Erika Hilton acusa PL de “manobra covarde” para tentar manter escala 6×1

Deputada do Psol afirma que setores da direita tentam “tumultuar” votação da PEC da redução da jornada de trabalho
"No fim do dia tudo que eles querem é a manutenção dessa política [da escala 6x1]”, acusou a deputada. Foto: Vinicius Loures/ Câmara dos Deputados

A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) elevou o tom nesta quarta-feira (27) durante a reunião da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho no Brasil. Autora da PEC 8/2025, a parlamentar acusou o Partido Liberal (PL) e setores da direita de tentarem atrasar e inviabilizar a votação do texto por meio de uma “manobra covarde”. Saiba mais na TVT News.

A comissão discute o parecer do relator Leo Prates, que unificou a proposta apresentada por Erika Hilton com a PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes. O relatório estabelece a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, além da garantia de dois dias de descanso semanal, encerrando a escala 6×1.

Durante sua fala na comissão, Erika criticou a mudança de postura do PL, que passou a defender publicamente a escala 4×3 após semanas de resistência à redução da jornada de trabalho.

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“Propuseram 10 anos de transição, falaram em 52 horas semanais, e da noite para o dia, porque viram que a coisa também estava ficando puxada pro lado de lá – porque como é que vai explicar para o trabalhador que são contra um tempo de dignidade. Para não sujarem as mãos, para tentarem dizer que são bonzinhos, agora querem fazer a manutenção da 6×1 de maneira covarde, porque nem a condição de assumir que são inimigos da classe trabalhadora, que são contra o fim da escala 6×1, eles têm. Por isso, estamos vigilantes, estamos atentos, presidente. Vamos acelerar a votação aqui hoje”, afirmou a deputada, em declaração reproduzida pela TVT.

A reação da parlamentar ocorreu após o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, anunciar que o partido votará a favor do fim da escala 6×1, mas defenderá um destaque para incluir a adoção da jornada 4×3, com quatro dias de trabalho e três de descanso.

A movimentação foi recebida com desconfiança por parlamentares da base governista e por integrantes da comissão especial. Segundo Erika Hilton, a defesa repentina da escala 4×3 por setores que vinham combatendo a redução da jornada representa uma tentativa de criar obstáculos à aprovação do acordo já construído em torno da jornada 5×2.

“Profundo espanto”, diz Erika Hilton

“Nós recebemos com profundo espanto, mas não surpresa, a manobra covarde praticada pelo Partido Liberal de tentar enterrar aquilo que com muito esforço foi construído”, declarou a deputada.

Ela lembrou que grande parte da bancada do PL apoiou recentemente uma emenda que previa uma transição de dez anos para a redução da jornada e criava mecanismos que poderiam permitir semanas de até 52 horas de trabalho. A proposta ficou conhecida entre parlamentares e movimentos sociais como “emenda das 52 horas”.

A repercussão negativa levou parte dos deputados a retirar suas assinaturas do texto, mas mais da metade da bancada do PL continuou oficialmente vinculada à proposta.

Ao chegar para a sessão da comissão, Erika Hilton afirmou ainda que o movimento da oposição constitui “mais um golpe da extrema direita” contra os trabalhadores.

“Isto é um golpe contra o trabalhador de uma maneira que parece benéfica, parece boa, mas no fim do dia tudo que eles querem é a manutenção dessa política [da escala 6×1]”, afirmou.

Apesar das críticas à estratégia do PL, a deputada reafirmou sua defesa histórica da escala 4×3 e da jornada semanal de 36 horas. Segundo ela, a proposta continua sendo o horizonte defendido pelo movimento que luta pela redução da jornada no país.

“Nós sempre dissemos: vamos defender até o último dia a 4×3, vamos defender até o último dia as 36 horas. Nós acreditamos que a economia está madura, nós acreditamos que o Brasil é capaz de propor uma escala nesse sentido”, declarou.

O presidente da comissão especial, Alencar Santana, também criticou a iniciativa da direita de defender a escala 4×3 neste momento da tramitação. Segundo ele, houve meses de negociação entre parlamentares, movimentos sociais e representantes do governo até que se chegasse ao consenso em torno da adoção da jornada 5×2 como alternativa considerada viável politicamente.

“Tentar avançar com o discurso pelo fim da 6×1 na via da 4×3 é, sim, uma tentativa de tumultuar a votação por parte da direita”, afirmou o parlamentar.

A deputada Maria do Rosário classificou a movimentação como “diversionista”. Segundo ela, setores que resistiam à redução da jornada passaram a defender uma proposta mais ampla apenas para dividir o plenário e dificultar a aprovação do texto negociado.

O clima de tensão marcou a sessão da comissão especial nesta quarta-feira. O presidente da Câmara, Hugo Motta, convocou sessão do plenário para a tarde, numa articulação que pode permitir a votação da PEC ainda hoje em dois turnos.

Acordo pelo fim da escala 6×1

Governistas afirmam que houve um acordo político para acelerar a tramitação da proposta após entendimento entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Motta.

O texto prevê redução imediata de duas horas na jornada semanal 60 dias após a promulgação da PEC e nova redução de duas horas no prazo máximo de um ano. Também estabelece a garantia de dois dias de folga semanais, sem redução salarial.

Para ser aprovada na Câmara, a proposta precisa receber ao menos 308 votos favoráveis em dois turnos de votação antes de seguir para análise do Senado Federal.

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