O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta segunda-feira (11) a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19. A data será celebrada anualmente em 12 de março, em referência à primeira morte registrada pela doença no Brasil, ocorrida em 2020 na cidade de São Paulo. Saiba os detalhes na TVT News.
A cerimônia de sanção foi realizada no Palácio do Planalto e reuniu autoridades, parlamentares e familiares de vítimas da pandemia. Além de homenagear os mortos, a nova legislação pretende preservar a memória histórica da crise sanitária e reforçar a importância de políticas públicas de saúde baseadas na ciência.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil ultrapassou a marca de 716 mil mortes por Covid-19 até agosto de 2025. O ano de 2021 foi o mais letal da pandemia no país, com mais de 420 mil óbitos registrados.
Lula critica negacionismo durante pandemia
Durante o evento, Lula fez críticas à condução da pandemia pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O presidente afirmou que parte significativa das mortes poderia ter sido evitada caso fossem seguidas as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de especialistas da área da saúde.
“Se a gente não faz isso, cai no esquecimento. E é tudo que eles desejam, que caia no esquecimento. As pessoas que vivem de mentira não estão preocupadas com a verdade”, disse Lula.
Entre os pontos citados pelo presidente estiveram a defesa de medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina, as declarações contra a vacinação e a disseminação de informações falsas sobre os imunizantes.
“A quantidade de médico que receitava cloroquina, que dizia que vacina fazia as pessoas virarem gay, jacaré, que fazia tudo de mal para as crianças… Se não der nome, não são conhecidas. Seja de qualquer igreja, padre ou pastor. Tem que dar nome para essa gente aprender, no mínimo, a respeitar o ser humano”, relembrou.
Lula também mencionou as sucessivas trocas no comando do Ministério da Saúde durante o período mais crítico da pandemia e relembrou as investigações conduzidas pela CPI da Covid no Senado Federal sobre suspeitas de irregularidades na compra de vacinas.
>> Siga o grupo da TVT News no WhatsApp
Janja relembra perda da mãe
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, emocionou-se ao citar a morte de sua mãe em decorrência da Covid-19. Segundo ela, a falta de incentivo ao uso de máscaras e a postura adotada por autoridades na época agravaram os impactos da pandemia no país.
Data terá caráter educativo
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a criação da data também serve como alerta para futuras emergências sanitárias. Segundo ele, o Brasil precisa fortalecer sua capacidade de resposta diante de novas pandemias, consideradas inevitáveis pela comunidade científica.
“O desafio é garantir que o país esteja preparado para enfrentar novos patógenos e proteger a população”, afirmou o ministro.
O projeto que originou a lei foi apresentado pelo deputado federal Pedro Uczai e teve relatoria do senador Humberto Costa no Senado Federal, onde foi aprovado em abril deste ano.
O Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19 quer garantir que os impactos humanos, sociais e políticos da pandemia permaneçam registrados na história do Brasil, evitando que a tragédia seja esquecida pelas futuras gerações.

