A Colômbia terá um segundo turno presidencial marcado pela polarização entre direita e esquerda após a realização do primeiro turno das eleições neste domingo (31). O advogado e empresário Abelardo de la Espriella, do movimento Defensores de la Patria, terminou na liderança com 43,74% dos votos, enquanto o senador Iván Cepeda Castro, do Pacto Histórico, alcançou 40,90%. A nova votação está marcada para 21 de junho. Saiba mais na TVT News.
A participação eleitoral chegou a 57,88% do eleitorado, em um país onde o voto não é obrigatório. Como nenhum dos candidatos superou a marca de 50% mais um dos votos válidos, a disputa seguirá para o segundo turno, em um cenário de forte tensão institucional e política.
De la Espriella recebeu 10.361.499 votos, sendo o principal nome da nova direita colombiana. Já Cepeda, aliado próximo do presidente Gustavo Petro, somou 9.688.361 votos e tentará manter o projeto progressista no poder. A diferença entre os dois candidatos ficou em pouco mais de 673 mil votos.
A eleição também demonstrou o enfraquecimento do tradicional uribismo. A senadora Paloma Valencia, apoiada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, terminou apenas na terceira colocação, com 6,92% dos votos. Sergio Fajardo apareceu em quarto lugar, com 4,26%.
Projetos opostos para o país
O segundo turno colocará frente a frente dois projetos políticos antagônicos. Abelardo de la Espriella, conhecido como “El Tigre”, construiu sua campanha com discurso de combate duro aos grupos armados e ao narcotráfico. Inspirado em lideranças como Nayib Bukele, de El Salvador, e Javier Milei, da Argentina, ele quer reduzir o tamanho do Estado, ampliar a segurança pública e construir megaprisões de segurança máxima.
O candidato conservador também aposta em pautas ligadas à defesa da propriedade privada, da religião e da família, além de prometer crescimento econômico de 5% ao ano para financiar melhorias em saúde e educação.
Do outro lado, Iván Cepeda defende a continuidade das políticas do governo Gustavo Petro. O senador e defensor histórico dos direitos humanos propõe aprofundar reformas sociais, ampliar programas de saúde e educação gratuitas e manter negociações com grupos armados dentro da política de “paz total”.
Cepeda também defende aumento de impostos sobre os mais ricos e a ampliação da distribuição de terras para vítimas do conflito armado colombiano.
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Acusações de fraude
O clima político após a votação foi marcado por acusações e desconfiança sobre o sistema eleitoral. O presidente Gustavo Petro afirmou que não reconhece os resultados preliminares e alegou irregularidades nos algoritmos do software de apuração, além de um suposto descompasso de 800 mil eleitores no censo eleitoral. A Procuradoria colombiana, por outro lado, afirmou que o processo ocorreu de maneira segura e transparente.
Iván Cepeda apoiou a posição do presidente e afirmou que só reconhecerá oficialmente o resultado após o escrutínio final conduzido pelas comissões judiciais eleitorais.
As declarações aumentaram a tensão no país. De la Espriella acusou o governo de tentar “se perpetuar no poder” e prometeu defender a democracia “pela razão ou pela força”.
Violência marcou campanha eleitoral
A disputa presidencial colombiana também foi marcada por episódios de violência política, como o assassinato do pré-candidato Miguel Uribe Turbay, em 2025.
Abelardo de la Espriella afirmou ter recebido ameaças do ELN (Exército de Libertação Nacional) e fez diversos eventos públicos atrás de estruturas de vidro blindado. Dois trabalhadores ligados à sua campanha também morreram durante o período eleitoral.
Além disso, surgiram denúncias de pressão de grupos armados ilegais sobre eleitores em algumas regiões do país, especialmente nos departamentos de Nariño e Cauca.
