O Brasil pode se tornar nos próximos anos como um dos principais polos da indústria aeronáutica militar na América Latina. A fabricante sueca Saab avalia transformar o país em um hub regional de produção e exportação dos caças Gripen, em meio à expansão da parceria estratégica firmada com o governo brasileiro e a Embraer. Saiba os detalhes na TVT News.
O movimento ganhou força após a assinatura, em 4 de junho de 2026, de um novo acordo de intenções entre Brasil e Suécia para a possível compra de mais 20 aeronaves Gripen E e F pela Força Aérea Brasileira (FAB). Caso a negociação seja concluída, a frota brasileira poderá chegar a 56 caças suecos.
O novo compromisso amplia o programa iniciado em 2014, quando o Brasil fechou a aquisição inicial de 36 aeronaves por cerca de US$ 4,5 bilhões. Até agora, 11 caças foram entregues, enquanto as demais unidades devem chegar até 2027.
Produção brasileira mira mercado internacional
A estratégia da Saab vai além do fornecimento de aeronaves para a FAB. A empresa pretende utilizar a estrutura instalada no Brasil para atender contratos internacionais, transformando a planta da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, em um centro regional de fabricação e exportação.
O primeiro passo dessa expansão já começou com a venda de 17 Gripen para a Colômbia, em contrato estimado em 3,1 bilhões de euros. Segundo a fabricante sueca, parte significativa dessas aeronaves poderá ser produzida em território brasileiro.
O Brasil também aparece como possível base logística e industrial para futuras encomendas da Ucrânia, que demonstrou interesse na aquisição de 20 unidades do Gripen E após a aprovação de auxílio financeiro da União Europeia.
A avaliação do governo brasileiro é que a produção local reduz a dependência externa e fortalece a soberania nacional sobre o espaço aéreo.
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Transferência de tecnologia é eixo central
Um dos principais pilares do programa Gripen é a transferência de tecnologia para a indústria brasileira. A unidade da Embraer em Gavião Peixoto, inaugurada em 2023, já realiza a montagem integral de aeronaves, e 15 dos 36 caças do primeiro contrato terão fabricação final no Brasil.
Em março de 2024, foi apresentado o primeiro Gripen produzido em solo brasileiro, considerado um marco da autonomia tecnológica nacional no setor de defesa.
O processo envolveu o treinamento de centenas de engenheiros e técnicos brasileiros na Suécia. Hoje, profissionais nacionais participam de atividades como ensaios em voo, manutenção e desenvolvimento de sistemas.
Empresas brasileiras também integram a cadeia produtiva. A AEL Sistemas fornece sistemas aviônicos, enquanto a Atech atua no desenvolvimento de componentes e soluções tecnológicas.
O acordo prevê ainda a criação de um centro de inovação voltado ao desenvolvimento de novos equipamentos e sistemas para os caças.
Gripen E e Gripen F terão funções distintas
A FAB opera duas versões principais do caça sueco. O Gripen E é monoposto e voltado principalmente para missões de combate tático e defesa aérea.
Já o Gripen F possui dois assentos e foi desenvolvido para treinamento avançado de pilotos e operações de alta intensidade. Apesar da configuração biposto, o modelo mantém a mesma capacidade operacional e de sensores da versão E.
O Brasil se tornou o primeiro país do mundo a receber uma unidade do Gripen F.
Logística envolve porto em Santa Catarina
Os caças produzidos na Suécia passam inicialmente por ensaios de voo em Linköping antes de serem transportados por navio até o porto de Navegantes, em Santa Catarina.
Na sequência, as aeronaves seguem por via terrestre até o aeroporto local, onde realizam testes preliminares antes do primeiro voo em território brasileiro. Depois, são deslocadas para a Base Aérea de Anápolis, em Goiás, responsável pela defesa aérea da capital federal.
Programa deve gerar 13 mil empregos
Além do impacto militar e tecnológico, o programa Gripen é apresentado pelo governo brasileiro como um vetor de desenvolvimento econômico.
A estimativa é de geração de aproximadamente 13 mil empregos, sendo 2,2 mil diretos e 10,8 mil indiretos. O Brasil investe cerca de R$ 1,2 bilhão por ano no projeto, que já recebeu mais de R$ 15 bilhões desde o início da parceria.

