Datafolha: Lula (47%) amplia vantagem sobre Flávio (43%) após escândalos de “Dark Horse”

Pesquisa mostra que repercussão de diálogos com Daniel Vorcaro interrompeu crescimento da oposição e deu liderança isolada ao presidente Lula fora da margem de erro.
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Divulgação de nova pesquisa Datafolha ocorre em meio ao agravamento da crise política envolvendo o núcleo bolsonarista e o ex-controlador do Banco Master. Foto: Ricardo Stuckert/PR/Pedro França/Agência Senado

A primeira pesquisa de opinião pública realizada pelo instituto Datafolha após a eclosão do escândalo do filme “Dark Horse” aponta virada na corrida presidencial de 2026. Conforme os dados coletados entre os dias 20 e 21 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expandiu sua vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tanto nas simulações de primeiro turno quanto no confronto direto em uma eventual segunda rodada. Lula agora marca 47% versus 43% de Flávio em um cenário de segundo turno. Leia em TVT News.

O resultado desse Datafolha interrompe a trajetória de crescimento que o pré-candidato da extrema-direita vinha registrando desde o fim do ano passado e reposiciona o cenário eleitoral a partir do desgaste ético sofrido pela oposição.

Primeiro turno: Lula dispara com 9 pontos na frente

No cenário mais provável para o primeiro turno das eleições presidenciais, o Datafolha mostra presidente Lula abriu uma distância de nove pontos percentuais em relação ao principal concorrente.

Lula reúne 40% das intenções de voto, enquanto Flávio pontua com 31%.

Último Datafolha revelava 38% para Lula e 35% para Flávio

A distância entre os candidatos aumentou 6 pontos!

O levantamento anterior, divulgado na semana passada, trazia um quadro de equilíbrio estatístico real, com Lula registrando 38% contra 35% de Flávio Bolsonaro. Naquela ocasião, a maior parte das entrevistas havia sido aplicada antes que os detalhes sobre as conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro ganhassem ampla repercussão nacional.

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Fonte: Datafolha

Segundo turno: de empate técnico para vitória de Lula

A variação nos índices de intenção de voto reflete-se de forma direta nas projeções do Datafolha para o segundo turno.

O empate técnico absoluto em 45%, que caracterizava o tira-teima na semana anterior, foi desfeito.

47% versus 23%: no último Datafolha ambos marcavam 45%

No novo relatório do Datafolha, o presidente da República soma 47% das preferências eleitorais no embate direto, ao passo que o representante do Partido Liberal recuou para 43%.

Trata-se da primeira virada expressiva. Em abril, Flávio havia superado numericamente Lula pela primeira vez em simulações de segundo turno, mas ainda estava na margem do empate técnico.

Escândalo do “Dark Horse” envolvendo os Bolsonaro e Daniel Vorcaro do Banco Master impacta o desempenho de Flávio

A coleta de dados estruturada pelo Datafolha demonstra que o episódio envolvendo o pedido de R$ 134 milhões feito por Flávio Bolsonaro ao ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, repercutiu entre eleitores.

De acordo com o instituto Datafolha, 64% dos 2.004 entrevistados afirmaram ter tomado conhecimento das denúncias. Desse universo que acompanhou o noticiário sobre as tratativas, exatamente o mesmo percentual de 64% manifestou a avaliação de que a conduta do parlamentar foi incorreta e que ele “agiu mal”.

O desgaste político é associado diretamente às constantes mudanças de versão apresentadas pelo pré-candidato desde que o site Intercept Brasil publicou as primeiras reportagens sobre o caso.

Inicialmente, o senador classificou as informações como falsas. Posteriormente, admitiu ter solicitado aportes financeiros sob o argumento de que os recursos se destinavam a custear a produção do documentário “Dark Horse”, obra audiovisual que retrata a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro em 2018.

O episódio gerou repercussões diretas no planejamento das pré-campanhas, sobretudo no bloco político de oposição ao governo federal, tensionando as relações entre diferentes partidos e pré-candidatos do campo conservador. As denúncias e investigações envolvendo o caso “BolsoMaster” não param de repercutir na imprensa.

Nesta quarta, publicamos que a Ancine pode multar produtora de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, em até R$ 100 mil reais por descumprimento de regras da agência. Segundo a produtora Karina Ferreira da Gam, o orçamento já realizado de “Dark Horse” está em cerca de 13 milhões de dólares, dos quais 90% viriam de Vorcaro.

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Quando a coluna da Mônica Bergamo divulgou que seu número estava na agenda de contatos do ex-banqueiro, – que está preso por fraude financeira e lavagem de dinheiro, organização criminosa, além de táticas de intimidaçãocoerção e invasão de dispositivos informáticos, entre outros crimes – Flávio havia dito que qualquer um pode ter o número de alguém, que isso não significaria nada.

Nesta semana, no entanto, Flávio se viu obrigado a recuar novamente. Após o jornal Metrópoles divulgar que o senador havia até mesmo visitado o ex-banqueiro quando ele já estava em prisão domiciliar com tronozeleira eletrônica, Flávio teve que assumir que, de fato, realizou uma viagem inter-estadual para se encontrar com o criminoso, um dia antes de lançar pré-candidatura.

Segundo Flávio, o motivo do encontro foi apenas para dizer a Vorcaro que não gostaria mais de fazer negócios com ele após os escândalos envolvendo seu nome.

As revelações jornalísticas apontaram não apenas que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) manteve conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, como uma sucessão de contradições e mentiras propagadas por Flávio que de “nunca haver tido contato com Vorcaro” foi de “Deus te abençoe meu Brother” em mensagem ao banqueiro.

Nos dias seguintes, o senador declarou publicamente que novos elementos gráficos ou “um vídeo” poderiam surgir, mantendo a tese de que não havia se reunido pessoalmente com Daniel Vorcaro.

Entenda as investigações do Banco Master

O ex-banqueiro, que comandava o Banco Master até a liquidação da instituição financeira ocorrida no ano passado, está no centro de uma apuração conduzida pela Polícia Federal.

O esquema sob investigação é estimado em dezenas de bilhões de reais e envolve a emissão de títulos de crédito sem lastro comercial saudável (“títulos podres”) e a manipulação artificial do valor de mercado de ativos financeiros.

As investigações apontam que as operações irregulares contavam com ramificações em diferentes esferas administrativas do setor público, incluindo negociações para uma tentativa de aquisição do banco privado por parte do Banco de Brasília (BRB), entidade controlada pelo governo estatal.

Os investigadores da Polícia Federal buscam mapear a extensão das conexões financeiras estabelecidas entre a diretoria do antigo Banco Master e lideranças empresariais e políticas do Congresso Nacional.

O avanço dos depoimentos e a quebra de sigilos atingiram outras figuras de relevância na estrutura de apoio ao antigo governo, como o presidente nacional do Progressistas (PP), Ciro Nogueira (PI).

Diante do agravamento da crise institucional e das desconfianças manifestadas por partidos aliados, Flávio Bolsonaro destituiu sua equipe de marketing político e substituiu o marqueteiro da campanha, mantendo a intenção de seguir na disputa presidencial.

Flávio permanece sendo uma das preferências do eleitorado

Apesar do recuo nas simulações estimuladas de primeiro e segundo turnos, os dados do Datafolha reiteram que Flávio permanece consolidado como a principal referência do eleitorado de oposição ao governo federal.

Na modalidade de pesquisa espontânea, momento em que os pesquisadores colhem os nomes sem apresentar a lista de concorrentes, o parlamentar do PL manteve um índice estável de 17% das intenções de voto. O presidente Lula lidera este segmento com 28% das menções espontâneas.

No pelotão de candidatos que buscam viabilizar uma alternativa à polarização nacional, os índices apontam para uma situação de fragmentação e equilíbrio na parte inferior da tabela de primeiro turno. Atrás de Lula (40%) e Flávio (31%), aparecem empatados os seguintes nomes:

  • Ronaldo Caiado (PSD-GO): 4%
  • Romeu Zema (Novo-MG): 3%
  • Renan Santos (Missão): 3%
  • Samara Martins (UP): 3%

Registrando 2% das intenções de voto surge o escritor Augusto Cury (Avante).

Com 1% cada, aparecem Rui Costa Pimenta (PCO) e o Cabo Daciolo (Mobiliza).

O político Aldo Rebelo também figurava com 1% das preferências no momento da coleta de dados, mas teve o nome retirado do processo sucessório pelo seu partido, a Democracia Cristã (DC). A legenda passou a articular a indicação do ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa.

Essa mudança partidária ocorreu após o encerramento do trabalho de campo do Datafolha, registrado oficialmente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-07489/2026.

Outros cenários de segundo turno do Datafolha

Nas simulações de segundo turno do Datafolha envolvendo os governadores estaduais, o presidente Lula ampliou a vantagem em relação ao levantamento do início de maio.

Lula versus Caiado

No confronto com Ronaldo Caiado, Lula passou de 46% para 48%, enquanto o chefe do Executivo goiano obteve 39%.

Lula versus Zema

Em um embate hipotético contra Romeu Zema, o presidente registrou o mesmo avanço para 48%, ao passo que o governador de Minas Gerais oscilou de 40% para 39% das intenções de voto.

Michelle Bolsonaro pontua abaixo de Flávio no primeiro turno

A crise na estrutura da pré-candidatura do PL reascendeu os debates internos sobre uma eventual substituição na cabeça da chapa.

O nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro passou a ser ventilado por setores da coligação como alternativa eleitoral para resguardar o espólio político do campo conservador.

O Datafolha mediu o potencial eleitoral dessa hipótese em cenários específicos de primeiro e segundo turnos.

Na simulação de primeiro turno do Datafolha, o desempenho de Michelle Bolsonaro mostra-se inferior ao patamar sustentado por Flávio Bolsonaro.

Michelle com 22% dos votos e Lula com 41%

Nesse cenário alternativo, a ex-primeira-dama obtém 22% das intenções de voto, enquanto o presidente Lula atinge 41%.

O governador mineiro Romeu Zema lidera o grupo subsequente com 6% das indicações.

Atualmente, a articulação para uma candidatura presidencial de Michelle é tratada como improvável pela cúpula do Partido Liberal. Os planos estratégicos traçados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e pela direção da legenda sinalizam que ela deverá concorrer a uma vaga no Senado Federal representando o Distrito Federal.

Em uma eventual rodada definitiva contra o atual presidente, Michelle Bolsonaro apresenta um desempenho equivalente ao do senador fluminense. No confronto direto, o Datafolha revela que ela soma 43% das intenções de voto contra 48% do presidente Lula, repetindo a distância de cinco pontos percentuais observada no cenário com o enteado.

Rejeição

O indicador de rejeição eleitoral, que mede em quais candidatos os eleitores não votariam sob nenhuma hipótese, continua sendo o principal fator de cristalização dos votos na política nacional.

Os números coletados pelo Datafolha demonstram uma divisão quase idêntica quanto ao veto aos dois principais líderes da pesquisa:

  • Não votariam em Flávio Bolsonaro de jeito nenhum: 46%
  • Não votariam em Lula de jeito nenhum: 45%
  • Não votariam em Michelle Bolsonaro de jeito nenhum: 31%

A menor taxa de rejeição associada à ex-primeira-dama decorre, em parte, de um menor nível de conhecimento de sua figura pública por parcelas do eleitorado se comparada aos demais concorrentes.

O levantamento indica que 13% dos entrevistados declaram não saber quem é Michelle Bolsonaro, enquanto o índice de desconhecimento do senador Flávio Bolsonaro é de 7%.

No sentido inverso, os governadores que correm por fora exibem um quadro caracterizado por alto desconhecimento e baixa rejeição inicial: Ronaldo Caiado é desconhecido por 52% e rejeitado por 15%, enquanto Romeu Zema não é identificado por 53% e apresenta 18% de veto popular.

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Gráfico compara outras amostragens do Datafolha com ajuda de IA – Fonte: Datafolha

Perfil sociodemográfico do eleitorado

A análise detalhada do Datafolha do perfil sociodemográfico dos eleitores aponta para a manutenção das bases tradicionais de apoio de cada corrente política, sem alterações estruturais significativas decorrentes do noticiário recente.

Mulheres preferem Lula a Flávio

De acordo com o Datafolha, o presidente Lula preserva seus melhores desempenhos históricos e maiores índices de intenção de voto entre o eleitorado feminino, nas faixas de menor poder aquisitivo e menor nível de instrução formal, além de consolidar ampla vantagem na região Nordeste e entre os eleitores que professam a religião católica.

Flávio faz sucesso entre homens do Sul, Norte e Centro-Oeste

Por sua vez, o Datafolha mostra que o senador Flávio Bolsonaro mantém índices de preferência acima da média nacional entre a parcela de eleitores do sexo masculino, nos segmentos demográficos declarados evangélicos, entre os moradores das regiões Sul, Norte e Centro-Oeste, bem como nas faixas de renda correspondentes à classe média e aos estratos socioeconômicos mais abastados do país.

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