“Não vai haver redução de salário”, diz ministro sobre fim da escala 6×1

Dario Durigan defende transição para um modelo com dois dias de descanso e ressalta diálogo com setores produtivos
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Fima da escala 6x1: redução da jornada de trabalho, sem reduzir salários é a principal pauta da classe trabalhadora. Foto: Joca Duarte/ CUT

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu o fim da escala 6×1 como uma agenda necessária. O ministro afirmou, durante o “Bom Dia, Ministro” desta quarta-feira, 6 de maio, que a discussão reflete mudanças estruturais no mundo do trabalho. “Estamos reconhecendo que o mundo avançou, as pessoas estão mais produtivas, há ganhos digitais, de comunicação e é preciso reconhecer sem passar a conta para a população”, disse. Saiba mais na TVT News.

O titular da Fazenda afirmou que o Governo do Brasil tem o compromisso de defender os interesses dos trabalhadores e garantir melhores condições de renda e de atuação, sem redução dos salários. “Vamos fazer questão de incluir, em qualquer medida que seja aprovada no Congresso, a proteção à não redução de salário. Não vai haver redução de salário”, destacou. O ponto é um dos requisitos do texto enviado pelo Governo ao parlamento.

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“Vamos fazer questão de incluir a proteção à não redução de salário”, disse Durigan. Foto: Diego Campos/Secom-PR

O ministro ressaltou que a proposta em debate busca ampliar o tempo de descanso, a qualidade de vida e a chance de estar presente com a família. De acordo com Durigan, três em cada dez trabalhadores ainda estão nesse modelo, e a maioria recebe até dois salários mínimos.

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“Estamos falando de 80% que ganham até dois salários mínimos. É o trabalhador de mais baixa renda. Quem tem mais alta renda está conseguindo escalas mais razoáveis. A ideia é reconhecer o ganho de produtividade e fazer com que a gente transicione de uma realidade em que a pessoa tem um dia para descansar para dois dias de descanso”.

Durigan também ressaltou que o Ministério da Fazenda continua fazendo o equilíbrio entre os vários setores produtivos, com diálogo e avaliação de especificidades. “O que me compete é fazer esse equilíbrio delicado entre vários interesses e estou sempre apto e disposto a fazer esse diálogo com todo mundo. A ideia é reconhecer o ganho de produtividade e fazer com que a gente transicione de uma realidade em que a pessoa tem um dia para descansar para dois dias de descanso”, destacou.

ACESSO AO CRÉDITO — No campo das políticas públicas, Durigan defendeu a adoção de medidas que ampliem a produtividade das empresas, como o acesso a crédito mais barato e investimentos em capacitação profissional, em vez da criação de novos benefícios fiscais. “Se a gente der ganho de produtividade, melhorando o crédito das pequenas empresas, com os programas que foram anunciados com o Desenrola, se aumentar o Fundo Garantidor para que empresas tomem crédito barato, aumentar a capacitação digital, isso não pode ser melhor do que a gente voltar a criar benefício fiscal?”, destacou.

IMPOSTO DE RENDA — Na área tributária, o ministro ressaltou a desburocratização do Imposto de Renda. Segundo Durigan, o uso das declarações pré-preenchidas é um processo que avança e abre caminho para um modelo mais automatizado, em que no futuro não seja necessária a declaração.

“Sou a favor de um Estado eficiente, que cumpre o seu papel, mas que tenha menos burocracia, tome menos o tempo desse trabalhador que vai ser beneficiado com o fim da 6×1, que já está num estado próximo do burnout. Não me parece correto que nesse mundo de hoje, em que a gente está otimizando o tempo, a gente tenha que ter algo como a declaração do Imposto de Renda”.

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