A Universidade Estadual Paulista (Unesp) aprovou por unanimidade uma política de reserva de vagas para professores pretos, pardos e indígenas (PPI) em concursos públicos da instituição. A medida, aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão Universitária (CEPE), determina que um terço das vagas destinadas à carreira docente seja reservado a candidatos desses grupos em todos os 24 câmpus da universidade. Saiba mais na TVT News.
A nova política entra em vigor com a meta de garantir, já no primeiro ano de implementação, a contratação de ao menos um professor negro ou indígena em cada uma das 34 unidades universitárias da Unesp. A decisão foi considerada histórica pela administração da instituição e por integrantes de movimentos ligados às ações afirmativas no ensino superior.
Medida busca enfrentar sub-representação
O principal argumento da universidade para a adoção das cotas é o atual cenário de baixa representatividade racial entre os docentes. Dados do Escritório de Gestão de Dados e do sistema SisRH mostram que, dos 3.055 professores da universidade, apenas 201 se autodeclaram pretos, pardos ou indígenas — cerca de 6% do total.
Desse grupo, 43 docentes são pretos, 156 pardos e apenas dois indígenas. O percentual é considerado muito inferior à composição demográfica do estado de São Paulo, onde aproximadamente 40% da população se declara negra.
Segundo o relatório que embasou a decisão, a política de reserva de vagas é vista como uma forma de acelerar mudanças estruturais na composição do corpo docente da universidade e ampliar a diversidade acadêmica.
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Critério será reserva direta de vagas
A resolução aprovada pelo CEPE estabelece que a seleção será feita por meio de reserva direta de vagas, e não por sistemas de pontuação adicional. De acordo com a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Proade), o modelo escolhido garante de forma mais efetiva a presença de docentes PPI na universidade.
A verificação das autodeclarações seguirá procedimentos semelhantes aos já utilizados pela Unesp no vestibular, com comissões responsáveis pela averiguação das informações declaradas pelos candidatos.
Grupo de trabalho formulou proposta
A proposta foi desenvolvida por um grupo de trabalho criado em julho de 2025 pela reitora Maysa Furlan. Participaram da elaboração representantes da Proade, do Núcleo Negro da Unesp para Pesquisa e Extensão (Nupe), da Assessoria Jurídica, da Coordenadoria de Gestão de Pessoas e do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT).
Para a universidade, a iniciativa representa um avanço das políticas de diversidade já adotadas pela instituição. A Unesp foi pioneira entre as universidades estaduais paulistas ao implantar cotas raciais no vestibular, em 2013.
Atualmente, metade das vagas da graduação é destinada a estudantes oriundos de escolas públicas, sendo que parte desse percentual é reservada a candidatos negros e indígenas.
Universidade destaca pluralidade
Em declarações divulgadas pela universidade, integrantes da gestão afirmaram que a medida busca tornar a composição acadêmica mais próxima da realidade social brasileira.
O vice-reitor Cesar Martins classificou a decisão como um avanço das políticas de diversidade e equidade da instituição. Já Maria Valéria Barbosa, assessora da Proade e coordenadora do grupo de trabalho, afirmou que a aprovação representa “um passo decisivo” para tornar a universidade “mais plural e com a cara do Brasil”.
