Vorcaro inclui filme de Bolsonaro em nova delação

Segundo a CNN Brasil, ex-controlador do Banco Master incluiu na nova proposta de colaboração premiada detalhes sobre pedidos e cobranças de Flávio Bolsonaro para financiar o filme “Dark Horse”
Inclusão do caso Dark Horse na nova tentativa de acordo de colaboração dá novo peso institucional a fatos revelados pelo Intercept Brasil. Foto: Divulgação

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro voltou a colocar o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no centro das investigações que cercam o colapso do Banco Master. Segundo informação revelada nesta terça-feira (3) pela CNN Brasil, Vorcaro incluiu o episódio em uma nova versão de sua proposta de colaboração premiada apresentada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Saiba mais na TVT News.

De acordo com a emissora, o ex-controlador do Banco Master relatou aos investigadores pedidos e cobranças feitos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a liberação de recursos destinados ao longa-metragem. Vorcaro também teria detalhado transferências de cerca de R$ 60 milhões relacionadas ao financiamento da produção.

A nova proposta foi entregue à PF e à PGR na segunda-feira (1º). No dia seguinte, a defesa apresentou um complemento de informações e documentos. O movimento ocorre após a rejeição da primeira versão da delação, que, segundo a própria CNN, foi recusada pela Polícia Federal sob o argumento de que havia omissões consideradas relevantes.

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A inclusão do caso Dark Horse na nova tentativa de acordo de colaboração dá novo peso institucional a fatos que já haviam sido revelados pela série Vaza Flávio, publicada pelo Intercept Brasil nas últimas semanas.

Série Vaza Flávio revelou pedido de R$ 134 milhões

A primeira reportagem da série trouxe à tona gravações e documentos que apontavam a participação direta de Flávio Bolsonaro nas negociações para captar recursos destinados ao filme sobre seu pai.

Segundo o material divulgado pelo Intercept, o senador teria negociado junto a Daniel Vorcaro um plano de financiamento que poderia chegar a US$ 24 milhões — valor equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões pela cotação da época.

Os documentos indicavam que os recursos seriam destinados ao fundo Havengate, responsável pela estrutura financeira da produção cinematográfica. O fundo era controlado por Paulo Calixto, advogado ligado ao deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

As revelações tiveram grande repercussão porque mostravam um senador da República atuando diretamente para viabilizar recursos privados de enorme magnitude destinados a um projeto voltado à promoção da imagem política de seu pai, principal liderança da extrema direita brasileira.

Viagem a São Paulo ampliou questionamentos

Em uma das reportagens posteriores da série, o Intercept mostrou que Flávio Bolsonaro realizou uma viagem a São Paulo para tratar de assuntos relacionados ao projeto cinematográfico em um momento em que Daniel Vorcaro já estava envolvido em graves problemas judiciais e financeiros.

A reportagem destacou a continuidade da interlocução entre os envolvidos mesmo diante do agravamento da situação do ex-banqueiro, que se tornaria posteriormente alvo de investigações mais amplas envolvendo a gestão do Banco Master e a movimentação de recursos associados ao grupo empresarial.

O episódio reforçou a percepção de que o financiamento do filme seguia sendo tratado como assunto prioritário pelos articuladores do projeto.

“Esse é o mais importante disparado”

A revelação mais recente da série Vaza Flávio ocorreu nesta semana, quando o Intercept divulgou mensagens internas de Daniel Vorcaro que ajudam a compreender como os repasses para o filme eram tratados dentro de sua estrutura financeira.

As conversas mostram diálogos entre Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel, empresário e pastor que atuava como operador de pagamentos pessoais e empresariais do banqueiro.

Nas mensagens, Zettel informa que havia cerca de 55,5 milhões em pagamentos pendentes e pergunta quais despesas deveriam receber prioridade.

Ao saber que o filme não constava entre os desembolsos prioritários, Vorcaro reagiu imediatamente.

“Filme você pagou?”, questionou.

Após receber resposta negativa, enviou a mensagem que se tornou um dos principais símbolos da investigação.

“Esse é o mais importante disparado”, escreveu.

Em seguida acrescentou: “Não pode falhar mais”.

Os diálogos sugerem que, mesmo diante de dezenas de milhões em compromissos financeiros pendentes e em meio às dificuldades enfrentadas pelo Banco Master, os recursos destinados à produção sobre Bolsonaro ocupavam posição privilegiada na escala de prioridades do ex-banqueiro.

Novos personagens e aprofundamento dos fatos

Segundo a CNN Brasil, a nova proposta de delação não se limita ao caso do filme.

A emissora informou que Vorcaro acrescentou novos personagens aos relatos já apresentados anteriormente e aprofundou episódios que haviam sido tratados de forma superficial na primeira versão rejeitada pela Polícia Federal.

A expectativa agora é que os investigadores analisem se os novos elementos apresentados trazem informações inéditas e relevantes o suficiente para justificar o prosseguimento das negociações de um acordo de colaboração premiada.

A análise ficará a cargo da PF e da Procuradoria-Geral da República, que deverão avaliar a consistência das informações, a existência de elementos de prova e a utilidade dos relatos para o avanço das investigações em curso.

Enquanto isso, a inclusão formal do caso Dark Horse na proposta de delação representa mais um desdobramento das revelações da série Vaza Flávio. O que antes aparecia apenas em áudios, mensagens e documentos divulgados pela imprensa passa agora a integrar um material apresentado oficialmente às autoridades, colocando sob novo escrutínio a relação entre Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro e o financiamento milionário do filme dedicado à trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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