Minha Casa, Minha Vida também chegou para a classe média

Ampliação da Faixa 4 permite financiamento de imóveis de até R$ 600 mil para famílias com renda de até R$ 13 mil
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Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida foi criada em abril de 2025 e ampliada em abril de 2026. Fotos: Ricardo Stuckert / PR

Com a ampliação da Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), o governo federal passou a incluir oficialmente a classe média entre os públicos atendidos pela política habitacional, em uma tentativa de reduzir o “limbo” enfrentado por famílias que ganham acima dos limites tradicionais de subsídio, mas ainda não conseguem financiar um imóvel nas condições do mercado privado. Saiba os detalhes na TVT News.

As novas regras, que entraram em vigor em abril, elevaram os tetos de renda e os limites dos imóveis financiáveis em todas as faixas urbanas do programa. A principal mudança foi justamente a ampliação da Faixa 4, destinada a famílias com renda mensal entre R$ 9,6 mil e R$ 13 mil. Nessa modalidade, o valor máximo do imóvel passou de R$ 500 mil para R$ 600 mil.

A reformulação busca atingir um público formado por profissionais liberais, trabalhadores formais e famílias em ascensão de renda que, até então, ficavam fora dos programas sociais e, ao mesmo tempo, esbarravam nos juros elevados do crédito imobiliário tradicional.

“Tentamos algumas análises antes, mas como nossa renda ficava naquele limite onde o subsídio era baixo, o valor da entrada acabava ficando muito pesado, fora da nossa realidade de planejamento para o início do casamento. Parecia que, por ganharmos um pouco a mais, éramos penalizados com menos ajuda”, afirma Ananda Procópio, assistente jurídica em Fortaleza (CE), que tenta financiar o primeiro apartamento ao lado do noivo.

Juros menores e prazo maior

Embora as faixas superiores não contem com subsídio direto do governo, o principal atrativo está nas condições de financiamento. Cotistas do FGTS enquadrados na Faixa 4 podem contratar crédito com juros de 10,5% ao ano, abaixo das taxas praticadas por bancos privados, que frequentemente superam 12%.

Nas demais modalidades, algumas taxas também foram reduzidas. Em determinados enquadramentos da Faixa 3, os juros podem cair de 8,16% para cerca de 7% ao ano.

Outro diferencial é o prazo de pagamento, que pode chegar a 35 anos. O saldo do FGTS também pode ser usado para compor a entrada, amortizar a dívida ou reduzir parcelas.

Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ampliação reconhece uma demanda reprimida da classe média brasileira. “Todo mundo quer trocar o aluguel pela prestação da casa”, declarou o presidente.

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Novos limites de renda

Com as mudanças aprovadas pelo Conselho Curador do FGTS, a divisão urbana do programa passou a funcionar da seguinte forma:

  • Faixa 1: até R$ 3.200/mês
  • Faixa 2: de R$ 3.200 a R$ 5.000/mês
  • Faixa 3: de R$ 5.000 a R$ 9.600/mês
  • Faixa 4 (Classe Média): de R$ 9.600 a R$ 13.000/mês

Os limites dos imóveis também foram reajustados para acompanhar a valorização do mercado imobiliário. Na Faixa 3, o teto passou para R$ 400 mil. Já na Faixa 4, o limite foi elevado para R$ 600 mil, em um reajuste de 20%.

Meta de 3 milhões de moradias

A expansão do programa faz parte de uma estratégia mais ampla do governo para estimular o setor da construção civil e reduzir o déficit habitacional. O orçamento do Minha Casa, Minha Vida para 2026 chegou a R$ 200 bilhões, o maior da história do programa.

Desde 2023, mais de 1,9 milhão de unidades habitacionais já foram contratadas. A meta oficial agora é alcançar 3 milhões de moradias até o fim de 2026, superando em 50% a previsão inicial.

A expectativa do governo é beneficiar diretamente 87,5 mil famílias com a redução das taxas de juros, incluindo cerca de 40 mil novos participantes nas faixas superiores.

De acordo com Roberto Carlos Ceratto, vice-presidente de Habitação em exercício da Caixa Econômica Federal, a mudança já provocou aumento na procura pelo financiamento habitacional. “Parece uma mudança simples, mas é muito emblemática na vida das pessoas”, afirmou.

Mais proteção para compradores

Além das alterações financeiras, o programa também passou a contar com reforço jurídico para os consumidores. Uma nova regulamentação assegura prazo de cinco anos para pedidos de indenização por defeitos de construção.

O período passa a valer a partir do registro da reclamação no canal “De Olho na Qualidade”, da Caixa Econômica Federal, desde que o problema seja identificado dentro do prazo de garantia do imóvel.

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