Boulos: “Estamos trabalhando para ser o último 1º de maio com 6×1”

Em coletiva de imprensa de evento no ABC, Boulos defende fim da escala 6x1 e direitos para trabalhadores de aplicativos
Guilherme Boulos em coletiva de imprensa nesse 1º de maio no ABC – Reprodução

Durante o evento realizado no berço do sindicalismo nacional, Guilherme Boulos participou de uma coletiva de imprensa onde detalhou as estratégias do governo e da base aliada para avançar em pautas históricas da classe trabalhadora. O foco central das declarações de Boulos foi a extinção da escala de trabalho 6×1 e a regulamentação do trabalho plataformizado. Leia em TVT News.

A mobilização em São Bernardo do Campo possui uma carga simbólica para os movimentos sociais. De acordo com Boulos, o local é o centro da organização dos trabalhadores desde a redemocratização. O evento, organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, serviu de palco para o anúncio de metas legislativas que visam alterar a estrutura de descanso semanal e a carga horária máxima no país.

A meta do fim da escala 6×1 até julho

Uma das afirmações mais contundentes de Boulos refere-se ao prazo para a votação das mudanças na jornada de trabalho. Segundo ele, a intenção é que este seja o último ano em que o sistema de seis dias de trabalho por um de descanso vigore no Brasil. Ele relembrou que a jornada não sofre alterações significativas há quase quatro décadas, desde a promulgação da Constituição de 1988.

Para acelerar esse processo, Boulos destacou a decisão estratégica do presidente Lula em enviar um projeto de lei com regime de urgência. Essa medida visa contornar o ritmo lento de tramitação de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que tratam do tema e que estão paradas na Câmara há mais de um ano.

“No que depender do presidente Lula, no que depender de todo o sindicalismo, dos trabalhadores e trabalhadoras do nosso país, nós vamos acabar com as 6 por 1, garantir dois dias de descanso semanais no mínimo, máximo de 40 horas sem redução do salário”, afirmou Boulos.

O regime de urgência mencionado por Boulos impõe um prazo para que deputados e senadores se posicionem. Caso a matéria não seja votada nas duas casas legislativas até o meio de julho, a pauta do Congresso fica trancada. Para o político, essa pressão é necessária para que cada parlamentar mostre de qual lado está perante a sociedade.

Enfrentamento ao lobby das plataformas digitais

Outro ponto abordado por Boulos durante a coletiva no ABC foi a situação dos trabalhadores de aplicativos, como motoristas e entregadores. Ele relatou que o governo tem realizado um esforço contínuo para garantir dignidade a essa categoria, enfrentando o que chamou de “lobby violento” das grandes empresas de tecnologia no Congresso Nacional.

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Paço de São Bernardo durante shows nesse 1º de maio – Reprodução

Segundo Boulos, esse poder de influência das plataformas resultou na desfiguração de projetos originais que visavam proteger o trabalhador, passando a atender aos interesses das empresas. Diante do travamento legislativo, ele listou medidas administrativas que já estão sendo implementadas pelo governo federal:

  • Pontos de apoio: Lançamento de 100 locais de suporte para motoristas e entregadores em todo o território nacional.
  • Transparência financeira: Implementação de uma portaria, via Senacom, que exige que as plataformas discriminem claramente os valores pagos aos trabalhadores e as taxas retidas pelas empresas.
  • Dignidade no trabalho: Busca por mecanismos que tirem esses profissionais da invisibilidade jurídica e social.

O simbolismo de São Bernardo e o impacto eleitoral

Ao analisar a relevância do ato, Boulos reforçou a conexão entre as conquistas da classe trabalhadora e o histórico de São Bernardo. Ele pontuou que a organização dos metalúrgicos da região foi fundamental para diversas garantias trabalhistas brasileiras e que a redução da jornada para, no máximo, 40 horas semanais é o próximo passo dessa trajetória.

Além do aspecto técnico e social, Boulos alertou para as consequências políticas da votação sobre a escala 6×1. Ele indicou que o posicionamento dos parlamentares sobre os dois dias de descanso semanal será um fator determinante nas eleições de outubro. Na visão de Boulos, cerca de 80% da população brasileira defende essa mudança, e os representantes que votarem contra os interesses dos trabalhadores deverão “pagar o preço” nas urnas.

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