Neste sábado a melhor opção que o Brasil tinha para o posto de lateral-direito, Wesley, saiu de campo com apenas 20 minutos de jogo após sentir uma fisgada na virilha. No dia seguinte, o pior foi confirmado: a lesão do jogador. A CBF anunciou o corte de Wesley por conta da lesão na coxa esquerda. No seu lugar, no entanto, Ancelotti não convocou um novo lateral, mas sim um volante, Éderson. Entenda a escolha do técnico da seleção em TVT News.
Diante do desfalque, o técnico Carlo Ancelotti optou por não convocar outro especialista para a posição, escolhendo o meia Éderson, da Atalanta, para se integrar à equipe nos Estados Unidos.
Nomes como Paulo Henrique (do Vasco) e Vitinho (do Botafogo) eram esperados para ocupar a vaga de Wesley, já que jogam na mesma posição e constavam na lista larga enviada à Fifa. Por que, então, Ancelotti optou por levar mais um volante junto aos titulares Bruno Guimarães e Casemiro e os reservas Danilo Santos e Fabinho?
A escolha do técnico aponta para estratágia de fortalecimento do meio de campo. Mas também pode significar que Ancelotti acredita que o Brasil não tenha um lateral-direito com qualidade para substituir Wesley na seleção.
Em suas redes sociais, Wesley lamentou a lesão: Nem toda batalha é vencida em campo. Hoje preciso interromper um sonho por causa de uma lesão. Dói não poder continuar vestindo a camisa da Seleção Brasileira neste momento, mas quem conhece a minha história sabe que desistir nunca foi uma opção”, escreveu.

Improvisação na lateral
A decisão de deixar a delegação sem um novo lateral de origem indica que a comissão técnica deve recorrer a improvisações durante a competição.
O treinador italiano avalia que jogadores como Danilo e Ibañez possuem capacidade para atuar fechando o lado direito do setor defensivo.
O corte indesejado de Wesley também abriu espaço para Ancelotti realizar uma correção estrutural no elenco.
O meio de campo apresentava-se como o setor mais desguarnecido da seleção brasileira, contando com apenas cinco integrantes, entre os quais constava somente um meia de ligação.
Essa quantidade reduzida contrasta com o histórico das convocações do Brasil para Copas anteriores, cujas listas variaram de seis a oito meio-campistas nas últimas décadas.
Até então, Ancelotti vinha tentando compensar a falta de articuladores utilizando um esquema tático ofensivo composto por quatro atacantes.
No entanto, a reta final dos treinamentos preparatórios demonstrou a urgência de estabelecer alternativas táticas para atuar com três jogadores no setor central.
Foi justamente com essa formação que a equipe apresentou melhor rendimento nos amistosos contra o Panamá, durante a etapa complementar, e contra o Egito, na metade inicial do confronto.
O esquema com três meio-campistas permitiu maior volume de criação, potencializou as jogadas dos atacantes e evitou que o Brasil ficasse em desvantagem numérica na marcação.
“Honrado em fazer parte da maior seleção do mundo”, escreveu Éderson, o volante convocado.
O desenho tático mais equilibrado teve Lucas Paquetá exercendo a função de terceiro homem de meio de campo. Contudo, as boas atuações trouxeram preocupação devido à falta de um substituto imediato com características semelhantes.
Neymar, que não participou das atividades com o grupo na primeira semana de treinamentos em solo norte-americano, poderia atuar na armação, mas apenas nos momentos de posse de bola, uma vez que não oferece o mesmo retorno na recomposição defensiva exigida por Ancelotti.
O volante Bruno Guimarães analisou as oscilações táticas da equipe e validou a mudança promovida pela comissão técnica para dar maior consistência ao time:
“O Ancelotti está assistindo as coisas. Contra o Panamá, a gente ficou muito exposto. Hoje, ele colocou mais um cara no meio. Acho que a gente defendeu bem melhor, no meu ponto de vista, e construiu melhor também. Tivemos mais chances de fazer gols no primeiro tempo. Mas o homem sabe o que está fazendo.”
A busca por versatilidade justifica a escolha de Éderson, que superou a concorrência de Andrey Santos (do Chelsea), constantemente lembrado, e de Gabriel Sara (do Galatasaray), presente na última listagem pré-Copa.
O atleta da Atalanta, que havia sido chamado por Ancelotti apenas uma vez, há um ano, destaca-se pelo perfil criativo, pela facilidade de atuar em mais de uma função no campo e por ser destro, oferecendo uma alternativa de posicionamento em relação aos canhotos Paquetá e Danilo Santos.
O treinador italiano expressou satisfação com a postura demonstrada pelo grupo na vitória sobre a seleção egípcia, indicando que a formação com três homens no meio pode ser mantida para o jogo de estreia no Mundial contra Marrocos, em Nova Jersey.
“Fizemos 60 minutos bons, em nível defensivo e ofensivo. Pressionamos alto, bem, equipe jogou com intensidade, respeitando o plano do jogo. Então, (saio com) muito mais certezas”, declarou Ancelotti.
A comissão técnica terá o restante da semana para ajustar o posicionamento defensivo e definir os últimos detalhes da equipe titular que iniciará a busca pelo campeonato.

