aos direitos humanos.
Comparativo entre gestões e direitos sociais
Ao analisar o significado da data sob diferentes administrações, Haddad traçou um comparativo entre o atual governo e gestões anteriores. O ex-ministro da Fazenda associou a presença do presidente Lula no comando do Executivo à garantia de preservação de direitos fundamentais.
Para Haddad, o momento serve para mensurar os avanços obtidos desde a posse e planejar novas conquistas através do fortalecimento de quem produz a riqueza do país. Ele caracterizou períodos sem o atual grupo político na presidência como marcados por “dor de cabeça”, devido a cortes em setores essenciais.
“Todo primeiro de maio com o Lula na presidência é uma festa. Todo primeiro de maio sem ele na presidência é dor de cabeça, porque é corte de direitos, é corte na educação, é corte de salário mínimo, é corte na saúde”.

